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Saúde Corporativa: Desafio para todas as organizações

By 3 de janeiro de 2015 Mercado

A Saúde Corporativa é um tema de cada vez maior importância nas organizações. Ao longo do tempo , temos observado uma deterioração da saúde dos colaboradores, a partir do momento que entram nas empresas. Sedentarismo e sobrepeso vão vagarosamente se instalando nos colaboradores, como uma epidemia de gestação lenta. Enquanto os doentes crônicos, com doenças como diabetes e hipertensão, ainda são um pequeno percentual em muitas organizações, os fatores de risco modificáveis como sedentarismo, sobrepeso, obesidade, tabagismo, hábitos alimentares inadequados, stress elevado e humor deprimido vão se instalando progressivamente nas organizações, sendo que infelizmente temos observado poucas propostas concretas para estes desafios.

Felizmente, a maioria das empresas já oferece o seguro-saúde para seus colaboradores, contudo este benefício, na maioria dos casos, não orienta o trabalhador a adotar hábitos preventivos de saúde, como passar no médico regularmente e ir ao dentista,  no mínimo, duas vezes por ano. Utilizar o plano de saúde de modo preventivo, talvez seja o maior desafio das organizações; porém constitui uma otimização de recurso importante e certamente terá impacto sobre a sinistralidade (total de gastos) do plano de sáude.

Outra oportunidade evidente nas organizações é a melhor utilização da saúde ocupacional. Os exames de admissão e periódicos são oportunidades riquíssimas, para a coleta de informações sobre o estilo de vida dos colaboradores, fatores de risco presentes e doenças em acompanhamento(muitas vezes inadequado). Integrar estas informações com a utilização do plano de saúde tem se mostrado para muitas organizações como uma fonte excelente de informações, que tem propiciado o início da gestão estratégica da saúde dos colaboradores.

O conhecimento do perfil epidemiológico da população, através da aplicação de questionários de saúde on-line ou impresso é outra ferramenta simples e fundamental para mapear o perfil de saúde da população e, a partir daí, implantar ações para melhorar o peril de saúde da população. Medidas simples, como disponibilizar frutas no refeitório para os colaboradores, são extremamente efetivas para auxiliar na mudança de hábito alimentar e combater o sobrepeso.

Com isso, as organizações passam a estar preparadas de fato para a nova demografia da população, com uma longevidade cada vez maior e custos assistenciais cada vez mais elevados, em função da prevalência das doenças crônicas na população. Estes custos somente poderão ser gerenciados, através do acompanhamento ativo das saúde dos colaboradores, pois a maior parte da mortalidade no Brasil, ainda está ligada a doenças cardiovasculares, que são intimamente ligadas a estilo de vida.

Abaixo dois artigos interessantíssimos sobre este assunto:

Dráuzio Varella: use sua inteligência também para cuidar de sua saúde

Aos 67 anos, médico no consultório e na mídia, professor, pesquisador, voluntário, marido, pai e avô presente. Como? Disciplina militar para combater as forças da natureza! Confira a estimulante palestra de Drauzio Varella na ExpoManagement 2010

Todos os anos, as palestras promovidas pela HSM na Expo Management 2010 oferecem conteúdo sobre estratégia, inovação, marketing e gestão de recursos humanos, de processos e de valores. Este ano, em parceria com o Hospital Sírio Libanês, o Espaço Saúde, promovido entre as palestras, trouxe ao palco do auditório principal o médico Drauzio Varella para falar aos congressistas sobre a importância de incluir hábitos saudáveis em suas vidas, sejam eles à mesa ou praticando atividades físicas.

O renomado médico dispensa apresentações, mas o que poucos sabem é o papel multitarefa que ele desempenha. Além das atividades relacionadas à medicina, Drauzio Varella arruma tempo para desenvolver pesquisas na Amazônia e também para desempenhar atividades voluntárias em penitenciárias, trabalho este, inclusive, que manteve mesmo depois da implosão do Carandiru, onde iniciou esta atividade.

