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Pandemia deteriora o mercado de trabalho na América Latina

By 25 de maio de 2020 Mercado

A OIT (Organização Internacional do Trabalho) e a CEPAL (Comissão Econômica para a America Latina e o Caribe), órgãos da ONU, acabam de divulgar o relatório conjunto “Coyuntura Laboral en América Latina y el Caribe. El trabajo en tiempos de pandemia: desafíos frente a La enfermedad por coronavirus (COVID-19)”.

O relatório não traz boas notícias: são esperados mais 11,5 milhões de desempregados até o final deste ano, levando esse número a 37,7 milhões na América Latina e a taxa de desemprego a 11,5% – no Brasil já é maior. Esse aumento é reflexo da queda do PIB neste ano, que deve chegar a 5,3% na região; é a pior queda desde 1930, quando da Grande Depressão.

Também se espera uma queda na qualidade do emprego, aumentando o número de trabalhadores informais, que já são 54% na região, concentrados entre a população mais vulnerável. Também haverá uma queda no volume de horas trabalhadas, atingindo cerca de 32 milhões de trabalhadores – é mais redução de renda.

Todos esses fatores farão a pobreza extrema aumentar em 2,6% e a pobreza moderada em 4,4% em relação a 2019; o Banco Mundial define pobreza extrema como viver com o equivalente a menos de um dólar por dia e pobreza moderada como viver com o equivalente a mais de um e menos de dois dólares por dia. Se isso acontecer, e é provável que aconteça, a pobreza afetaria 34,7% da população latino-americana (214,7 milhões) e a pobreza extrema 13% (83,4 milhões) – quase a metade da população total da região.

O relatório prevê um futuro difícil para o mercado de trabalho na área, com recuperação bastante lenta dos empregos perdidos, para o que são necessários investimentos visando aumentar a segurança dos trabalhadores e melhorar os níveis de educação e formação profissional.

Na apresentação do relatório, funcionários das Nações Unidas apontam que apesar de todos os problemas, a crise está começando a forjar mudanças no mundo do trabalho que serão permanentes, avançando-se em direção a um “normal melhor” com mais formalidade, equidade e diálogo.

Resta esperar que tenham razão nesse ponto.

Sobre o autor

Vivaldo José Breternitz é Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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