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O problema da Saúde no Brasil é a gestão ou o financiamento?

By 15 de fevereiro de 2015 Mercado
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O título relata um tema clássico de muita “conversa de bar” dos gestores em saúde. Com a publicação da Lei 13.097 que autoriza investimentos de capital estrangeiro em hospitais, o financiamento é o assunto quente do momento. É uma longa discussão, mas os otimistas acreditamos que será uma oportunidade boa para inovação e desenvolvimento no setor.

Mas e a gestão? A pesquisa “Promoção de saúde no Brasil, nossos hospitais relatam a realidade de 2014” realizada pela KPMG revela uma realidade que me deixou bastante assustada (e preocupada).

Menos da metade dos participantes conseguiram responder integralmente ao questionário e muitos sequer conseguiram participar do estudo por não terem as informações. Além disso, 23% afirmaram que só coletaram os dados para participarem da pesquisa. Mas que informações são essas que muitos hospitais não tinham?

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O estudo aborda o perfil da instituição (natureza jurídica, porte, acreditações, mão de obra),  produtividade (indicadores operacionais clássicos), comportamento financeiro (faturamento, fontes de receita) e termina com uma autoavaliação dos hospitais. São informações que todos gestor hospitalar deveria acompanhar paulatinamente.

Quanto à natureza jurídica, 41% se caracterizaram como privados, 18% como públicos e 41% não informaram. Dos participantes, 53% possuem algum selo de acreditação, sendo 75% certificados pela ONA. Ou seja, a amostra estudada possui um nível de excelência reconhecido nacionalmente.

Conforme o gráfico abaixo, nota-se que quanto maior o porte do hospital (e, provavelmente, maior a sua complexidade de gestão), menor a proporção de funcionários com curso superior).

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Os gráficos abaixo avaliam o crescimento dos hospitais com base no faturamento médio por porte nos anos de 2013 e de 2014. Quanto menor o porte do hospital, maior foi o crescimento do faturamento. Algumas hipóteses são: operação menor, com maior controle e acompanhamento por parte da gestão, estrutura especializada e profissionais mais qualificados (vide gráfico acima).

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O hospital pode ter uma única fonte de receita ou fontes diversas (somente SUS ou operadoras + privado, por exemplo). No grupo estudado, 44%  têm dua receita proveniente do SUS e 33% de operadoras de planos de saúde.

Nos indicadores operacionais apresentados abaixo, evidencia-se a necessidade de melhora de perfomance, como por exemplo coma média de espera superior a 3 dias para internação enquanto o leito já está liberado e ocioso.

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Mais uma vez, indicadores simples e fundamentais. E, apesar de 23% dos participantes só levantaram essas informações para participar da pesquisa e de 130 gestores nem participarem porque não tinham essas informações, na autoavaliação ninguém se identificou como ruim ou péssimo gestor. Pois é, 85,7% dos
participantes declararam que a gestão do seu hospital é boa ou muito boa.

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Eu sinto em discordar deles. Infelizmente, já passei por hospitais com perfil similar e não achei que eram bem administrados – pelo contrário. Acho muito difícil conduzir um hospital sem saber ou a fonte principal das receitas ou o faturamento ou a ociosidade dos recursos (leito, sala cirúrgica). E você, o que acha?

Gráficos: KPMG

Nathalia Nunes

About Nathalia Nunes

Fonoaudióloga formada pela FMUSP, com MBA em Economia e Gestão em Saúde na UNIFESP e apaixonada por comunicação, negócios e tecnologia em saúde. Na Live, trabalho com Marketing, Pesquisa e Conteúdo, tanto na produção de materiais editoriais e de pesquisa, quanto na difusão de temas e ações relacionados a negócios em saúde.

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