Ele consegue ser um profissional multitarefa porque respeita os limites do seu corpo. E sem a pretensão de oferecer sermão médico, Varella falou que temos a pretensão de achar que nosso corpo está para nos atender, não respeitando nossos limites físicos, mas concorda que a coisa mais difícil é mudar o estilo de vida de alguém.

“Como médico, eu olho para as pessoas e vejo a tragédia que vai acontecer com elas”. Ele conta que vê em um senhor fumante, com uma barriga avantajada, cor de pele avermelhada o risco iminente de um infarto. “Aí esta pessoa passa por um processo operatório, fica dias hospitalizado e recebe prescrições de novos hábitos, simples e fundamentais, que irão preservar sua saúde e sua vida, mas mesmo assim não as segue”, lamenta o médico.

Percepção é diferente de ação

Do palco para o público do auditório ele pergunta: “quantos aqui de vocês acham importante a atividade física regular?”, e “quantos aqui efetivamente praticam com frequência?” e vê, claramente o abismo entre percepção e ação?

Enquanto estudioso que é, Varella ressalta que, tecnicamente, a natureza humana não foi feita para dispensar energia. Com isso, criou-se a sociedade do conforto, representada por elevada quantidade de sedentários que se alimentam com produtos não-saudáveis e em quantidade acima do necessário.

“No último século duplicamos a expectativa de vida e uma pessoa pode viver totalmente saudável aos 70 anos, desde que vença o sedentarismo e tenha o controle da queima de calorias ingeridas”, afirma o pesquisador. Ele ressalta que, para isso, é necessário uma disciplina militar para resistir aos estímulos, uma vez que o metabolismo tem características de consumo que variam de pessoa para pessoa. E faz uma brincadeira ao afirmar que magro tem preguiça de comer e obesos adquirem massa porque comem muito mais do que gastam.

“Somos um pacote virtual com as características de nossa fome e saciedade. Aqueles que têm tendência a engordar, tem que resistir e respeitar suas fraquezas. A natureza é, antes de tudo, injusta e é preciso saber reconhecer essa dificuldade”, conscientiza o médico. Afastar-se da mesa se você é mais insaciável ou se policiar na prática regular de uma atividade que compense a maior ingestão de alimentos que o necessário podem ser alternativas para essa militância.

Disciplina militar

Ele afirma que se você não tem 30 ou 40 minutos pra oferecer ao seu corpo algo está errado, afinal, nem tudo que fazemos em nossas vidas, nos dá imenso prazer. Ele conta, ainda, como se tornou maratonista ao se preparar todos os dias para eventos de corrida. “Correr é a única coisa que me obrigo a fazer e só me permito desistir depois de levantar da cama, colocar o calção, o tênis e a camisa.

A minha vida é tão corrida quanto a dos senhores aqui presentes e tenho certeza de que é tudo mentira quem diz que tem prazer em praticar atividade física. Eu, por exemplo, só sinto prazer quando eu paro de correr”, brinca Varella.

Para todas as pessoas que almejam viver com suas necessidades básicas garantidas e com boa qualidade de vida, é absolutamente fundamental perceber que não dá para passar o dia inteiro sentado. Por isso, driblar a preguiça e as desculpas exige força de vontade permanente e sabedoria para entender que o sobrepeso pode ser um sério problema quando associado à uma vida sedentária.

“Se neste auditório temos apenas 10% das pessoas que praticam a atividade física, posso afirmar que a cada três pessoas uma vai morrer de ataque cardíaco”, alerta o médico, mencionando que mais da metade da população aos 50 anos morre por problemas como hipertensão arterial.

Fonte: HSM Online

O papel das lideranças na gestão da Saúde

O benefício Saúde representa um impacto médio de 8% a 10% na folha de pagamento das empresas. Pesquisas realizadas junto ao setor empresarial mostram que cerca de 50% das empresas tem na elevação dos custos do plano de saúde sua principal preocupação e buscam como alternativa a troca de operadora. Outra alternativa é a mudança do plano por outro de menor valor. Outro caminho tem sido a participação cada vez maior do colaborador no financiamento do benefício.

