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O mercado de exames genéticos para consumidores

By 17 de fevereiro de 2020 Destaques, Mercado

O rápido avanço tecnológico nas últimas décadas tornou possível que os testes genéticos fossem realizados de maneira barata, rápida e direta pelos consumidores, o que antes estava totalmente sob domínio das instituições de saúde. Em 2018, um estudo realizado pela KPMG previu o crescimento de forma contínua do setor, antecipando que este mercado valeria mais de US$ 1 bilhão até 2020.

Apesar de atraente, não é um mercado isento de desafios. As constantes preocupações com a privacidade de dados, acurácia científica e o impacto psicológico nos consumidores exigem considerações cuidadosas.

No Brasil, o exame genético de ancestralidade já está disponível pela Genera desde 2014. Até o ano passado, as amostras eram analisadas nos EUA, mas em 2019 todo o processo foi internalizado, ou seja, tudo é feito aqui no país.

“Os algoritmos são nossos e desenvolvemos pensando na população brasileira – para separar melhor populações indígenas, populações africanas conforme imigração da escravidão”, afirma Ricardo Di Lazzaro, sócio fundador do Genera. Foram utilizadas dezenas de bancos de dados, quase 10 mil indivíduos espalhados pelo mundo que tiveram seus DNA mapeados que permitem com que o rastreamento aconteça.

São analisados 700 mil pontos de um total de 3 bilhões presentes no DNA humano. Com isso é possível dizer quanto de cada região no mundo está presente em cada pessoa.

Os dados genéticos podem ser considerados ainda mais sensíveis que outros dados de saúde, pois carregam não apenas nossas informações, mas de toda nossa família e filhos. Para protegê-los, uma série de protocolos de segurança são utilizados: criptografia, servidores seguros e tempo limitado de armazenamento. Quando o serviço de encontrar parentes é solicitado, porém, não é prevista anonimização dos dados, uma vez que precisam estar disponíveis para rastrear o familiar.

Assim como em outras empresas, os exames realizados pelo laboratório não necessitam de prescrição médica no Brasil. “Não temos como objetivo em nenhum desses exames o diagnóstico. Nem queremos!”, explica Ricardo. Os resultados trazem algumas propensões ligadas à saúde e buscam trazer insights e estimular o cuidado pessoal. “Não queremos que uma simples plataforma substitua um profissional da saúde, queremos que isso seja uma ferramenta a mais para o profissional”, diz Ricardo.

Apesar de questões éticas, empresas estrangeiras já realizam parcerias com indústrias farmacêuticas com finalidade de desenvolver tratamentos personalizados. Para Ricardo, a decisão de compartilhamento dos dados cabe à pessoa e à sociedade, via LGPD. No momento, a Genera afirma não ter interesse em desenvolver fármacos ou auxiliar indústrias farmacêuticas com dados genéticos.

Hoje os testes já são acessíveis a qualquer pessoa disposta a pagar por eles. Informações sobre ancestralidade, saúde, farmacogenômica, condicionamento físico e nutrição podem ser adquiridas facilmente, empoderando cada vez mais o consumidor final com seus próprios dados.

Pamela Paschoa

About Pamela Paschoa

Farmacêutica pela Unicamp, atuou por 8 anos como farmacêutica clínica em instituições públicas e privadas. Foi tutora e preceptora de programas de residência multidisciplinar. Hoje atua na produção de conteúdo para portal Saúde Business e na curadoria dos eventos Hospitalar, Healthcare Innovation Show e Saúde Business Fórum.