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O que significa risco em medicina? [Novembro Azul]

By 4 de novembro de 2015 Colunas, Mercado
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A Organização de Mundial da Saúde classifica o consumo de carne processada (bacon, salsichas…) como carcinogênico. Estatisticamente, o consumo diário de 50g de carnes vermelhas processadas aumentou em 18% o risco de câncer de cólon e reto, ou seja, uma pessoa com risco médio de 3% de ter câncer de intestino grosso na sua vida, passa a ter 0,24% a mais. Para colocar em uma perspectiva, o cigarro aumenta em 4000% o risco de câncer de pulmão… Não que uma coisa inocente a outra… o objetivo aqui é fazer uma reflexão sobre o que significa risco em medicina.

O novembro azul também se presta para este debate. O senso comum diz que a melhor maneira de lidar com o câncer é fazer o diagnóstico e iniciar um tratamento agressivo o mais cedo possível. Essa crença faz com que as pessoas não se preocupem muito sobre quais os malefícios que um exame ou tratamento podem causar (overdiagnosis e overtreatment). Quando colocado em uma perspectiva científica crítica, o rastreamento com PSA de forma sistemática e não crítica não conseguiu reduzir a mortalidade do câncer de próstata. Um bela revisão da Cochrane convida a esta análise.

A informação do Novembro Azul deve se concentrar em definir como debater o tema com seu médico, identificar quem eventualmente pode e deve se beneficiar de investigação e fomentar soluções mais sustentáveis.

Evidente que cabe lembrar que existem várias variáveis não mensuráveis, por exemplo, o sofrimento subjetivo da experiência prévia de um familiar com câncer. Isso tudo mostra como medicina por ser uma áreas incertezas e das probabilidades. Navegamos em um oceano de milhares desfechos e decisões e cabe ao profissional de saúde – principalmente nestes tempo em que a relação médico paciente passou a ser mais horizontal em detrimento ao modelo vertical prévio de “médico manda paciente obedece” – ajudar o paciente e família a tomar a decisão mais acertada. As decisões passam pela visão critica da ciência e comunicação clara e disponível – obrigação do profissional da saúde.

Stephen Stefani

About Stephen Stefani

Médico oncologista. Especialista em Auditoria Médica. Professor de Farmacoeconomia da Fundação Unimed. Presidente do Capítulo Brasil daInternational Society of Pharmacoeconomics and Outcome Research (ISPOR). Preceptor da residência médica do Hospital do Câncer Mãe de Deus.

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