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As Perspectivas da Atenção Primária

By 5 de agosto de 2014 Mercado
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É fato que a Atenção Primária/Básica é uma ferramenta para a promoção de saúde no seu sentido mais amplo, que não considera apenas a ausência de doença como um estado pleno de saúde.

Em estudo apoiado pela Commonwealth Fund, mostrou-se que as 11 nações envolvidas na análise (Austrália, Canadá, Holanda, EUA, França, Alemanha, Itália, Nova Zelândia, Suécia, Noruega e Reino Unido) estão buscando incrementar a qualidade e eficiência da saúde através da expansão da atenção primária e do incentivo a inovações, especialmente no cuidado a doentes crônicos.

Por aqui, a assistência básica vem melhorando lentamente, mas ainda há muito a ser feito – inclusive quando o assunto é reconhecimento. Grande parte da população brasileira conhece a função desses serviços, mas por estar habituada a consultas apenas com especialistas e com uma saúde mais curativa que preventiva, esse público dá pouca importância aos núcleos de saúde básica.

Nesse contexto, tanto entidades públicas como privadas têm oportunidades e razões para melhorar esse quadro. Quais são os pontos que acenam nessa direção?

CONTEXTO DEMOGRÁFICO NACIONAL

Há pressões para que a atenção básica passe a ser maior. O envelhecimento populacional e a ascensão de doenças crônicas fazem parte disso, pois exigem um acompanhamento mais frequente dos casos sem, às vezes, necessitarem de recursos de alta complexidade e mais caros.

Mas como tornar a saúde básica atrativa para a população pouco engajada nesse modelo? Além do clichê da educação (nunca é demais repetir), outra alternativa é dar uma nova roupagem ao serviço. Um exemplo vem dos EUA, com a Iora Health. A clínica propõe um atendimento mais dinâmico, voltado para o bem-estar do paciente desde a chegada do mesmo à recepção (mais detalhes na leitura rlyv.se/vRG).

A ATENÇÃO PRIMÁRIA REDUZ CUSTOS

Como a principal porta de entrada em vários sistemas de saúde no mundo, assim como deveria ser no nosso, a atenção primária auxilia na triagem de casos. Dessa forma, só são encaminhados a serviços de alta complexidade – e de maior custo – pacientes que realmente necessitam de tais cuidados. Isso evita visitas à emergência desnecessárias e que tiram vagas de pacientes mais graves, por exemplo.

Como comparativo, segundos dados da OCDE, havia em 2009 nos EUA 50% mais especialistas do que médicos de atenção primária. No Canadá, esse número era de 10% mais especialistas. A base do modelo canadense, voltado para a atenção básica, é uma das razões pelas quais o país gasta – per capta – bem menos que os EUA em saúde e, ainda por cima, entrega melhores indicadores e serviços mais acessíveis.

SATISFAÇÃO DO PACIENTE

Quando bem praticada, a atenção básica proporciona ao paciente uma assistência muito mais individualizada e frequente. Isso se explica pelo maior tempo dedicado ao atendimento – de consultas a visitas domiciliares – permitindo que tanto as equipes de saúde como o usuário ganhem intimidade um com o outro. Uma das principais queixas dos pacientes atualmente, a falta de empatia e humanização no cuidado, pode ser superada nesse tipo de atendimento.

DEMANDA POR TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO

O uso de prontuários eletrônicos (Eletronic Medical Records, ou EMRs) desde a atenção básica tornou-se imperativo para tornar a assistência mais eficiente. Uma das razões são os detalhes que a atenção primária proporciona a respeito de um paciente, afinal, o cuidado mais individualizado permite ao médico conhecer melhor o caso de quem procura atendimento, e assim, a descrição é muito mais precisa. Outro ponto: o uso de EMRs facilita o acesso à informação, pois o prontuário pode estar disponível para todos os níveis de assistência em tempo real.

Além da importância de tais prontuários, serviços que permitem ao profissional de saúde solicitar exames e checar resultados, realizar prescrições e ainda receber auxílio nas tomadas de decisão também são relevantes: há registro de cada etapa do atendimento e permite que a burocracia pese menos no sistema.

As últimas reformas realizadas em sistemas de saúde como os da Holanda, Austrália e Reino Unido abarcaram entre suas propostas o forte estímulo à adoção de tecnologia da informação. Fica a dica para o Brasil.

VALE LEMBRAR

Todo esse contexto não significa que serviços mais complexos devam ser preteridos: assistência básica e de alta complexidade são complementares, sendo ambas relevantes para o sucesso final de um sistema. De nada adianta especialização em excesso, muito menos só cuidados generalistas.

Por fim, é válido dizer: a Atenção Primária/Básica não é a panaceia dos problemas da saúde, mas sim, um importante recurso a ser adotado na busca de sistemas mais eficientes e de qualidade. No caso do Brasil, em qual sentido nosso modelo está sendo/será desenvolvido? A resposta cabe a nós, protagonistas da saúde.

José Eduardo Lima

About José Eduardo Lima

Acadêmico do 4º ano de Medicina na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP, é fã de neurologia, oftalmologia, empreendedorismo e gestão de organizações da saúde. Foi intercambista pelo programa Ciência sem Fronteiras no Leids Universitair Medisch Centrum (Leiden University, Holanda).

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