O que notamos é que passados 11 anos da regulamentação do Sistema de Saúde Suplementar, continuamos a assistir passivamente o aumento na utilização dos serviços com o conseqüente aumento dos custos do sistema, tanto para as empresas quanto para as operadoras.

Para qualquer organização é impossível não oferecer o benefício, ainda mais recentemente com a nova legislação que criou o Nexo Técnico Epidemiológico (NTEP) e o Fator Acidentário de Prevenção (FAP), normas que impactaram novos custos com a saúde dos colaboradores. Este cenário trás para a área de Recursos Humanos um enorme desafio na gestão do benefício Saúde nas organizações.

A grande maioria das empresas contrata junto as operadoras de Planos de Saúde, aqueles a serem disponibilizados aos seus colaboradores e acredita que terá nesta contratação a gestão da Saúde de sua população. Lamentavelmente esta não é a realidade.

Se fizermos uma retrospectiva nas tecnologias de gestão até então implementadas pelas operadoras (criação da auditoria médica a implantação de autorização prévia, centrais de regulação, co-participação, gerenciamento de crônicos e home care), o que vemos é que estas tecnologias acabam não produzindo os efeitos esperados. Elas simplesmente só  atuam após o usuário ter utilizado o sistema, ou seja, ter feito a consulta que é a porta de entrada do sistema.

Mais relevante é o motivo pelo qual se definiu pela implantação de tais tecnologias: redução de custos, ou seja, motivo Financeiro. Como o modelo de gestão até então adotado segue a lógica exclusivamente financeira, sem se preocupar com a gestão da Saúde, é mais do que compreensível que na prática estas tecnologias não funcionem. E por que é tão difícil mudar o modelo de gestão financeiro para gestão de saúde?

Em primeiro lugar porque as operadoras estão conseguindo repassar os aumentos de custos para as empresas contratantes, compensando inclusive os aumentos concedidos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para os planos individuais.

Na verdade o grande desafio para o Sistema Suplementar de Saúde está na Gestão, pois o atual modelo não agrega nenhum valor para as empresas e nem para seus colaboradores. Segundo o estrategista Michael Porter o objetivo certo para a assistência à saúde é aumentar o valor para os pacientes, ou seja, a qualidade dos resultados para o paciente em relação aos gastos efetuados. Minimizar custos é simplesmente o objetivo errado e levará a resultados contraproducentes. Na prática este é o cenário que temos assistido há décadas.

Para as empresas é estratégica a integração da gestão do benefício Saúde com a Saúde Ocupacional. Para tanto, a gestão de informações passa a ser fundamental. Infelizmente no setor da saúde não temos a cultura de gerar e principalmente compartilhar informações.

A única forma de agregarmos qualidade e valor ao Sistema de Saúde está no compromisso, que deve ser assumido por todos. Isto envolve a participação de sistemas de coleta de dados e informações a ser compartilhados pela sociedade como um todo, gerando desta maneira uma forma quase que compulsória de melhoria de qualidade e desempenho de todos os atores do sistema.

Outro desafio está em prover educação e promoção à Saúde aos usuários. Está mais do que comprovado que se disponibilizarmos o acesso a informações sobre Saúde, além dos aspectos educacionais estaremos orientando na utilização correta e responsável do sistema. Isso porque acontecerá uma redução de eventos desnecessários, com impactos positivos nos indicadores de Sistema de Saúde e a consequente redução de gastos e melhoria de qualidade de vida dos beneficiários. Mudanças são urgentes e necessárias e só dependem da vontade das pessoas.

Roberto Cury (Professor do Curso de MBA de Economia e Gestão em Saúde do Centro Paulista de Economia em Saúde da UNIFESP; médico Pediatra, Administrador de Sistemas de Saúde; Presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Performa e Coordenador do Instituto de Conhecimento, Ensino e Pesquisa do Hospital Samaritano-SP)

HSM Online 24/02/2010

Fernando Cembranelli

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