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Economia Prateada

By 8 de novembro de 2018 Mercado

Peter Diamandis fez em sua palestra o gancho para o momento Sírio Libanês sobre longevidade e negócios de impacto. “Não existe mercado maior no mundo do que o da longevidade, tenho certeza disso! Queremos fazer dos 100 anos, o novo 60. O interessante é que a todo momento que você está vivo, a ciência está aumentando o seu tempo de vida”

Quem conduziu propriamente o debate da manhã foi Marcel Fukayama, empreendedor social, cofundador da Dínamo e do sistema B Brasil, que busca redefinir sucesso na economia. Layla Vallias, cofundadora do Hype 60+, núcleo de inteligência de marketing especializado no público sênior, e Sergio Serapião, líder do movimento LAB60+, foram os outros participantes do painel.

“Precisamos de uma nova forma de fazer negócios. Vivemos uma grande mudança de cultura empresarial. É uma grande oportunidade de usar a força de mercado para resolver problemas complexos. E, para isso, é necessária uma mudança sistêmica, é importante que entendamos que, de fato, vivemos uma crise, uma falha sistêmica que é crônica e carece de de soluções alternativas para resolvê-la”, iniciou Marcel.

Segundo ele, no ritmo que estamos, temos somente 5% de chance de cumprir o Acordo de Paris, um dos principais contratos sociais já feitos pensando nas próximas gerações. Em 2017, tivemos 66 milhões de pessoas forçadas a deixar as suas casas, por fome, pobreza e questões sociais. E, apesar de milhares de pessoas terem saído da extrema pobreza nas últimas décadas, há uma tendência acelerada de concentração de renda e desigualdade social. Para citar, cinco brasileiros possuem uma riqueza equivalente à metade do Brasil.

Soluções governamentais não são suficientes na opinião do empreendedor. Para cumprir os objetivos de desenvolvimento humanitário seriam necessários, para o mundo, um gasto de 4 trilhões de dólares por ano, ou seja, uma economia americana. A alternativa são soluções de mercado e modelos de negócios disruptivos e inovadores, na busca por uma nova economia mais inclusiva e sustentável. A longevidade é um dos desafios mais presentes no mundo e no Brasil. Até 2030, o país será um dos países mais maduros do mundo, mudando radicalmente a forma de negócios e de interações.

Layla diz que muitas pessoas enxergam somente problemas e custos no mercado da longevidade, mas é um cenário de muitas oportunidades, o oceano prateado. O termo faz referência ao oceano azul da população com cabelos brancos. O Hype60+ atua em três verticais: na construção de melhores produtos, serviços e experiências para o novo idoso, na mobilização para a causa da longevidade e em estudos que mapeiam a economia dos maduros.

Nesse exato momento, enquanto milhões debatem a forma de lidar com os millenials, o planeta envelhece. É certo de que haverá impacto nos negócios, em pouco tempo a velhice será a maior fase da vida de uma pessoa, e isso promete transformar, desde já, a maneira como nos relacionamos. No Brasil, 64% das pessoas acima de 60 anos continuam como provedores, financeiros ou afetivos, da família, mesmo depois de aposentados. Isso representa um movimento de mais de 1 trilhão de reais por ano, uma nova economia dos maduros, que se comparada, em números, já representa a terceira maior economia do mundo.

Se queremos uma sociedade sustentável, temos que transformar nossa visão com os mais velhos. Sergio conta que existe uma diversidade que é muito pouco falada no mercado: a do idoso. “Temos que estar conscientes do tamanho e impacto dessa população. Antes de falar de produto, temos que falar de mudança de cultura. Sem diversidade não há transformação”

Mas como combinar a sociedade civil, empresas e o estado? Ele conta que, em termos práticos, é preciso de um espaço de confiança e integração entre os stakeholders no fomento desse movimento e na captação de recursos para tal. Mais do que longevidade, precisamos falar da quebra de paradigma, de competição por recursos dessa população, para colaboração e reinserção econômica. “A população madura tem uma inteligência emocional e relacional adquirida ao longo dos anos. É uma miopia as pessoas acharem que somente os jovens podem agregar”

Layla dá uma última dica: “Nessa pesquisa que fizemos, descobrimos que com a extensão da vida precisamos de mais dinheiro. Fintechs e negócios que ajudem na gestão financeira e familiar são oportunidades”

Fernanda Fortuna

About Fernanda Fortuna

Engenheira Biomédica pela Universidade Federal do ABC, Fernanda passou um ano na Escócia estudando Engenharia Mecânica. Após retornar ao Brasil, emprendeu na área de robótica e reabilitação. Apaixonada por tecnologia e saúde, hoje atua na curadoria de conteúdo para os eventos Saúde Business Fórum, Hospitalar e Healthcare Innovation Show.

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