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Número de empregos no setor de saúde cresce 3,4%

By 21 de janeiro de 2020 Mercado

Para Superintendente de hospital oncológico, por mais que tecnologias nos procedimentos tenham chegado para ficar, elas não minimizam importância do trabalho humano

Relatório de Emprego da Cadeia Produtiva da Saúde, divulgado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), revela, em sua primeira edição, que os empregos formais na cadeia produtiva da saúde, englobando os setores público e privado, somaram 5,1 milhões no último mês de agosto, o que constitui uma marca inédita no país. De acordo com o levantamento, o número de postos de trabalho no setor aumentou 3,4% entre agosto de 2018 e igual mês de 2019, resultando em 3,6 milhões de trabalhadores com carteira assinada na iniciativa privada e 1,5 milhão de estatutários na saúde pública.  No mesmo período, o total de postos de trabalho na economia avançou 1,1%. Descontando os empregos da saúde, o incremento foi de 0,8%.

Para o economista Alex Taciano Müller, que atua como Superintendente do Cetus Oncologia, hospital dia especializado em tratamento oncológico com sede em Betim e unidades em Belo Horizonte e Contagem, existem uma série de fatores que contribuíram para essa conquista inédita. O primeiro deles está atrelado às novas tecnologias na área de saúde, que não se referem apenas à máquinas e equipamentos, mas também a novos tratamentos, capazes de aumentar a expectativa de vida dos pacientes. “Com as novas intervenções, o interesse de profissionais pela área de saúde acaba sendo, naturalmente, ampliado”, explica Müller acrescentando também que o próprio envelhecimento da população brasileira torna essencial a criação de postos de trabalho no segmento. “A expectativa, segundo o IBGE, é que até 2060 a população com mais de 60 anos dobre de tamanho e atinja 32% do total dos brasileiros. Em 2018 esse indicador estava em 13%”, pontua.

Outro motivo que o superintendente do Cetus evidencia para justificar o “boom” nos postos de trabalho na saúde é a própria mão de obra intensiva do setor. Segundo ele, por mais que as tecnologias nos procedimentos tenham chegado para ficar, elas não minimizam a importância do trabalho humano. “Hoje o que está em destaque na área é, inclusive, o atendimento humanizado e a atenção voltada ao paciente, o que vai demandar o trabalho de pessoal cada vez mais qualificado”, ressalta.

Ainda de acordo com Alex, as especializações tem papel importante na conquista de mão de obra do setor. “O geneticista, por exemplo, pode trabalhar ao lado do oncologista mapeando o DNA do paciente, de modo que ele faça um tratamento preventivo antecipado do câncer. Isso é o que chamamos de medicina preventiva, ou seja, mais um leque de trabalho que se abre”.

Por fim, mas não menos importante, o especialista ressalta o fato dos próprios profissionais terem adquirido know-how na gestão de um mercado cada vez mais complexo e, consequentemente, subsídios para combater os períodos de crise. “Há 20 anos, o setor de saúde era administrado praticamente por médicos. Estes, porém, não tinham tantas expertises [em gerir]. Movidos pelo jargão de que a vida não tem preço, tudo era feito sem controle”. Com o passar do tempo, porém, Müller pontua que esses profissionais foram descobrindo que apesar da vida não ter preço, ela tem custo. Sendo assim, as organizações de saúde que não priorizam uma boa gestão financeira, certamente não sobrevivem. “Isso fez com que os médicos gestores buscassem a profissionalização. Foi neste contexto que surgiram vários cursos de MBA e Gestão de Saúde, o que foi fundamental para aumentar a produtividade, melhorar os processos, diminuir o desperdício e, assim, permitir que o setor fugisse dos momentos de recessão ou passasse por eles com mais perspicácia”.

Por outro lado, o maior desafio do economista para o futuro do setor é, justamente, que todos os profissionais continuem preparados e cada vez mais capacitados para atender ao público crescente que está por vir nos próximos anos. “É preciso investir em pesquisa, afinal sem ela o avanço dos processos e da própria medicina em si, torna-se inviável”, finaliza.

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