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Por que os sistemas de saúde devem se preocupar com os determinantes sociais

By 28 de janeiro de 2020 Destaques, Eventos, Mercado, SBF

Independente do seu papel dentro da cadeia de saúde, os determinantes sociais de saúde são um componente crítico que não podem simplesmente ser ignorados. Em setembro de 2019, o Instituto de Pesquisa em Saúde da PwC divulgou o relatório de um estudo global sobre a urgência em se endereçar estes problemas que ameaçam os orçamentos tanto de países ricos como de países pobres.

O estudo mostra que embora vital, o atendimento clínico é responsável por apenas 20% da saúde de uma pessoa. Os outros 80% são atribuídos a comportamentos de saúde, ambiente físico e condições socioeconômicas. “Focamos muito no atendimento em saúde, mas os determinantes sociais que são fundamentais. Por isso que cada vez mais temos que estar preparados para focar nesses pontos. Mesmo em países mais maduros e com uma gestão integrada como EUA, Inglaterra e Austrália, somente 1/3 das pessoas relata ter sido engajada em alguma discussão sobre determinantes sociais”, reforça Eliane Kihara, partner na PwC.

As principais barreiras para ser mais saudável de acordo com os entrevistados são em 1º lugar não ter a quantidade suficiente de sono, em 2º lugar passar muito tempo utilizando tecnologia, como smartphones e mídias sociais, e em 3º lugar falta de motivação. Na África do Sul, uma grande operadora criou uma solução para enfrentar a falta de motivação. Através da carteirinha do plano é possível rastrear hábitos das pessoas, como frequentar uma academia ou suas compras de supermercado. Dessa forma, hábitos saudáveis geram pontos que funcionam como milhas e podem inclusive ser trocados por viagens, segundo Eliane.

Nos EUA, a startup Healthfy ajuda as organizações de saúde a encontrar parceiros e a se coordenar para abordar o tema. No Brasil, entretanto, Eliane desconhece iniciativas privadas neste sentido. “Hoje temos os programas governamentais do SUS. Abordar os determinantes envolve uma série de acessos que não está na alçada de quem faz a gestão de saúde [privada] hoje”, comenta.

Análises preditivas podem ser um caminho para iluminar áreas que se beneficiarão de intervenções. Eliane recomenda que, antes de mais nada, precisa-se entender quais dados serão necessários e qual a qualidade dos mesmos. Em um segundo momento, saber com quais parceiros serão necessárias interações, para desenhar como será feita a comunicação e a interoperabilidade das informações nesse conjunto de empresas. E um terceiro ponto, trata do engajamento do paciente neste ecossistema.

“No final do dia, o paciente que é o dono de toda essa informação. É importante saber como estou configurando ou criando essa relação de forma que o usuário se sinta incentivado a permitir que as informações dele sejam compartilhadas e quais informações no final ele quer receber de volta”, reforça Eliane e completa “Os pacientes sentem falta de analytics, eles sabem que o principal responsável pela saúde são eles mesmos. Só que ele gostaria de receber informações mais preditivas dizendo ‘olha, seu consumo de carboidrato foi superior ao limite, se você não reduzir isso a previsão de você ter diabetes em um ano é tanto’”.

Dentro deste ecossistema é primordial que seja definido o responsável pela interação com o paciente. “Pode parecer óbvia a resposta, mas não é!”, afirma Eliane. Ainda reforça que quanto melhor integrado for o ecossistema, maior a chance de convergir os interesses para a relação com o paciente, como por exemplo no caso de estruturas verticalizadas.

As economias produzidas a partir dos investimentos em enfrentar os determinantes sociais podem demorar a serem vistas. Segundo Eliane, quando existe a perspectiva de que o grupo de pessoas assistidas permanecerá o mesmo a longo prazo, há maior incentivo para o investimento. Um exemplo disso são as Accountable Care Organizations (ACOs) americanas que tem o objetivo de cuidar de uma população de determinada região a longo prazo.

Por fim, para se ter um plano bem-sucedido de abordagem de determinantes sociais é preciso transparência nas informações e credibilidade, de acordo com Eliane. Para ela, os fatores críticos de sucesso são identificar corretamente o grupo de pessoas que se quer atingir, determinar os objetivos e saber como medir os resultados.

Pamela Paschoa

About Pamela Paschoa

Farmacêutica pela Unicamp, atuou por 8 anos como farmacêutica clínica em instituições públicas e privadas. Foi tutora e preceptora de programas de residência multidisciplinar. Hoje atua na produção de conteúdo para portal Saúde Business e na curadoria dos eventos Hospitalar, Healthcare Innovation Show e Saúde Business Fórum.