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Desafios e Dilemas em Saúde

By 23 de maio de 2016 Colunas, Mercado

Desafios esperam o novo ministro da Saúde. Enquanto a crise econômica fez com que 1,33 milhão de pessoas perdessem seus planos de saúde, o que leva mais gente a procurar o SUS já sobrecarregado e subfinanciado, há redução de R$ 5,5 bilhões no orçamento para o ministério. Só que cortar verba da saúde é cortar vidas. O ex-ministro Agenor Álvares da Silva já havia assinalado que o Samu e o programa Aqui Tem Farmácia Popular só têm poucos meses de recurso e a previsão é de que haverá outros cortes. Hospitais e postos estão sendo fechados ou restringindo atendimento em todo o Brasil.

Funcionários da saúde de diversos Estados e municípios estão com salários atrasados ou parcelados. E, às portas dos Jogos Olímpicos, temos epidemias de dengue, zika, chikungunya e H1N1. Ao mesmo tempo, há novos remédios sofisticados e efetivos para câncer — mas que podem custar quase R$ 1 milhão por ano por paciente.

De forma irrealista, poderíamos definir que todo o dinheiro seja alocado para que se possa dar tratamentos básicos e de ponta para todos os pacientes. Como o recurso é finito, nossas escolhas vão significar retirar investimentos de outra área. É um dilema moral. Foot & Thomson propuseram o Problema do Bondinho. Você depara com um bondinho desgovernado indo na direção de cinco trabalhadores. Feliz ou infelizmente, você pode apertar um botão para desviá-lo. Só que, se você fizer isso, ele vai direto pra cima de outra pessoa. Então? Você mata um ou mata cinco? Dilemas morais não nos dão a opção para escolher “salvo todos”. Não existe resposta certa ou errada, mas só o desconforto de não haver solução simples.

Questões áridas, mas necessárias e já pautadas mundialmente, não podem seguir tão tímidas, como por exemplo a inclusão somente de tecnologias que tragam impacto relevante e preços viáveis. Sequer definimos o que é “relevante e viável” na perspectiva do brasileiro. Temos que ter coragem de escolher qual nossa prioridade, aumentar a transparência e lutar duramente contra o mau uso de nosso parco recurso. Postergar ainda mais esse remédio amargo pode inviabilizar o sistema todo.

 

@StephenStefani

 

Stephen Stefani

About Stephen Stefani

Médico oncologista. Especialista em Auditoria Médica. Professor de Farmacoeconomia da Fundação Unimed. Chair do Comitê Latino Americano da International Society of Pharmacoeconomics and Outcome Research (ISPOR). Preceptor da residência médica do Instituto do Câncer Mãe de Deus.

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