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Por conta da COVID-19, redes próprias das operadoras não serão o diferencial competitivo em 2020

By 29 de abril de 2020 Colunas, Mercado

Sinistralidade Será Menor para Seguradora e Autogestão do que para Outras Operadoras em 2020

Fonte: Geografia Econômica da Saúde no Brasil

O ano de 2020 será totalmente atípico para o mercado da saúde em todos os sentidos, em especial para as Operadoras de Planos de Saúde:

·         Todas as epidemias de maior impacto no sistema de saúde não tiveram influência significativa na saúde suplementar;

·         Antes do ano 2000 saúde suplementar era restrita a um volume muito pequeno e elitizado da população;

·         As que ocorreram após 2020 não ofenderam os recursos mais caros, da alta complexidade;

·         O COVID-19 veio, ao mesmo tempo, consumir um dos recursos mais caros (UTI) e paralisar a rede assistencial de baixa complexidade (ambulatorial) … tudo que os atuários das operadoras de planos de saúde previram para 2020 deu muito errado !

Vamos ter operadoras com maior ou menor sinistralidade em função do COVID-19:

·         A previsão da sinistralidade foi sendo construída e ajustada ao longo dos anos por parâmetros que já dominamos;

·         Já há alguns anos em consultorias as previsões têm sido muito assertivas.

E os parâmetros são meio que unanimidades para qualquer tipo de operadora:

·         Nas aulas isso já faz parte do rol de “commodities”;

·         Mas a ANS e o CNES classificam as operadoras de formas diferentes, e ambas não são muito práticas para análises macroeconômicas;

·         Aqui vamos comentar 4 grupos de tipos delas: Seguradora, Medicina de Grupo, Autogestão e Cooperativa … vamos deixar as outras de lado porque, no caso delas, a análise é bem diferente da desenvolvida aqui.

(*) Todos os gráficos são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil – Edição 2020

O gráfico demonstra a distribuição percentual dos serviços de saúde próprios e terceirizados das operadoras de planos de saúde em 2019.

As redes próprias são muito pequenas em relação ao total por várias razões, sendo as principais:

·         Até há algum tempo as seguradoras não podiam ter redes próprias;

·         A maioria absoluta das operadoras são pequenas e não geram demanda suficiente para manter a ocupação plena dos serviços de saúde que necessitam;

·         Condições mercadológicas definem quando economicamente é viável manter um serviço próprio ou não … geralmente não.

Sempre que a equação viabiliza a criação de um serviço próprio, a operadora:

·         Se livra, pelo menos, da margem de lucro da mantenedora do serviço que lhe vende o serviço – isso pode compensar a ineficiência operacional dela para operar o serviço;

·         E transforma a maior parcela do custo da sinistralidade em fixo.

Ou seja, em condições normais de mercado o custo fixo da rede própria da operadora, no cálculo final da rentabilidade, acaba sendo menor que o desembolso variável.

Para se ter melhor noção de como as redes próprias são pequenas em relação ao total de serviços existentes no Brasil:

·         O gráfico demonstra a proporção entre a oferta de serviços para planos de saúde em comparação com as demais ofertas (SUS, Particular e Gratuidade);

·         Os dados que extraímos do CNES para tabular serviços próprios têm vieses que não vale a pena discutir aqui;

·         Mas os vieses não afetam significativamente quando a análise é marco econômica;

·         Temos algo em torno de 36 mil serviços próprios no Brasil.

Os gráficos a seguir permitem concluir que tendência de crescimento de unidades de planos de saúde em relação ao total não apresenta indícios de grande mudança de perfil no curto e médio prazo:

E os gráficos a seguir ilustram que a relação entre serviços de planos de saúde e os demais varia significativamente em cada região do Brasil:

Vemos que o impacto do COVID-19 na sinistralidade das operadoras em função da rede própria será muito diferente dependendo da região.

