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Primeiro dia do 23º Congresso UNIDAS discute sobre as perspectivas, desafios e oportunidades para a saúde no Brasil

By 16 de novembro de 2020 Mercado

Evento acontece em formato híbrido com participação presencial restrita e transmissão ao vivo; número de inscritos somam mais de 2,6 mil

Nesta quarta-feira (11) iniciou-se o primeiro dia debates do 23º Congresso Internacional UNIDAS, que tem como tema central as novas perspectivas da saúde pós-2020. O evento acontece em formato híbrido, com transmissão ao vivo e participação presencial restrita na Casa de Campo do The Royal Palm Plaza, em Campinas, São Paulo, até o final desta semana.

O presidente da UNIDAS, Anderson Mendes, realizou a abertura oficial do evento e falou sobre o marco do formato. “Nós somos a primeira instituição de saúde a promover o congresso híbrido. É um formato que vai perdurar e consegue ser mais inclusivo para todos os colaboradores de todas as nossas filiadas, de forma gratuita. Temos recorde de participantes, com mais de 2.600 inscritos e recorde de palestrantes, incluindo nomes internacionais (Argentina, Bélgica, Holanda, Estados Unidos, Inglaterra, Israel e Portugal). Também contamos com instituições que foram curadoras dos nosso painéis, algo inédito”.

Anderson reforçou a importância das autogestões para o setor de saúde e necessidade de valorização delas. “O rol da ANS foi criado com base na cobertura das autogestões. As autogestões sempre foram referência no cuidado, prestando um serviço diferenciado dos demais planos. Se lá atrás fomos referência, hoje as autogestões não são reconhecidas da forma como gostaríamos que fosse. Somos pressionados pelas regras de mercado que estão sufocando nosso modelo de saúde, que atende especialmente um público que não teria condições de ter um plano de saúde. Nós temos um modelo que há a participação efetiva do beneficiário na gestão do seu plano e deveríamos ter sim um tratamento diferenciado”, afirmou o presidente da UNIDAS.

O médico e professor da FSP-USP, Gonzalo Vecina, iniciou o ciclo de palestras falando sobre o tema central das discussões: novas perspectivas da saúde: 2020 como divisor de águas. A moderação foi realizada por Izabella Pacheco, assessora de projetos na VIDA e membro do Conselho Deliberativo da UNIDAS.

Vecina falou um pouco sobre o panorama da pandemia, segunda onda, importância da proteção, medidas de higienização e segurança, cenário em alguns estados do Brasil e as expectativas em relação a vacina. “Viveremos o mesmo que estamos vivendo em 2021, mas não podemos deixar acontecer o mesmo que esse ano: a paralisação do sistema de saúde, atendendo quase que exclusivamente casos de coronavírus”.

De acordo com o professor, seguindo as medidas de segurança, é possível retomar o atendimento de quem está precisando, como é o caso de pessoas com doenças crônicas, neurológicas ou vasculares, por exemplo. “20% das pessoas morrem por problemas relacionados a câncer. 60% câncer diagnosticados precocemente, na maior parte dos tipos, tem alternativas terapêuticas. Precisamos retomar esses cuidados”, explicou.

Atrelado à discussão da retomada da assistência à saúde, Vecina ressalta a importância do Sistema Único de Saúde (SUS). “Mesmo com os planos de saúde, a sociedade não aguentaria sem o SUS. 95% dos transplantes são realizados pelo SUS. A Vigilância Sanitária também é do SUS. É ele, por exemplo, que vacina toda a população. Não adianta só uma autogestão vacinar”. O professor também falou sobre o atual desprezo pela cobertura vacinal, trazendo como exemplo a vacina do sarampo que, apesar de ser uma doença infantil, também passa para adultos, com probabilidade de se tornar uma encefalite.

De acordo com Vecina, é preciso um olhar atento para a assistência médica que está sendo feita no setor privado. Nós temos um modelo de acesso livre que está se tornando impagável. Consumir serviços de saúde não significa ter saúde. A integralidade é o grande problema do setor privado, que focou assistência médica diagnóstica e curativa e não se preocupou com o antes da doença. A saída para isso é a adoção de um Sistema de Atenção Primária”.

“Precisamos de uma porta de entrada que seja resolutiva, de boas práticas médicas que sejam baseadas em evidências, uma equipe que esteja focada no padrão de adoecimento dessa população, não só no médico, mas na enfermeira, na psicóloga, no nutricionista”, finaliza Vecina, afirmando que uma boa integração é o melhor caminho.

Talks – Perspectivas para a Saúde Suplementar

Em seguida, representantes de entidades relevantes da Saúde Suplementar reuniram-se para um bate-papo sobre as perspectivas do setor, as principais discussões, os avanços, os caminhos e os desafios. Entre os participantes do talk estavam Anderson Mendes, presidente da UNIDAS, que mediou a discussão; João Alceu, presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde); Reinaldo Scheibe, presidente da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), e Flaviano Feu Ventorim, vice-presidente da Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB).

O presidente da UNIDAS começou relembrando alguns temas como o Marco Legal da Saúde, Reforma Tributária – que tem impacto direto especialmente nas autogestões-, Incorporação de medicamentos/quimioterápicos orais, modelos de remuneração, entre outros.

