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Que dificuldades têm as mulheres empreendedoras do Vale do Silício?

By 15 de agosto de 2014 Mercado
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Em um relato anônimo à Forbes, uma CEO de uma startup significativa no Vale do Silício relatou como é o dia a dia das mulheres empreendedoras da Baía. A princípio, pensamos em uma população inovadora, com mente aberta para novas ideias e que entende a importância do relacionamento profissional no Vale, certo? Errado.

De acordo com este relato e com muitos outros, é visto que as mulheres empreendedoras da Califórnia passam por dias bastante complicados, sendo frequentemente desrespeitadas como profissionais e tendo que orientar a sua startup a esconder o gênero do CEO da empresa em reuniões externas.

Tal relato pode ser confirmado por histórias de outras empreendedoras, como Amanda Hess, Whitney Wolfe, Kathryn Minshew, Heidi Roizen e o que impressiona é que estas histórias parecem ser a regra e não a exceção.

Como uma região tão promissora pode ser tão retrógrada ao mesmo tempo? Em um ambiente de negócios, é tradicional que a maioria dos integrantes das empresas seja do sexo masculino por uma questão político-histórica, cujas peculiaridades já conhecemos.

Segundo esta CEO não identificada, as suas vestimentas devem ser cuidadosamente pensadas por ela todos os dias para que a imagem passada seja estritamente profissional, cabelos estão sempre presos e, com frequência, há um acompanhante masculino da empresa a acompanhando em eventos externos. Ela ainda recebeu comentários dizendo que uma empresa liderada por uma mulher era “uma piada“ e que isso “tirava o valor de uma empresa“.

Estes casos são especiais e delicados, porque elas não trabalham para nenhuma empresa, ou seja, não há uma equipe de RH para repreender o VC ou o parceiro profissional estratégico. Elas ainda se encontram em posição de necessidade de busca de financiamento, não podem simplesmente desistir, porque  a empresa depende destes esforços.

É de extrema importância a discussão deste tipo de tópico no Brasil, onde o cenário empreendedor ainda é pequeno, para que não haja situações como estas e que as mulheres empreendedoras brasileiras sejam respeitadas e julgadas com a competência que lhes cabe profissionalmente.

O que deve ser feito para que mulheres empreendedoras sejam mais respeitadas no cenário inovador?

Certamente, não devem ser criadas estratégias de isolamento, como fundos focados no sexo feminino ou com envio de representantes masculinos para reuniões. Precisamos de uma conversa franca sobre gênero, poder e respeito.

“Eu não dirijo minha empresa com minhas vestes ou meu cabelo, eu dirijo minha empresa com o que está dentro do meu crânio.“

O assunto está tão em voga que a Y Combinator postou em seu blog um aviso para os participantes.

“Don’t even think about doing it,” Jessica Livingston escreveu. “I will find out. Y Combinator will not continue to work with you.”, ou seja, “Nem pense nisso. Eu vou descobrir. A Y Combinator não vai mais trabalhar com você.“

Nathalia Nunes

About Nathalia Nunes

Fonoaudióloga formada pela FMUSP, com MBA em Economia e Gestão em Saúde na UNIFESP e apaixonada por comunicação, negócios e tecnologia em saúde. Na Live, trabalho com Marketing, Pesquisa e Conteúdo, tanto na produção de materiais editoriais e de pesquisa, quanto na difusão de temas e ações relacionados a negócios em saúde.

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