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Os inquéritos sorológicos e a rotina do novo normal

By 19 de outubro de 2020 Mercado

Estamos entre os países que menos fazem testes para a Covid-19. Levantamento recentemente divulgado Universidade de Oxford, no Reino Unido, mostra que o Brasil ocupa a desconfortável 50ª posição no ranking mundial de testagem. Estamos atrás de países vizinhos como Chile, Argentina e Peru.

Esse cenário é preocupante, pois o baixo volume de testes limita o monitoramento e conhecimento das autoridades de saúde sobre a soroprevalência da doença nos diversos grupos da população e nos deixa literalmente de “olhos vendados”.

Os testes disponíveis, sejam moleculares ou sorológicos, são ferramentas de auxílio à tomada de decisão e continuam passando por melhorias para que sua efetividade seja cada vez maior. Mas não há dúvida de que são essenciais para o combate à pandemia!

A aplicação dos testes é um consenso, seja para o diagnóstico nos pacientes sintomáticos, assintomáticos ou com sintomatologia leve – felizmente a maior parte dos infectados. São ainda essenciais para identificação de indivíduos que já desenvolveram algum tipo de anticorpo para a COVID-19.

Hoje, após mais de 150 dias do início do isolamento social, boa parte das pessoas está voltando ao trabalho presencial. Esse é um momento crucial, principalmente se levarmos em consideração que muitos países já estão vivendo uma segunda onda da COVID-19. Além da manutenção de todos os protocolos de segurança, é primordial o conhecimento sobre a velocidade com que o vírus está se espalhando na totalidade dos municípios brasileiros. E isso só pode ser feito com um amplo programa de testagem da população com o objetivo da contenção epidêmica e redução da transmissão da doença.

Há décadas atuando na área de diagnóstico laboratorial, tenho total segurança ao afirmar que esse mapeamento é necessário para apoiar a definição de políticas públicas com ações assertivas para controle e combate à infecção. Um bom exemplo é o que está sendo feito na cidade de São Paulo, onde a prefeitura anunciou que realizará cerca de 770 mil testes em todos os estudantes e professores da rede municipal de ensino para montar um censo sobre os índices de transmissão nesses grupos e assim acelerar o retorno às aulas presenciais, suspensas desde 23 de março.

Há também vários exemplos na iniciativa privada, que passou a utilizar a testagem em suas estratégias para retomada das atividades. Empresas como Jeep, Nestlé e Petrobras, por exemplo, estão usando os testes como protocolo de segurança no retorno de seus funcionários aos locais de trabalho. Além disso, em setores onde o retorno das atividades depende totalmente da confiança dos consumidores de que não correm risco de infecção, como é o caso do turismo e da aviação, a testagem já é uma estratégia para a retomada dos negócios. Entidades do setor defendem que a ampliação do número de testes para covid-19 em passageiros estimulará a reabertura das fronteiras, reduzindo o risco de importação do vírus para níveis aceitáveis pelas autoridades de saúde pública.

Em uma crise de saúde como esta que estamos vivendo, a medicina diagnóstica tem um papel de grande relevância, ajudando a guiar ações de saúde pública e as medidas de controle durante a pandemia, monitorando tendências e garantindo a efetividade das estratégias e intervenções adotadas pelas autoridades responsáveis.

Sobre o autor

O médico Wagner Maricondi é patologista clínico, fundador da WAMA Diagnóstica, empresa que é parte de um grupo com mais de 60 anos de experiência em diagnóstico laboratorial, atuando em todo território nacional e América do Sul .

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