João Alceu também fez uma breve retrospectiva com questões que foram discutidas desde a chegada da pandemia do Brasil, em março deste ano, como o confisco de leitos, queda nos procedimentos eletivos e a liquidez dos hospitais, inadimplência e cobertura pelas operadoras e a telemedicina, que ainda se aguarda um desfecho. “A telemedicina será um grande legado desse drama que vivemos chamado coronavírus. Foi um salto. Ela vai se consolidar. É um caminho sem volta, mais de 90% dos pacientes que usaram, aprovaram o serviço prestado”, acrescentou.

Reinaldo Scheibe também pontuou sobre a telemedicina, Lei Geral de Proteção de Dados, modelo de pagamento e Reforma Trabalhista e, especialmente, sobre as soluções que o mercado está oferecendo diante do cenário atual.

“Hoje, nós temos um contingente muito grande de pessoas que não tem plano de saúde. No Nordeste, a cobertura de plano de saúde é de 12%, no Centro-Oeste é de 21%. O mercado está crescendo e vai oferecer soluções neste sentido, como a telemedicina, para interiorizar a assistência médica. Se as pessoas não podem pagar um plano de saúde por questões sociais, por questões econômicas, o mercado está criando soluções, ele pode crescer, se desenvolver, oferecer consultas à distância, criar autogestões, por exemplo. Precisamos acabar com essa separação entre público e privado e dar acesso à saúde”, acrescenta.

Para finalizar, Flaviano Feu Ventorim, trouxe um pouco das dificuldades da rede hospitalar para garantir a sustentabilidade. “Nas cidades do interior, a sobrevivência dos hospitais ainda é uma questão muito importante. A saúde passou por uma evolução muito rápida e muitos hospitais não conseguiram acompanhar essas mudanças, além de manutenção e investimentos que esses hospitais não conseguiram fazer. Nós também questionamentos um pouco esse excesso de voracidade, isso tem um custo e alguém vai ter que pagar essa conta”.

Desafios e oportunidades das empresas de saúde pós-2020

Para finalizar o dia de discussões importantes para o setor de saúde, players relevantes discutiram as oportunidades das empresas de saúde pós-2020. Entre os participantes estavam o diretor-presidente substituto da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Rogério Scarabel; o diretor de Unidades Externas e Saúde Populacional do Sírio-Libanês, Fábio Petrus; o diretor médico da Prevent Senior, Pedro Batista Jr, e o presidente da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (CASSI), Dênis Corrêa. A moderação ficou por conta de Eli Melo Jr, diretor-presidente da EVIDA.

Dênis Corrêa começou trazendo dados da CASSI, que hoje representa 15% das vidas das autogestões e tem 26% da população idosa, além de falar sobre os desafios das autogestões e como eles atuaram com a carteira de beneficiários durante a pandemia. “Nós focamos ainda mais em conhecer a nossa população, em gestão populacional, e, partir disso, definimos as linhas para focar no cuidado”. O presidente da autogestão também reforçou a importância de cuidar da saúde e não da doença e da Atenção Primária à Saúde, prática da operadora, que se torna cada vez mais assertiva conforme a organização e gestão populacional fica mais efetiva.

“Se por um lado a pandemia trouxe muitos desafios, ela também acelerou processos importantes e trouxe maior preocupação com a saúde e com cuidado. As pessoas estão mais preocupadas com a prevenção e a telemedicina vem para nos ajudar nesse processo, mas ela é um meio, o que nós precisamos é engajar o beneficiário”, afirma o presidente da CASSI, que implementou a telemedicina para Covid-19 e tem mais de 95% de satisfação.

Na sequência, Pedro Batista também falou sobre a importância da gestão populacional. “Entendimento da população é algo que fazemos desde a nossa existência, é uma característica Prevent Senior. A informação também precisa estar integrada e ninguém se preocupou em fazer isso nos últimos anos. Temos uma fidelidade de informação, inclusive durante a pandemia, que são precisas. Estamos falando em aumento de casos na europa, mas não estamos falando no Brasil, que também está subindo. É nós, que temos um sistema consolidado, sabemos disso e estamos notificando”, acrescentou.

Fábio Petrus falou um pouco da experiência do Sírio-Líbanes com Atenção Primária somada a uma rede assistencial assertiva e resolutiva. “A expertise de atenção primária resolutiva somada a atenção secundária, tecnologia e inteligência, para coordenação do cuidado. É nesse espaço que estamos situados. Mas a Atenção Primária ainda é nova dentro mercado privado, não quando falamos em teoria, mas quando falamos na prática em resultados”.

Para finalizar, Rogério Scarabel falou um pouco sobre o papel da ANS, a importância do acesso à saúde, trabalho integrado e modelo sustentável para o setor, além dos avanços da telemedicina e da nova forma de se trabalhar, colaborativa e com uma gestão de co-criação. “A pandemia trouxe um diálogo e uma cooperação enorme entre as empresas, entidades e entre o setor de saúde suplementar para todos. A pandemia trouxe uma visão de saúde mais global e positiva para o sistema.”
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