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Medicina e mercado: reumatologia

By 6 de dezembro de 2019 Mercado

Custos elevados, muitas pesquisas e tratamento tardio, este é o cenário da medicina reumatológica no Brasil

Os gastos do SUS e dos convênios com o tratamento de patologias reumáticas são exorbitantes, principalmente aquelas que são consideradas imunoinflamatórias.

O que encarece o mercado da medicina reumatológica? Segundo Dr. Jayme Fogagnolo Cobra, diretor da Clínica de Reumatologia Prof. Dr. Castor Jordão Cobra, que completa 75 anos de atendimento aos pacientes e estudos na área, é a busca necessária e incessante por novas tecnologias e remédios. O especialista na enfermidade ressalta que:

“Entre as 5 marcas de medicamentos que representam os maiores faturamentos, na indústria farmacêutica no mundo, 4 são fármacos imunobiológicos para o tratamento das doenças inflamatórias como artrite reumatoide, espondilite anquilosante e artrite psoriática”.

Ou seja, as substâncias utilizadas para a medicação de patologias imunoinflamatórias representam cerca de 25% de todo o custo de fármacos de alta complexidade do SUS. Cada paciente em tratamento com estes remédios pode custar de R$ 15.000,00 a mais de R$ 50.000,00/ano. E, provavelmente, os custos para os convênios são maiores ainda.

Com valores tão altos, fica claro que alguma medida precisa ser tomada, e o Dr. Jayme Fogagnolo Cobra entende este processo a partir do estudo RETRO, do qual ele e sua equipe participaram na Alemanha.

“Publicado em 2018, mostrou que o custo anual do tratamento de um subgrupo de 41 doentes com artrite reumatoide em remissão completa e sustentada por mais de 1 ano, era mais de 370.000 euros. Esses pacientes foram submetidos a reduções progressivas das doses dos remédios (biológicos e/ou sintéticos) e mantiveram-se em remissão. A redução de custo alcançada foi de quase 220.000 euros por ano, ou seja, redução de quase 60% do custo anual de tratamento.”

Tanto estes estudos, como outros em que o doutor teve acesso, demonstraram que quanto mais precoce o diagnóstico, o início do tratamento, e o controle completo da doença, maior é a probabilidade de se reduzir as doses dos fármacos sem reativar a enfermidade nesse processo.

Neste contexto, ainda estão os medicamentos genéricos, que não funcionam da mesma forma que o sintético. Quando consideramos os imunobiológicos, a única possibilidade é de um medicamento biossimilar. Isso porque não há como copiar a mesma linhagem de células que produzem o imunobiológico original. O mercado disponibiliza alguns biossimilares e há estudos pelo mundo que demonstram sua eficiência, além de existir a tendência de se tornarem mais econômicos.

As despesas com o tratamento das doenças imunoinflamatórias tem aumentado absurdamente nas últimas décadas. Esses valores, erroneamente chamados de custos “médicos”, não são do médico, mas sim, de fato, secundários à incorporação de novas tecnologias, que são bem-vindas e muitas vezes necessárias, mas que devem ser consideradas muito criteriosamente, levando-se em conta todo o contexto do setor de saúde tanto público como suplementar.

No sentido mercadológico do universo da reumatologia, o Dr. Jayme Fogagnolo Cobra deixa claro que é necessária muita atenção.

“Temos muito o que refletir e agir, para chegar às soluções que de fato possa resolver o crescimento dos custos no tratamento e manejo dos doentes com patologias imunoinflamatórias, custos esses que caminham em direção da insustentabilidade, já que tratamos de doentes com doenças crônicas, mas que podem manter o controle adequado de suas doenças de maneira sustentável para o setor de saúde pública e suplementar no Brasil. ”

Sobre o autor

Jayme Fogagnolo Cobra é formado em medicina, com residência e mestrado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (1999). Trabalha no consultório da família desde o período da graduação e, ao longo de sua carreira, trabalhou na gestão e direção de grandes hospitais de São Paulo. Há cerca de 10 anos, Jayme ampliou o serviço de reumatologia prestado pela família para além da clínica particular. Hoje, ao lado de sua esposa Camille Pinto Figueiredo, ele lidera um grupo de mais de 40 médicos que atuam em 8 hospitais de São Paulo, ABC Paulista e Santos, realizando mais 6 mil atendimentos por mês.

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