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Como o Uber mudou a jornada do paciente?

By 11 de abril de 2017 Colunas, Mercado

Engajar um paciente é uma das coisas mais complexas que existem. Afinal de contas, isso depende de uma combinação de fatores comportamentais, demográficos e sócio-culturais – isso sem contar os fatores alheios à pessoa, como o tipo de doença, a medicação, a dificuldade de navegar no sistema de saúde e o relacionamento proporcionado pelo médico que a atende.

É complexo como se vê. Mas o que pouca gente enxerga – e se enxerga não fala – é que muitas vezes uma das maiores complexidades para mudar essa situação está na forma como buscamos soluções para o problema.

Às vezes pequenas mudanças no rígido “protocolo mental” – que parece impregnar uma parcela importante dos profissionais de saúde – poderia ajudar a mudar esse estado de coisas.

Ora, não existe bala de prata para resolver um problema que depende de vários fatores e atores diferentes. Então porque não usar soluções simples, mas que fazem impacto certo na rotina do paciente? Como sua indisposição para encarar o trânsito nas grandes cidades, ainda que seja para ir ao médico.

É isso que já está acontecendo em países como Índia, Cingapura e Indonésia.

Nesses países a empresa de agendamento eletrônico Practo notou que muitos pacientes faltavam às suas consultas gerando uma cascata de inconvenientes para o médico, para a operadora, para o pagador e – principalmente – para o próprio paciente. E fez um acordo como o Uber para evitar essa freada brusca na jornada do paciente.

Assim, na véspera de uma consulta o app da Practo faz um alerta para o usuário, lembrando do compromisso e perguntando se ele deseja que um carro do Uber venha lhe buscar e levar até o consultório.

Para os usuários isso tem sido um alívio porque os libera da preocupação de encontrar vagas para estacionar enquanto levam seus filhos ou parentes para o médico – sem falar que o próprio motorista pode estar, muitas vezes, doente e sem as melhores condições para guiar.

Já nos EUA um serviço parecido está sendo testado com foco em clínicas e permite que a recepcionista responsável pelo agendamento da consulta programe a ida de um carro do Uber antes da hora marcada para retirar o paciente onde ele estiver. Caso o paciente tenha alguma necessidade especial – como utilização de cadeira de rodas – o carro enviado será próprio para atendê-lo.

O Lyft, concorrente do Uber, não está ficando atrás nessa corrida. A empresa também está fazendo sua aposta no segmento e vem se concentrando no transporte de pacientes idosos com doenças crônicas.  Um dos problemas que eles visam resolver nesse caso é o tempo de espera dos idosos – e afirmam que ele já caiu em 30% nos primeiros testes.

Parece uma coisa trivial, mas estima-se que cerca de 4 milhões de americanos perdem suas consultas todo ano por falta de locomoção.

Fica aqui a dica.

Enquanto ficarmos pensando apenas em transformar a jornada do paciente numa verdadeira “Jornada nas Estrelas” – de tão futuristas que são as soluções tecnológicas aguardadas para muito breve – tem gente obtendo resultados rápidos usando tecnologias já disponíveis no mercado. E o principal: totalmente incorporadas ao comportamento dos pacientes.

 

Istvan Camargo é especialista em engajamento de pacientes. Foi membro do Comitê Científico da Health 2.0 Latam e residente digital do Centro de Mídias Sociais da Mayo Clinic / USA. Atuou como Chief Innovation Officer do Grupo Notredame Intermédica. Realizou palestras sobre o tema em conferências como Social Media Week, Campus Party e HIS. Em 2012 fundou a primeira rede social de saúde do país, tendo realizado projetos para ABQV, Virada da Saúde SP, EPM dentre outros. Atualmente realiza projetos junto a grupos de pacientes das mais diversas patologias para empresas do segmento de saúde.

Istvan Camargo

About Istvan Camargo

Especialista em engajamento de pacientes. Foi membro do Comitê Científico da Health 2.0 Latam e residente digital do Centro de Mídias Sociais da Mayo Clinic / USA. Atuou como Chief Innovation Officer do Grupo Notredame Intermédica. Realizou palestras sobre o tema em conferências como Social Media Week, Campus Party e HIS. Em 2012 fundou a primeira rede social de saúde do país onde tem realizado projetos para Laboratórios Farmacêuticos,PBMs, Grupos de Apoio a Pacientes, dentre outros, engajando grupos de pacientes das mais diversas patologias.

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