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Como sua empresa pode fazer Gestão de Doenças Crônicas?

By 21 de outubro de 2014 Mercado

No Workshop Gestão de Doenças Crônicas Inseridas no Contexto de Gestão de Saúde Populacional, feito pela ASAP, Aliança para a Saúde Populacional, pôde-se entender mais sobre o contexto da Gestão de Doenças em corporações. Neste contexto, temos que 63% de gastos de saude vão para doenças crônicas, mas nenhum governo do mundo tem um programa adequado para elas. No Brasil, os candidatos atuais ao governando têm um programa de saúde populacional, só um aumento de leitos, aumento de especialistas e mais reabilitação. A promoção de saúde, no entanto, que é o mais barato e o mais eficiente não está nas propostas de ninguém.

O Dr. Luiz Carlos Monteiro é presidente da ePharma e membro do Conselho de Administração da ASAP apresentou uma introdução sobre a construção de um ambiente de saúde. Para entender como se constrói um ambiente de saúde, precisamos ver o panorama da gestão das doenças:

No geral, cerca de 2% da população encontra-se no grupo com alto risco, se configurando, por exemplo, como aquele paciente que já tem diabetes, se tornou nefropata e tem altos gastos de saúde. Para ele, é preciso criar um programa específico, o case management. Como ele é o gasto mais elevado, a operadora de saúde foca nele, contrata serviços especiais e o gestor de saúde dentro das corporações não precisa se preocupar tanto.

Em segundo, temos 15% diagnosticados com alguma doença crônica, com diabetes, hipertensão, DPOC e outros. Para essa população, é feita uma gestão de doenças crônicas por linha de cuidado, onde, se conseguirmos fazer com que eles engajem no tratamento, apresenta resultados em sobrevida muito semelhantes a da população geral.

O príncipe de pareto da saúde corresponde à relação de cerca de 20% gastando cerca de 80% dos gastos de saúde. Só o custo de diabetes nos EUA já passou de $200 bilhões com outros custos diretos associados, como absenteísmo, perda de capacidade produtiva e outros.

O próximo grupo corresponde a 20% da população e é formado por usuários de alto risco, como indivíduos com tabagismo, pré-diabetes e outros. Se considerarmos o sedentariamente, este número pode chegar a 60%. No caso deste grupo, a empresa precisa focar em programas de wellness e bem-estar para evitar que essas pessoas tenham uma doença ou condição de saúde posterior. Este programa é chamado de Gestão de Risco por Monitoramento.

O último grupo populacional é o grupo saudável que deve ter programas de nutrição, exercícios físicos e atenção para que não fiquem doentes. O programa aqui é uma estratégia de  Promoção de Saúde.

Para se construir um programa de Gestão de Doenças dentro de uma corporação, com uma população específica, precisamos seguir alguns passos. A primeira tarefa é a construção de um banco de dados, que não é fácil de ser construído. Se houver vontade política, em alguns anos isso será realizado, mas, dificilmente, este tipo de atividade será organizada em menos tempo, porque exige cooperação de outras instituições e grupos.

É preciso qualificar sua população entre os grupos populacionais apresentados anteriormente e esta qualificação precisa de entrada de dados de diferentes profissionais. A primeira porta de entrada é a operadora de saúde e o que eles têm. Na hora da contratação da operadora, é preciso já mostrar a intenção de se criar esse banco de dados para verificar se a operadora será parceira nessa missão. O Programa de Benefícios de Medicamento, PBM, é a segunda entrada necessária, porque você passa a ter uma estratificação da sua população e, muitas vezes, você tem um desenho ainda mais claro do que o obtido com a operadora. A medicina ocupacional é uma entrada importante e traz informações colhidas sobre o ambiente de trabalho do indivíduo. Por último, precisamos de um screening da população saudável, por exemplo, com questionários periódicos sobre a saúde do funcionário.

Após a construção do banco de dados, traga a operadora para perto da empresa para que o acompanhamento funcione e para a tomada dos próximos passos do seu plano de ação em relação à população identificada na empresa.

Em seguida, o Dr. Gustavo Guimarães, Diretor Médico da Funcional e membro do. Comitê Técnico da ASAP, começou falando sobre o caderno lançado em março de 2014, chamado Referências em Gestão de Saúde Populacional, pela Associação americana equivalente à ASAP.

Neste caderno, três características são mostradas em empresas que apresentam sucesso na gestão de doenças crônicas. A primeira é a construção de um novo modelo de gestão, com a visão de que o conhecimento é estratégico dentro da empresa e com intenção de dar governabilidade às propostas. A segunda é o engajamento do indivíduo nas propostas, se configurando como o meio de ação e tornando o indivíduo como ator da mudança. O terceiro é o desenvolvimento de cultura de saúde, sendo a tarefa de sustentabilidade das ações de saúde corporativa e, consequentemente, populacional.

De acordo com a experiência do Dr. Gustavo, cerca de 10% das empresas atuais querem construir um novo modelo de gestão, trazendo o conhecimento para o estratégico; 30% das empresas dizem que têm um programa de engajamento de indivíduos, mas este número, certamente, é superestimado e; cerca de 5% das empresas possuem algum programa de desenvolvimento de cultura de saúde.

O panorama é configurado pelo paciente no centro, sendo atendido por um serviço de saúde, tendo apoio de outros recursos da empresa, agindo sob efeito de fenômenos culturais e, nomeio disso tudo, há um programa de gestão de doenças crônicas. Isso quer dizer que o programa de gestão de doenças crônicas deve considerar todos esses fatores e alguns serão, inclusive, concorrentes a ele.

O objetivo da criação deste programa dentro da sua empresa está ligado ao custo, à construção de marca, à retenção de talentos, à saúde dos indivíduos, à produtividade? Somente depois disso é possível responder qual programa se encaixa melhor em sua empresa, mas existem alguns pré-requisitos para que a intervenção seja completa e realmente um programa de gestão:

  • Processos estruturados de identificação da população
  • Protocolos de cuidados baseados em evidência
  • Ferramentas de educação do paciente
  • Modelo de prática que envolva os outros prestadores de serviços de saúde
  • Seqüência rotineira de relatórios e feedback para o próprio paciente.
  • Forma de gestão da própria atividade com avaliação de processos, avaliação de resultados.

Se não tem isso, é um programa de apoio às doenças crônicas e não de gestão de doenças crônicas. Ainda precisamos caminhar muito para que todas as empresas do país possuam este tipo de programa e, assim, baixem os gastos gerais em saúde.

Nathalia Nunes

About Nathalia Nunes

Fonoaudióloga formada pela FMUSP, com MBA em Economia e Gestão em Saúde na UNIFESP e apaixonada por comunicação, negócios e tecnologia em saúde. Na Live, trabalho com Marketing, Pesquisa e Conteúdo, tanto na produção de materiais editoriais e de pesquisa, quanto na difusão de temas e ações relacionados a negócios em saúde.

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