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Investidores de Tesla e SpaceX financiam startup de neurociência

By 24 de julho de 2018 Mercado

Na semana passada, a Verge Genomics arrecadou US$ 32 milhões em uma rodada de séria A liderada pela empresa de tecnologia DFJ, que já investiu em nomes como Tesla, Twitter e Skype. Também participaram do financiamento, o fundo de risco Wuxi AppTec, e Agent Capital, ALS Investment Fund, e OS Fund. Até o momento, a startup já arrecadou US$ 36 milhões.

Fundada em 2015, a empresa de São Francisco, tem como foco terapêutico desenvolver drogas que atingem alvos específicos, a partir de inteligência artificial e aprendizado de máquina, para doenças como a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) e Parkinson. O recurso será utilizado para desenvolvimento interno, o que evita depender de grandes farmacêuticas para gerar receita, e conseguir desenvolver independentemente seus candidatos mais promissores.

O mix de investidores se dá pelo posicionamento da empresa. Segundo Alice Zhang, CEO da Verge, eles estão no meio entre uma empresa de tecnologia e uma farmacêutica. Através de parcerias com organizações acadêmicas e governamentais, a Verge está construindo um banco de dados enorme. As amostras de tecido cerebral são obtidas de pacientes que morreram de doenças neurodegenerativas, sequenciadas e enviadas pera o algoritmo proprietário. O objetivo é extrair informações destes dados e determinar alvos promissores de drogas.

“A neurociência está pelo menos uma década atrás do câncer em termos de alavancar técnicas e dados computacionais”, diz Zhang. “Além do aprendizado de máquina, estamos passando por um renascimento em neurobiologia com avanços no sequenciamento de célula única e nossa compreensão dos circuitos do cérebro.”

Até agora, a Verge já identificou 22 novos alvos para a ELA, por exemplo, e após validação com testes in vitro e in vivo, eles reduziram a cerca de uma dúzia de compostos com resultados promissores. Zhang ainda destaca que a base de dados é especial por ser composta somente de dados humanos, ao contrário do modelo tradicional de descoberta de medicamentos que envolvem dados animais ou modelos pré-clinicos. “Muitas empresas não usam dados humanos até entrarem em testes clínicos, o que é a parte mais cara e arriscada do desenvolvimento de medicamentos”, disse ela. Isso permite que a empresa seja mais objetiva e precisa na previsão de quais compostos serão traduzidos em melhores resultados.

Zhang ainda conta que a empresa, composta por 14 pessoas, tem 10 PhDs em áreas como aprendizado de máquina, neurociência, desenvolvimento de medicamentos, matemática aplicada, biofísica e estatística. “Uma das razões pelas quais a aprendizagem de máquina e a inteligência artificial não tiveram mais tração na descoberta de medicamentos é porque existem silos entre o lado computacional e o lado da descoberta de medicamentos. É importante ter uma equipe integrada, lado a lado, para desenvolver um medicamento. ”

Empresas como a Novartis e a Intel também estão utilizando inteligência artificial e aprendizado de máquina para usar redes neurais profundas e reduzir drasticamente o tempo de análise de imagens microscópicas. A Sanofi e a GlaxoSmithKline são parceiras da startup de drogas britânicas Exscientia, enquanto a Pfizer tem um acordo para usar o IBM Watson em imuno-oncologia por dois anos.

Fernanda Fortuna

About Fernanda Fortuna

Engenheira Biomédica pela Universidade Federal do ABC, Fernanda passou um ano na Escócia estudando Engenharia Mecânica. Após retornar ao Brasil, emprendeu na área de robótica e reabilitação. Apaixonada por tecnologia e saúde, hoje atua na curadoria de conteúdo para os eventos Saúde Business Fórum, Hospitalar e Healthcare Innovation Show.

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