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Entenda os IPOs da Hapvida e da NotreDame Intermédica

By 28 de abril de 2018 Mercado

Respectivamente, o Grupo NotreDame Intermédica (GNDI3) e o Sistema Hapvida (HAPV3), abriram oferta de IPO na última semana deste mês. Ambas foram recebidas pela B3 no segmento de Novo Mercado. Segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Hapvida precificou suas ações em R$ 23,50 por ação e a Notredame Intermédica, R$ 16,50 por ação. Se as duas empresas saírem no ponto médio da faixa, a Hapvida valerá quase R$ 16 bilhões na Bolsa, e a Intermédica, R$ 7,8 bilhões.

Para se ter uma ideia, se um investidor tivesse apostado R$ 1 milhão em ações em cada uma das duas empresas no IPO e vendido os papeis logo na abertura de seus pregões de estreia, ele embolsaria R$ 227 mil com a movimentação da NotreDame e R$ 169 mil com a Hapvida. A jogada renderia quase R$ 400 mil de lucro.

As estreias das operadoras de saúde tiveram uma valorização dos papéis em cerca de 20% e chamou atenção dos estrangeiros para o setor suplementar de saúde brasileiro. Cerca de 75% dos investidores da NotreDame Intermédica são estrangeiros.

O sucesso na estreia pode ser explicado pelo setor de atuação das empresas. A saúde possui alta resiliência em momentos de crise, pulverização e amplo espaço para suas atividades em consequencia do transbordamento de demanda dos serviços públicos de saúde no Brasil.

Além da abertura de capital no mesmo período, outra semelhança é o modelo de negócio das operadoras. As duas operam através de verticalização. A estratégia é caracterizada pela rede integrada com hospitais próprios, que proporciona baixa sinistralidade e margens elevadas. Na visão dos investidores, isso pode ser uma vantagem no gerenciamento dos custos, controle de inflação e reajustes.

No ano passado, a NotreDame obteve lucro de R$ 393,6 milhões, uma margem de 13,4%, já o lucro da Hapvida foi de R$ 650,6 milhões, com margem de 21,4%. Hoje, a Hapvida tem um índice de internações em hospitais próprios de 96% e uma sinistralidade de 60%, uma marca 35% melhor que a média do mercado.

A Hapvida, fundada em 1979 em Fortaleza, é líder na região Norte e Nordeste do país com 3,8 milhões de beneficiários e ainda mantem o controle familiar, cerca de 75%. De acordo com a B3, a demanda inicial por ações da empresa foi quase 7 vezes maior do que a oferta, batendo o recorde de procura dos últimos cinco anos da Bolsa.

A empresa afirma que o êxito é devido a rígidos protocolos, como a obrigatoriedade de consultar um clínico geral antes de um especialista e integração de informação de exames e consultas dos beneficiários em um prontuário eletrônico.

Segundo o presidente da Hapvida, Jorge Pinheiro, com o giro de R$ 3,4 bilhões, a operadora verticalizada planeja expandir o seu negócio para a regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste através de aquisições, devido a pulverização do setor, investimento em tecnologias e melhora no serviço de atendimento.

Na NotreDame, a demanda superou em cinco vezes o volume de ações ofertadas e os controladores da empresa planejam movimentar R$ 2,7 bilhões com o IPO. De acordo com o CEO do Grupo NotreDame Intermédica, Irlau Machado Filho, a abertura de IPO foi um enorme passo na direção da missão da empresa de tornar a saúde de qualidade acessível para os brasileiros. “Desde a chegada da Bain Capital, traçamos um ambicioso plano de aquisições e maciço investimento em rede própria de atendimento. Neste período, reestruturamos nosso portfólio de produtos, reformamos hospitais e Centros Clínicos, qualificamos a nossa Rede Hospitalar, reposicionamos a nossa marca e revolucionamos nossa estratégia comercial. Isso permitiu triplicarmos de tamanho nos últimos quatro anos. Crescemos muito, mas de maneira sustentável e sem perder de vista a qualidade de nossos serviços.”

A empresa atende 3,6 milhões de beneficiários e realiza 60% de seus atendimentos em rede própria, ou seja, menos verticalizada do que a anterior. Além disso, sua sinistralidade chega a 75%, maior do que a da Hapvida, e sua margem é menor, 13%. Esses são alguns dos argumentos dos analistas que apontam a Hapvida como melhor investimento.

Há, porém, muitas formas de se enxergar a situação: pode-se dizer que a Intermédica é menos eficiente ou que ela tem mais espaço para aumentar a eficiência, da mesma forma que a Hapvida pode ser vista como mais eficiente ou como uma empresa que já chegou no ponto de saturação. Adicione o fato que as operadoras atuam em regiões diferentes do Brasil, e que os números podem ser impactados pela competição mais acirrada em São Paulo.

Fernanda Fortuna

About Fernanda Fortuna

Engenheira Biomédica pela Universidade Federal do ABC, Fernanda passou um ano na Escócia estudando Engenharia Mecânica. Após retornar ao Brasil, emprendeu na área de robótica e reabilitação. Apaixonada por tecnologia e saúde, hoje atua na curadoria de conteúdo para os eventos Saúde Business Fórum, Hospitalar e Healthcare Innovation Show.

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