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Custos médico-hospitalares sobem 17,3% em 2018

By 14 de junho de 2019 Destaques, Mercado

Alta da despesa das operadoras de planos de saúde é impulsionada pelo aumento na utilização de serviços médicos e custo de procedimentos, especialmente terapias

As despesas assistenciais per capita de operadoras de planos de saúde com exames, consultas, terapias, internações e serviços ambulatoriais de beneficiários de planos médico-hospitalares voltaram a acelerar e encerraram 2018 com alta de 17,3%, de acordo com o Índice de Variação de Custos Médico-Hospitalares (VCMH) do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). Em relação a 2017, o índice registrou avanço de 0,8 ponto porcentual.

José Cechin, superintendente executivo do IESS, explica que o aumento da VCMH resulta de múltiplos fatores. “Diversos elementos influenciam a VCMH. Entre eles, o aumento da frequência de utilização e o aumento dos preços unitários de materiais, medicamentos, honorários, taxas e diárias. Fatores como incorporação de novas tecnologias e o envelhecimento populacional também têm impacto”. Entre 2018 e 2017 os itens de despesas que mais cresceram foram as Terapias (exemplos: hemoterapia, Litotripsia Extracorpórea, quimioterapia, radiologia intervencionista, radioterapia, terapia renal etc.), com aumento de 31,3%, seguida de Serviços Ambulatoriais com aumento de 19,7%.

O item de internação, que tem um peso elevado na composição do índice, e por isso, sua variação fica muito próxima da média. Em 2017 e 2018 o valor ficou ligeiramente abaixo da média de todo o setor, em 16,5%. Resultado da elevação de 8,6% da frequência de utilização e do aumento no custo médio, de 7,4%. Cechin aponta que a variação da internação hospitalar só não foi maior em função do movimento das operadoras e prestadores de serviços médicos em iniciar uma migração para pacotes, diárias globais etc.

O executivo reforça que o aumento da frequência de itens de consultas, internações e outros procedimentos foram fatores que justificaram  o reajuste de planos em um nível superior ao da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ou mesmo uma de suas componentes  que apura a variação de preços de produtos de saúde, como o IPCA Saúde. Para se ter uma ideia do peso da frequência de uso na conta, pode-se imaginar uma situação em que os custos de serviços de saúde caiam, mas a despesa aumenta devido ao aumento da frequência. Por exemplo: se as consultas médicas custassem, em média, R$ 100 e passassem a custar R$ 95, indicadores como a inflação registrariam uma queda de 5% (deflação). Contudo, se no mesmo período a frequência de realização de consultas passar de 5,0 para 5,5 o custo per capita passa de R$ 500,00 para R$ 522,50, com aumento de 4,5%. “Claro, a tendência não é que os custos médios de cada procedimento caiam, assim como não temos deflação no País. Mas o exercício lógico mostra porque a VCMH continua acima da inflação. O que não é natural é esperar que a VCMH fosse semelhante ou igual ao IPCA, isso porque inflação mede apenas variação de preços enquanto a VCMH mede a combinação da variação de preços com a variação de frequência”, argumenta Cechin.

Outros motores da VCMH

A crescente judicialização que se observa tanto no setor público quanto na saúde suplementar é um poderoso promotor das despesas e acrescenta iniquidades pois, em muitos casos, privilegia o individual à custa do coletivo. Outro fator que responde pelo aumento de custos é a incorporação de tecnologia, um fenômeno que acontece no mundo inteiro e com impactos semelhantes.

Esta incorporação sem a exigência de estudos de custo-efetividade e análise da capacidade do sistema em absorver o incremento de despesas é outro ponto que pesa nessa conta. Especialmente porque, diferentemente de outros países e no próprio SUS, por meio da Conitec, a saúde suplementar não dispõe de requisitos técnicos que definam critérios claros para o ingresso de uma nova tecnologia.

Importante lembrar também que o processo de transição demográfica, com a maior participação de idosos no total da população, impacta diretamente na demanda de serviços de saúde, em especial de internações. E a faixa etária de idosos é a que mais cresce no mercado brasileiro de saúde suplementar.

Sobre o VCMH/IESS

O índice VCMH/IESS capta o comportamento dos custos per capita das operadoras de planos de saúde com consultas, exames, terapias e internações e Serviços Ambulatoriais. O cálculo utiliza os dados de um conjunto de planos individuais de operadoras, e considera a frequência de utilização pelos beneficiários e o preço dos procedimentos, levando em conta os valores cobrados em todas as regiões do Brasil. Dessa forma, se em um determinado período os beneficiários usavam, em média, mais os serviços e os preços médios aumentam, o custo apresenta uma variação maior do que a soma desses fatores isoladamente.

A metodologia aplicada ao VCMH/IESS é reconhecida internacionalmente e usada na construção de índices de variação de custo em saúde nos Estados Unidos, como o S&P Healthcare Economic Composite e Milliman Medical Index. Além disso, o índice VCMH/IESS considera uma ponderação por padrão de plano (básico, intermediário, superior e executivo), o que possibilita a mensuração mais exata da variação do custo médico hospitalar. Ou seja, se as vendas de um determinado padrão de plano crescerem muito mais do que as de outro padrão, isso afeta o cálculo agregado, resultando em VCMH maior ou menor do que o real, o que subestimaria ou superestimaria a VCMH.

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