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Fórmula Inovadora para o Nordeste (Parte I)

Atualmente, com todos os desafios que enfrentamos para gerir essa quantidade abundante de informação que nos rodeia, além das prospecções de crescimento global para os países em desenvolvimento, como é inclusive o caso do Brasil, torna-se inegável assumir que vivemos em tempos decisivos. Tempos nos quais devemos nos preocupar não apenas em como obter ferramentas tangíveis, mas, principalmente as intangíveis para desenvolver atividades empreendedoras e transformadoras da sociedade. Segundo a Organização Mundial das Nações (ONU), para o ano de 2050 o número de indivíduos no mundo poderá atingir a casa dos 9 bilhões.

Nesse sentido, como profissional da saúde, acredito que esta área mereça nossa especial atenção por dois motivos:

  1. a necessidade futura por alimentos e medicamentos em proporções consideráveis e com qualidades imprescindíveis para o uso correto e eficiente de consumidores (principalmente idosos), além, é claro, de favorecer o uso racional dos recursos naturais disponíveis.
  2. a necessidade por desenvolver estratégias capazes de favorecer e estimular a participação dos profissionais da saúde em atividades empreendedoras e capazes de transformar o conhecimento adquirido em riquezas e benefícios.

O primeiro motivo nos parece bastante óbvio, enquanto que o segundo talvez possa parecer para alguns como um despropósito ímpar. De toda maneira, em entrevista recente o economista Tamer Cavusgil, da Georgia State University, nos alerta sobre a necessidade urgente do Brasil em criar uma geração de empreendedores.

O fato é que, como outros colunistas aqui já apontaram, a maioria dos futuros profissionais da saúde se encontra absorta em um extenso conjunto de atividades teórico-práticas necessárias para a formação profissional, mas que não são orientadas ao empreendedorismo, como pode ser observado nas demais áreas do conhecimento como, por exemplo, na área de humanas (administração, comunicação, direito, etc.).

Apesar disso, com certo otimismo e sem querer ser injusto com ninguém, acredito que muitos profissionais da saúde são empreendedores natos, afinal de contas, além de dar conta de todo o conteúdo teórico, eles têm que se articular e se organizar administrativa e logisticamente durante praticamente todo o curso para adquirir os conhecimentos práticos da futura profissão por meio de material didático relativamente caro, além de equipamentos e espaço físico adequado, como se espera que sejam os ambulatórios, laboratórios e hospitais preparados com todo o material mínimo necessário e em perfeito funcionamento.

Além disso, com a agenda cheia e ocupada geralmente durante os dois turnos (matutino e vespertino), eles têm reduzidos ainda mais as oportunidades e o tempo para interagir com o simulacro do mundo real, que engloba as relações humanas próprias do mercado e do ambiente de trabalho empresarial. Claro que existem os estágios, mas se fizermos as contas veremos que a qualidade e o tempo de interação sempre serão em proporções menores, talvez insuficientes até, se compararmos com as outras áreas que citamos acima.

Além de disso, com poucas exceções, a maioria dos alunos de saúde que termina a graduação entra na rotina da pós-graduação para se aprofundar nos conhecimentos científicos da área, continua sem apresentar nenhuma visão de mercado e das relações reais de trabalho, digo, além dos limites da própria Universidade. Existem outros fatores por trás, mas esse fato pode influenciar bastante até na maneira de como algumas pesquisas são realizadas dentro de boa parte das universidades públicas brasileiras. Uma boa parte delas não apresenta aplicabilidade mercadológica decisiva.

Felizmente, o número de depósitos de patentes nacionais no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) tem aumentado em ritmo acelerado a partir de 2002, ainda que a elaboração de patentes não garanta por si só a geração de riquezas, é preciso tirá-las do papel e gerar produtos ou serviços. Ainda assim, essa tímida produção de patentes está longe de se aproximar da situação de países como EUA, Israel, Singapura, China, Japão e Coréia do Sul, como mostra o gráfico abaixo. Esses países inclusive solicitam cada vez mais pedidos internacionais de patentes aqui no Brasil.

 Além da lentidão para aprovar as solicitações que são depositadas no INPI (entre 18 a 30 meses de análise), apesar das recentes contratações de mais funcionários técnicos, outra razão para esse quadro deficiente de patentes talvez seja a forma de como a produção acadêmica aqui no Brasil é praticada. Infelizmente a publicação seriada de artigos científicos (no melhor estilo Charlie Chaplin em Tempos Modernos) continua sendo erroneamente estimulada por um sistema de avaliação de desempenho que é realizado e exigido pelos próprios órgãos financiadores da pesquisa (CAPES e CNPq) na maioria das universidades públicas.

Como resultado, o aspecto dos gráficos sobre o ritmo de publicações brasileiras em periódicos científicos na área da saúde (Health Professions), obtido com ajuda do aplicativo da SCImago Journal & Country Rank, não poderia ser diferente. Nele podemos ver que a partir de 2006 o Brasil registrou uma produção acelerada de publicações ao ponto de ultrapassar países extremamente inovadores e com excelente suporte para PD&I como Israel, Cingapura e Coréia do Sul, inclusive se tornando líder na America Latina a partir de 2002. Só no ano de 2010 foram registradas 429 publicações científicas no Brasil. A produção de artigos científicos e patentes de maneira aplicada e orientada ao mercado, fazendo uma analogia ao Sistema Toyota de Produção, pode ser observada aqui no país sim, porém de maneira ainda bastante pontual. Aliás, a primeira patente de uma universidade brasileira (UNICAMP) de que se tem noticia, segundo a Revista Época, é de 1989.

Infelizmente, cientistas da área biomédica não podem desenvolver protótipos ou invenções ludicamente como faz o Professor Pardal (célebre personagem de Walt Disney) dentro de sua própria garagem ou de seu próprio quarto como, inclusive, pode resultar prolífico e extraordinário para a turma da informática, da engenharia elétrica ou mecânica. Caso contrário, imagine, como seria os vizinhos reclamando do cheiro irritante de solventes ou até mesmo se assustando com a visita assídua de roedores albinos ou símios peludos invadindo sua cozinha em busca de alimentos? Ou quem sabe aquela vizinha desesperada chamando o corpo de bombeiros por conta de uma explosão acidental, já que o intrépido vizinho armazenava de forma irresponsável (senão ilegal) algum produto inflamável na garagem?

Leia a segunda parte do texto AQUI

João Fhilype Andrade Souto Maior

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