Para fechar o cenário recorremos ao gráfico que ilustra a relação entre o custo ambulatorial e de internações nas operadoras de planos de saúde – ressaltando que:

·         Os percentuais são calculados em relação à média de todas elas … mesclando seguradora, medicina de grupo, cooperativa e autogestão;

·         Parte delas se beneficia da coparticipação, ou seja, neste custo já está abatida a contribuição complementar do beneficiário;

·         Este custo mescla gastos de rede credenciada com rede própria.

Embora não sirva para avaliar performance individual de operadoras (para isso os dados deveriam ser estratificados pelo menos por tipo de operadora e modalidade de plano), serve como visão geral para uma análise macro econômica !

Por conta do COVID-19, em 2020 vamos observar:

·         Aumento no custo de internação em função do uso de UTI, e ao mesmo tempo queda no custo de internação em função da redução de procedimentos cirúrgicos eletivos;

·         Queda no custo ambulatorial em função da redução da maioria dos procedimentos eletivos durante a crise.

Adotando uma premissa conservadora:

·         O empenho de recursos com internação, poderá ficar na mesma proporção dos anos anteriores, ou menor, uma vez que o tratamento de pacientes COVID-19 em UTIs não demanda OPME, medicamento de alto custo e uso do bloco cirúrgico;

·         Mas o empenho de recursos em atendimento ambulatorial certamente vai reduzir. Todo eletivo postergado não se realizará em 2020.

Então, as operadoras:

·         Devem ter sinistralidade parecida com a que sempre tiveram em relação à série histórica de internação … ou menor dependendo da carteira de beneficiários;

·         Mas certamente terão sinistralidade muito menor em relação à série histórica ambulatorial, independentemente de qualquer outro fator.

Quanto menor a rede própria da operadora, menos ela vai pagar pelos serviços (ambulatorial, cirurgias eletivas …):

·         Aí se enquadram as seguradoras e a maioria das operadoras do tipo autogestão;

·         Ao final do ano certamente vamos observar uma sinistralidade bem menor do que a planejada;

·         E a queda deve ser significativamente menor para as seguradoras que têm carteira de beneficiários com média etária menor, fora do grupo principal de risco COVID-19.

Quanto maior a rede própria, maior a ociosidade dos serviços que possui:

·         Apesar de não haver demanda, o custo fixo continuará presente;

·         Aí se enquadram prioritariamente a maioria das operadoras do tipo medicina de grupo e cooperativa;

·         O custo dependerá muito do quanto a operadora contratualiza internamente a remuneração variável dos profissionais assistenciais … na maioria absoluta dos casos isso é muito pouco;

·         Ao final do ano até vamos observar uma sinistralidade menor do que a planejada, mas a variação do custo projetado será bem menor, por ser fixo.

E como vimos nos gráficos de distribuição geográfica das redes, a variação será significativa em cada “canto” do Brasil.

Somamos a isso o fato de que não é possível estimar qual o dano da queda de atividade econômica na carteira de beneficiários de planos de saúde:

·         É certo que teremos queda no volume de beneficiários da Saúde Suplementar Regulada em 2020, mas não é possível estimar a proporção;

·         Neste aspecto as operadoras do tipo autogestão terão impacto menor que as demais !

E concluímos, pelo exposto, que as operadoras do tipo seguradora e autogestão deverão ter resultados proporcionais melhores em 2020 em relação às demais !

Enio Salu

About Enio Salu

Histórico Acadêmico·  Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo·  Pós Graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo·  Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas·  Professor em Turmas de Pós Graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta·  Coordenador Adjunto do Curso de Pós Graduação em Administração Hospitalar da Fundação UnimedHistórico Profissional·  CEO da Escepti Consultoria e Treinamento·  Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas·  Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares·  CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor/Fundação Zerbini, e Superintendente da Furukawa·  Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação·  Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas·  Associado NCMA – National Contract Management Association·  Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde·  Autor de 12 livros pela Editora Manole, Editora Atheneu / FGV e Edições Própria·  Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado