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Confira como foi o primeiro dia de Bio Latin America

By 10 de setembro de 2014 Mercado

Hoje estive na Bio Latin America, um dos principais novos eventos de biotecnologia no Brasil, “importado” de um dos principais eventos de biotecnologia dos Estados Unidos.

O evento contou com aproximadamente 250 pessoas, com presença forte de várias farmacêuticas brasileiras, e com muitos participantes internacionais. A escolha do local (que demorou 1h30 do aeroporto devido ao trânsito) na beira da Praia do Leblon foi um presente aos convidados internacionais que puderam presenciar uma das praias mais bonitas do Rio de Janeiro.

O primeiro painel, denominado “Regional Biotech Development: Frameworks for Innovation” discutiu como os países latino-americanos têm trabalhado para impulsionar o setor de biotecnologia na região. A presença internacional ficou clara pela presença de Lino Barañao, Ministro da Ciência, Tecnologia e Produção Inovadora da Argentina; Martha Elva German Sánchez, General Director da Bio Industries, do México; Gabriel Aintablian, Diretor de Inovação, Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento, do Uruguai, e Luiz Henrique Mourão, Coordenador Geral de Biotecnologia e Saúde do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil (MCTI), moderado por Gabriela Cezar, Senior Director & Head, External R&D Innovation, da Pfizer.

O painel foi apresentado em inglês e espanhol (e provavelmente alguns painéis serão em português), o que reflete uma das dificuldades na conexão de executivos do continente com outros países desenvolvidos, seja pelas 3 línguas presentes, seja pelo baixo nível de fluência em inglês dos latino-americanos, não só brasileiros.

O representante do MCTI do Brasil falou do projeto BiotecSul, uma plataforma de investimento para biotecnologia, que investiu 7 milhões de euros no passado. O Ministro da Argentina falou do total de investimento em biotecnologia no país em 2013 que foi de US$ 100 milhões de dólares, um crescimento significativo em relação aos anos anteriores, mas que mostra o quanto o país (e o continente) ainda estão atrasados em termos de investimento no setor.

Luiz Henrique Mourão aproveitou o evento para anunciar mais uma chamada de 1 milhão de euros para doenças neglicenciadas e bioenergia. Em resumo, cada instituição mostrou seu plano de ação de fomento ao setor, e Gabriela Cezar encerrou o painel falando sobre o papel essencial do governo nesse fomento, com o projeto Inova Saúde do governo Brasileiro, de US$ 2.5 bilhões de dólares, bem como as PDPs (Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo), o fundo/agência de fomento CORFO do Chile etc, e mostrou como a Pfizer está comprometida de diferentes formas com a maioria dessas iniciativas, incluindo um investimento no primeiro fundo de venture capital para biotecnologia no Brasil junto com BNDES e FINEP, uma parceria também com o INCA para o combate do câncer, e o R&D Precision Medicine Center of Excellence em Santiago do Chile.

Nesse centro, está sendo feito um estudo com 6,000 pacientes para tratamento de câncer, um estudo que pode aprovar uma droga global com um estudo clínico 100% realizado na América Latina, um dos primeiros com essa característica no mundo.

 Uma das coisas mais interessantes sobre o evento é a possibilidade de marcar reuniões antecipadamente, e a presença americana no evento, a começar o Jim Greenwood, Presidente e CEO da BIO (Biotechnology Industry Organization) dos Estados Unidos, trouxe um forte entendimento comercial do evento, trazendo por exemplo Andrew Callaway, Managing Director e Global Head of Life Sciences do Deutsche Bank,; Alan Vanderborght, CEO do Torreya Emerging Markets, uma boutique de investimento; bem como advogados especializados em patentes e processo produtivo de biotecnologia.

Com esse evento, o Brasil, que já tinha entrado no cenário global de Health IT quando trouxemos a Health 2.0 para a América Latina, entra agora para o cenário global de eventos de biotecnologia com a Bio Latin America. As farmacêuticas Merck-Sharpe-Dome, Libbs, Sanofi, Celgene, Abbvie, Allergan, Amgem, Lilly, entre outros, foram alguns dos que apoiaram essa primeira edição no Brasil.

Após a sessão de abertura, o evento se dividiu em 2 tracks: “The Innovation Ecosystem in Brazil: From Biofuels to Biotherapeutics” e “Incentivizing Entrepreneurship and Investment in Latin America”, mostrando a importância de temas que o Empreender Saúde tem discutido há anos no Brasil.

Segui o track “Incentivizing Entrepreneurship” moderado por Mark Crowell, especialista com 26 anos de experiência em transferência de tecnologia, principalmente na Duke University e mais recentemente na Universidade da Virginia.  O palestrante mostrou o crescimento da importância das pesquisas na universidades mostrando que nos últimos anos a porcentagem de pesquisas aprovadas pelo FDA vindas das indústrias farmacêuticas caiu de 75% para 35%.

Para encerrar o seu discurso, Mark citou “melhores práticas” para incentivar empreendedorismo em saúde e biotecnologia:

  • Dívida Conversível: Mark mostrou como a Universidade de Virginia, que tinha uma pesquisa que era muito precoce pra ser licenciada ou comprada pela Pfizer Ventures, então a Universidade fez o lançamento da empresa com um investimento em dívida conversível da Pfizer Innovation Fund;
  • North Carolina Biotechnology Center – não tinha biotecnologia há 20 anos, e virou número 3 hoje, com 528 empresas lançadas. Não comentou muito, mas recomendou o modelo;
  • Parceria Prefeitura/Universidade/Corporate/Investor no Sul da Flórida, em que os players colaboram muito mais desde o começo das pesquisas, não mais deixando a pesquisa básica apenas para a universidade, mas participando com ela desde o início do processo;

Em seguida, Mauricio Neves, do BNDES, falou das ações do BNDES relacionadas à empreendedorismo, iniciando com um gráfico de porcentagem do PIB investido em pesquisa por país, em que o Brasil está em um dos últimos lugares.

Mauricio falou do PROFARMA, um programa especial de crédito para a indústria farmacêutica, um programa já de 10 anos, e que chega à 2,5 bilhões de dólares em capital. Falou também do BNDESPar, que investiu na TOTVS por exemplo, na área de TI, e na BIOMM e na Recepta, em Life Sciences, um investimento institucional, em geral entre 10-25%, que espera uma saída entre 5-10 anos, mas que pode chegar à 15 anos pois não tem a pressão de um fundo de venture capital tradicional.

O palestrante seguinte da Rio Negócios, falou sobre as atividades da organização, e sobre o edital de 10 milhões que vão lançar nas próximas semanas para apoiar “idéias”, estágio em que, de acordo com o mesmo, “nem bancos, nem investidores entram”.

Os seguintes palestrantes focaram suas apresentações no interesse dos investidores internacionais pelo Brasil e na importância de investir nesse estágio citado, diríamos, very very early stage, que na minha opinião é educação empreendedora, passando por mindset e capacitação, algo que a Endeavor tem trabalhado no Brasil há vários anos.

Vitor Asseituno Morais

About Vitor Asseituno Morais

Médico formado pela UNIFESP, concluindo MBA em Finanças pela FGV. Médico atuante em hospitais públicos e privados, e ex-Médico da Força Aérea no ITA. Já trabalhou com investimento anjo e venture capital para early stage no Brasil e nos EUA. Membro Titular da SBIS, do HL7 International, da ISPOR e da Associação Americana de Marketing. Palestrante convidado para eventos como MEDICA, HIMSS, Hospitalar, JPR, SBPC, Campus Party, entre outros.

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