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Crescimento de 13,6 % de estabelecimentos de saúde no Brasil mesmo nos piores anos da crise econômica

By 11 de fevereiro de 2020 Mercado

Fonte: Geografia Econômica da Saúde no Brasil

A figura demonstra a evolução percentual do número de estabelecimentos de saúde entre 2017 e 2019 no Brasil:

·         Mesmo nos anos de forte crise econômica;

·         E a Unidade Federativa que apresentou menor crescimento, registrou 7,4 % de crescimento em apenas 2 anos.

O gráfico é parte integrante do Capítulo B1 – Estabelecimentos, do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil – Edição 2020, que tabula dados do CNES, IBGE, DATASUS, SRF e outras bases de dados públicas e privadas.

Os vários indicadores do mercado da saúde tabulados no estudo atestam que, apesar de ter passado por dificuldades por conta da crise econômica, como todos os demais segmentos de mercado, Saúde foi menos afetada:

·         Por um lado devido ao sucateamento do SUS;

·         Por outro lado porque a expansão da saúde suplementar é incontrolável onde novas demandas surgiram por conta de uma regulação não alinhada com a realidade e necessidade da população que “consome o produto”.

Os dois eventos não se verificam com a mesma intensidade em todo o território nacional. Cada um deles é mais ou menos significativo em determinadas regiões. E é bom lembrar que são eventos que provocam efeitos opostos no sistema de financiamento público (SUS) e nos sistemas de financiamento privados (Saúde Suplementar Regulada e Saúde Suplementar Não Regulada) – o efeito bom para um é maléfico para os outros, e vice-versa.

Vou utilizar o gráfico a seguir para ilustrar os eventos:

A média de crescimento do número de estabelecimentos por unidade federativa foi de 13,6 %.

Mas no Estado do Rio de Janeiro, em apenas 2 anos o volume de estabelecimentos de saúde cresceu 24,1 %:

·         Se esta tendência fosse se manter (não é possível que se mantenha assim, acredito que não seja), em menos de 8 anos dobraria o número e estabelecimentos de saúde no Rio de Janeiro, algo inimaginável);

·         A crise na saúde pública do Estado está sucateando o SUS, e provocando a multiplicação do número de estabelecimentos privados:

o   Quem passa pelo Rio não tem como deixar de observar a proliferação de serviços de saúde, especialmente os que não atendem convênios (Saúde Suplementar não Regulada);

o   Não só as empresas para seus funcionários, mas a população em geral refém de um sistema de saúde público ineficiente “arruma uma forma” de financiar os custos com a saúde que necessita.

No Distrito Federal quase o mesmo crescimento (23,9 %):

·         Lá a mesma crise da saúde pública do Rio;

·         Mas o mercado da saúde suplementar no DF continua sendo um dos mais promissores do país, por várias razões que não daria tempo de discutir aqui;

·         Não por acaso, por exemplo, marcas tradicionais de serviços de saúde do Sudeste investiram em Brasília nos últimos anos.

Observando novamente o primeiro gráfico é possível notar que a Região Centro-Oeste do Brasil é a que, na média, experimenta maior crescimento – comentado em outros boletins – por 2 motivos principais:

·         O SUS vai se realinhando em função do aumento populacional na região;

·         E a expansão do agronegócio na região que impulsiona a saúde suplementar.

A proporção de estabelecimentos privados em relação aos públicos continua aumentando: em 2019 fechou em 75,5 %, ou seja, de cada 4 estabelecimentos de saúde existentes, 3 são privados, mesmo havendo entre os públicos uma razoável parte meramente administrativa, que praticamente não existe entre os privados.

E a tendência é continuar uma vez que são raros os serviços públicos que atendem saúde, suplementar, mas a maioria dos serviços privados atendem SUS, além de atenderem a saúde suplementar regulada e não regulada.

A expansão dos estabelecimentos privados tem aspectos positivos e negativos dependendo do contexto e do interesse do envolvido (fonte pagadora ou prestador de serviço). No boletim será desenvolvida a discussão sobre algumas implicações desta expansão nos modelos de financiamento públicos e privados alternativos ao Fee for Service (os de compartilhamento de riscos, e os de remuneração baseada em valor).

Sobre o autor Enio Jorge Salu

Histórico Acadêmico

·  Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo

·  Pós Graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo

·  Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas

·  Professor em Turmas de Pós Graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta

·  Coordenador Adjunto do Curso de Pós Graduação em Administração Hospitalar da Fundação Unimed

Histórico Profissional

·  CEO da Escepti Consultoria e Treinamento

·  Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas

·  Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares

·  CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor/Fundação Zerbini, e Superintendente da Furukawa

·  Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação

·  Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas

·  Associado NCMA – National Contract Management Association

·  Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde

·  Autor de 12 livros pela Editora Manole, Editora Atheneu / FGV e Edições Própria

·  Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado

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