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Mercado da finitude movimenta R$ 7 bilhões no Brasil

By 22 de junho de 2020 Destaques, Mercado
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No Brasil, o Mercado da Finitude movimenta R$ 7 bilhões anualmente, de acordo com o Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (Sincep). Com potencial de crescimento, apoiado sobretudo por novas tecnologias, a novidade do setor, no país, é a agetech Janno, startup fundada por Layla Vallias e Uri Levin. Nos Estados Unidos, esse mercado movimentará US$ 20 bilhões em 2020; em 2027, a estimativa é chegar aos US$ 42 bilhões, de acordo com Absolute Markets Insights.

Embora não conste nas teses dos fundos de investimento ou entre as tendências globais de consumo, o Mercado da Finitude movimenta no mundo, anualmente, bilhões com produtos e serviços para diferentes etapas do fim da vida. De acordo o Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (Sincep), o setor fatura no país R$ 7 bilhões; nos Estados Unidos, em 2020, o faturamento será de US$ 20 bilhões – de acordo com Absolute Markets Insights, que projeta que esse mercado chegará a US$ 42 bilhões em 2027. Com um potencial de crescimento, uma novidade nacional é a Janno, uma startup agetech fundada pelos jovens empreendedores Layla Vallias e Uri Levin.

Fundada em novembro de 2019, a Janno tem o objetivo de apoiar os brasileiros com mais de 50 anos no planejamento de final de vida, garantindo a dignidade e independência da pessoa até os últimos dias. A empresa opera com uma plataforma que guia o usuário no planejamento da finitude, permitindo identificar lacunas no plano atual, fazendo sugestões para como tornar esse plano mais completo e permitindo que o cliente defina quais informações do plano poderão ser compartilhadas com pessoas de confiança, podendo escolher também o momento em que essa pessoa receberá acesso à essa informação.

A startup oferece uma infraestrutura de segurança com várias camadas de proteção, servidores distribuídos e acesso via computador, tablet ou celular. Com base em uma plataforma, a solução permite ao usuário organizar suas informações e documentos mais importantes – a salvo de ataques, vazamentos ou perdas com o mais alto nível de cibersegurança disponível – para o planejamento da finitude: testamento, apólices de seguro, contratos de assistência médica, contas digitais, entre outros.

Segundo Layla Vallias – especialista em Economia Prateada e em negócios focados na longevidade – é preciso falar sobre a morte. De acordo com estudo do Sindicato dos Cemitérios e Crematórios (SINCEP), 87% dos brasileiros não se sentem preparados para lidar com a finitude. A pesquisa Plano de Vida & Legado – conduzida pela empresa para avaliar a percepção que o brasileiro tem da própria morte – aponta que sete em cada 10 brasileiros consideram a morte um tabu. “Embora seja um tema frequentemente abordado pelas religiões e artes, esse assunto não chega facilmente à mesa do jantar. Ao ser administrada com um distanciamento emocional e de forma prática, a morte passou a ser tratada apenas no ambiente hospitalar. No Vale do Silício, por exemplo, há quem queira matar a morte em busca da imortalidade. Na minha visão, colocar o assunto embaixo do tapete não está nos ajudando”, afirma.

Na análise da empreendedora, “somos um dos piores países para se morrer: no ranking Qualidade da Morte, conduzido pela Economist Intelligence Unit, o país ocupa a 42ª posição entre 80 países”, salienta.  No cotidiano, 74% dos brasileiros não falam sobre a morte. Quando a ameaça à vida ganha proporções globais e palpáveis – como temos visto nesta pandemia – o assunto é ainda mais urgente. “Mas, é importante lembrar que falar sobre finitude não se trata de abordar somente o luto, a perda, a saudade. Planejar a finitude é, acima de tudo, assegurar a liberdade de tomar as próprias decisões e honrar o legado”, afirma Layla.

Segundo Uri Levin, cofundador da Janno e um dos coordenadores da pesquisa Plano de Vida & Legado, planejar e organizar os documentos mais importantes da vida é essencial para auxiliar a família a lidar, com o mínimo de estresse, com questões como heranças, dívidas e outras pendências. “Sete em cada 10 brasileiros 45+ acreditam ser importante organizar documentos, testamento e plano funeral, mas apenas três já começaram efetivamente esse planejamento”, afirma. Segundo Levin, entre os que buscam informações sobre o planejamento de final de vida, 34% recorrem a familiares; 25% a profissionais da área; 25% a internet; e 8% a empresas especializadas.

Sobre o potencial do mercado nacional, Layla Vallias e Uri Levin remetem aos dados levantados pela pesquisa, que aponta que embora 77% dos brasileiros conheçam os seguros de vida, somente 35% possuem. Outros documentos como testamento, plano funerário, lista de beneficiários, procuração para cuidados de saúde, testamento vital, mandato, fundo fiduciário, diretivas antecipadas são conhecidos por, respectivamente, 65%, 65%, 61%, 35%, 27%, 17%,16%, 10%, 8% e 8% dos entrevistados. Entretanto, somente 6% fizeram testamento; 22% têm plano funerário; 9% têm lista de beneficiários organizada; 1% fez procuração para cuidados com a saúde; 2% possuem testamento vital; 1% tem mandato; 2% providenciaram diretivas antecipadas; e nenhum dos entrevistados conta com fundo fiduciário.

Entre as startups que têm trabalhado com a temática no mundo, os empreendedores citam a Next Japan (Japão) – serviço que organiza, limpa e separa as roupas e objetos na casa da pessoa falecida, em especial, no caso de quem morava sozinho –; e as norte-americanas Cake (aplicativo que ajuda os usuários a comunicarem seus últimos desejos a entes queridos, médicos e advogados) e o Endwell Project (movimento que está ressignificando a experiência da morte por meio de conteúdo qualificado).

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