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Por quê é tão difícil inovar em saúde?

By 21 de abril de 2014 Mercado
Perguntas rápidas exigem respostas rápidas, mas nem por isso menos complexas. Na nossa experiência trabalhando no EmpreenderSaúde com os principais players de saúde do Brasil, essa resposta ficou clara ao longo do tempo. Inovar é difícil em saúde porque o único método de inovação chama “tentativa-e-erro”. Essa é a resposta rápida.
A explicação seguinte, que já fica mais complexa, envolve a maneira como a inovação é disseminada e através de quem ela acontece. A inovação ocorre com muito mais frequência onde as melhores cabeças estão. Cabeças criativas, insatisfeitas com a qualidade atual das coisas, inquietas. E essas cabeças naturalmente procurando seus semelhantes, e eles geralmente se encontram em grandes centros de excelência e renome.
Colocar boas pessoas juntas é uma condição sinequanon para que a inovação floresça. O problema é quando ela floresce (e ela sempre faz, “não há nada mais poderoso do que uma idéia cuja hora chegou”, como diria Victor Hugo), e essa inovação precisa ser disseminada pra de fato ter impacto.
O fato de essa inovação ter surgido em um grande centro com uma marca forte sem dúvida facilita muito que as pessoas a sigam, repliquem e aceitem as novas idéias. O problema é que os gestores, muitos deles responsáveis principais pela criação dessa marca forte, agora tem um nome a zelar. Um nome que é tido quase como infalível, com alto padrão de processos e experiência para seus clientes.
E o erro? Onde fica nisso? Vai esse grande centro de renome aceitar erros quando padronizar seus serviços com ISO, Sigma, PMI, JCI, ONA, significa exatamente diminuir a frequencia de erros? Se você procura um hospital inovador com uma marca reconhecida, o que diria se eles “errassem” no seu atendimento em nome da inovação?
A verdade é, inovar significa estar fora dos padrões, pensar fora da caixa. E qualidade e processos signifcam exatamente padrões e caixas. Como aceitar os dois dentro de uma mesma organização? Como fazer com que monstros tão distintos vivam em harmonia? Como criar um padrão de atendimento e ao mesmo tempo entender que “tentativa-e-erro” é o único método de inovar, mesmo em um setor em que erros muitas vezes significam a vida de alguém?
Ética, ousadia, e preocupação pelo futuro se degladiam enquanto as instituições brasileiras tentam não apenas copiar o que os Estados Unidos fazem, mas criar suas próprias soluções para colocar o Brasil  numa melhor posição no cenário internacional, e entender que nem tudo que é importado de fato tem importância.
Artigo originalmente escrito para a Revista DOC pelo mesmo autor.
Vitor Asseituno Morais

About Vitor Asseituno Morais

Médico formado pela UNIFESP, concluindo MBA em Finanças pela FGV. Médico atuante em hospitais públicos e privados, e ex-Médico da Força Aérea no ITA. Já trabalhou com investimento anjo e venture capital para early stage no Brasil e nos EUA. Membro Titular da SBIS, do HL7 International, da ISPOR e da Associação Americana de Marketing. Palestrante convidado para eventos como MEDICA, HIMSS, Hospitalar, JPR, SBPC, Campus Party, entre outros.

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