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Quem dá menos?

By 30 de março de 2020 Colunas, Mercado
Nas últimas semanas tornaram-se frequentes as notícias sobre a realização de testes para covid 19 com previsão de entrega (e precisão) cada vez menores.
Parece que nem mesmo agentes do setor público estão livres do apelo de certas manchetes. Em países como Espanha e República Tcheca, por exemplo, os governos compraram às pressas alguns testes rápidos da China para depois descobrir que eles apresentavam até 70% de erros no diagnósticos.
São muito pouco conhecidas do público geral as metodologias e técnicas utilizadas para que se realizem testes rápidos e confiáveis. A tendência natural é  que se criem enormes mal entendidos – e é justamente isso que vem acontecendo com relação a divulgação dos testes Point Of Care para o diagnóstico de corona vírus.
Toda semana anuncia-se nas redes sociais que alguém realiza o exame em menos tempo!
De dias a minutos!
De forma presencial ou remota!!
Com uso de inteligência artificial ou humana!!!
A partir de sangue ou swab!!!!
Tanto faz!!!!! Para alguns é tudo a mesma coisa.
É como se igualassem bolo de chocolate, torta de chocolate e brownie de chocolate.
Podem parecer coisas iguais visualmente e até mesmo o sabor talvez possa confundir um principiante num primeiro momento. Mas um chef experiente sabe que são doces diferentes, obtidos a partir de ingredientes diferentes e ao final de processamentos diferentes.
É simples.
No Brasil existem basicamente três testes de corona vírus, obtidos a partir de diferentes materiais de coleta após diferentes formas de processamento.
Testes feitos a partir de swab usando método PCR irão produzir diagnósticos precisos.
Testes rápidos feitos a partir de swab usando método de fluorescência irão indicar uma possibilidade de contágio.
Testes rápidos feitos a partir de sangue usando imunocromatografia irão produzir uma possibilidade de contágio.
Da mesma forma que ocorre com auto testes de fertilidade, após um primeiro resultado nos dois últimos casos, o paciente, preferencialmente, deverá ir até um laboratório para realizar um exame mais preciso.
São situações complementares.
Muita gente também tem questionado sobre a razão de testes Point of Care serem realizados em apenas 15 minutos, contra o prazo de alguns dias prometidos por laboratórios para realizarem o mesmo teste.
Qual a razão para tamanha diferença?
Ora. Em primeiro lugar não se trata do mesmo teste, como já vimos. De toda forma, imagine que sua avó leva 1 hora para preparar um bolo em sua cozinha doméstica enquanto uma fábrica leva 5 dias para preparar 5000 bolos em sua linha de produção.
Qual é a cozinha mais rápida?
Depende…
Se apenas uma pessoa decidir comer um bolo num determinado dia, certamente a melhor decisão (exclusivamente pelo critério de prazo) será ir para a cozinha artesanal da sua avó.
Mas se milhares de pessoas famintas precisam comer ao mesmo tempo para se manterem vivas…para onde elas deverão ir?
A resposta parece óbvia.
Enfim.
Existe uma confusão tremenda quando se fala sobre Point of Care na mídia não especializada. Trata-se de uma vertical crescente e que atualmente engloba desde TLR (testes laboratoriais remotos), até testes rápidos, passando por vários tipos de auto testes.
Cada qual com características específicas, objetivos específicos e requisitos regulatórios específicos.
É prudente  lembrar disso sempre que alguém aparecer falando de um novo Point of Care da mesma forma descompromissada que falaria sobre um novo modelo de smartphone.
Existe o risco de se criar um enorme telefone sem fio em torno dessa conversa.
Istvan Camargo

About Istvan Camargo

Istvan Camargo vem inovando na Saúde há mais de 10 anos. Atualmente é Head de Inovação do Grupo Sabin, mentor de startups no Supera Parque Tecnológico e membro de comitês de investimento de fundos de venture capital. Antes disso foi Chief Innovation Officer do GNDI, membro do comitê científico da Health 2.0 Latam e fundador de uma healthcare social network com a qual realizou projetos inovadores para laboratórios farmacêuticos, centros de pesquisa e programas de apoio a pacientes. Istvan é articulista pioneiro de transformação digital na saúde, escrevendo desde 2011 para os principais blogues e portais do país e já realizou +30 palestras sobre o tema em conferências como Social Media Week, Campus Party e Health 2.0 LATAM.