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Como são calculadas as taxas de juros da economia?

By 5 de março de 2015 Mercado

Acaba de ser aprovado por unanimidade pelo COPOM, Comitê de Política Monetária do Banco Central um aumento de 0,5 ponto percentual na taxa SELIC, que em linhas gerais é a taxa que baliza o mercado de moedas no Brasil, uma vez que se trata da taxa que remunerará os títulos do governo daqui para frente.

Esta taxa agora será 12,75% ao ano e atinge seu maior patamar desde 2008. Esta taxa tem uma grande importância no mercado monetário como um todo e mais do que seu efeito quantitativo, ele sinaliza as reais preocupações da equipe econômica do governo.

Este fato pode ser analisado sob vários pontos de vista. Por exemplo, sob a ótica da inflação. Num momento onde os preços públicos, a gasolina e os tributos estão em alta, este seria um ingrediente para incrementar ainda mais o processo inflacionário.

Mas o que se quer aqui é estudar os reais efeitos desta taxa na economia como um todo, notadamente nas demais taxas de juros que são cobradas nas mais variadas operações de crédito que são realizadas diariamente.

Para isto, foi calculado o equivalente mês desta taxa anualizada e arredondando, a taxa SELIC ao mês totaliza 1,01%. Uma taxa bastante baixa, se comparada com as taxas cobradas num empréstimo bancário, por exemplo. Ou por um cheque especial. Ou ainda por um cartão de crédito.

A taxa SELIC mensal antes deste último aumento era de 0,97% (12,25% ao ano trazido à taxa mensal). Portanto, a diferença, se olhada pela ótica mensal é de 0,04%. Será que esta variação seria tão significativa numa taxa de um cheque especial?

O próprio site do Banco Central mostra que as taxas do cheque especial das instituições privadas estão variando de 9 a 12,73% ao mês, ai incluído o Banco do Brasil, que não é exatamente uma instituição privada.

Isto mostra que além do custo do capital, que agora foi para 1,01% ao mês, outros componentes devem estar “puxando” estas taxas para cima. E o que seriam esses componentes?

Se a taxa básica remunera os títulos do governo e como o governo é livre de risco, já que não vai à falência, as demais instituições a partir daí devem representar um montante de risco maior que emprestar ao governo. E na medida em que se caminha do risco do governo (que em tese, é zero), passando pelas empresas grandes, pequenas, indivíduos ricos e cidadão comum, esta taxa de risco cresce assustadoramente.

Então, além do custo do capital, que seria a taxa livre de risco da economia, uma taxa de risco também é considerada nas demais operações. Risco, em sua definição, é a possibilidade de algo não acontecer ou neste caso, de alguém não pagar um empréstimo. Ou atrasar muito o pagamento. Surge ai outros componentes da composição das taxas.

Mas isto não é tudo. Temos a inflação passada e futura a ser considerada, pois o dinheiro perde valor no tempo. E para completar, a própria remuneração do agente financeiro a fim de que ele possa ter seu ganho e remunerar sua estrutura física.

Essas taxas vão se compondo de forma exponencial umas sobre as outras de modo a fazer com que a taxa do indivíduo que usa o cheque especial seja uma das mais altas do mercado. Além do fato que as instituições financeiras devem disponibilizar os recursos para uso não definido previamente (não se sabe ao certo quanto será usado via cheque especial amanhã, por exemplo).

Assim, se a inadimplência no financiamento de veículos aumenta, a taxa vai procurar refletir este aumento do risco de quem está financiando os veículos no mercado. E a taxa sobe. Costuma-se dizer no mercado financeiro que quem paga as dívidas em dia, está pagando também por todos os que não pagam. E há muito de verdade nisto.

Desta forma, o aumento da SELIC, embora não seja grande em si, sinaliza um pouco de tudo o que pode acontecer nas finanças do País: restrição de crédito (pelo aumento do risco), redução da liquidez (por uma maior quantidade de títulos do governo sendo negociados), redução da atividade econômica (pela escassez de crédito) e conseqüentemente redução na utilização dos recursos, inclusive humanos  (emprego).

A pergunta que não quer calar é: teria outra saída? Mas esta é uma questão para ser discutida em outra ocasião.

José Carlos de Souza Filho

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