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Como o Google enfrenta problemas no trabalho?

By 14 de dezembro de 2014 Mercado
Como o google resolve os problemas no trabalho?

Enfrentar problemas no trabalho é algo inerente a qualquer pessoa que trabalhe, claro. Mas será que sabemos enfrentá-los da maneira correta? Existe uma linha muito tênue entre criticar um trabalho ou a pessoa que o realizou, ainda mais quando falamos de cargos que envolvem a gestão de pessoas.

Essa semana li uma matéria de Greg Satell sobre como o Google enfrenta seus problemas. Satell baseou seu artigo no livro de Eric Schmidt (Presidente do Google) e Jonathan Rosenberg (ex-VP de Produtos), “How Google Works” – você o encontra na amazon Brasil, mas apenas em inglês.

Além de trazer alguns pontos levantados por Satell, vamos refletir um pouco mais sobre cada um deles?

As pessoas querem fazer um bom trabalho

Parece óbvio dizer que todos queremos entregar um bom projeto, mas se temos uma gestão que não sabe enfrentar problemas no trabalho, tornamos o ambiente pouco estimulante para as pessoas darem seu melhor.

Satell conta uma passagem do livro em que Larry Page (Co-fundador do Google) foi até a cozinha da empresa e colou um cartaz que dizia “This ads suck” (Esse “Ad” é uma porcaria! – Ad = AdWords)

O que Page tentava dizer é que a ferramenta de AdWords estava com um problema sério e precisava de melhoras.  Se você não sabe ou não lembra o que é o AdWords, é a ferramenta do Google que faz leilão de anúncios e palavras-chave do Google.

Veja, Page podia ter ido direto ao time de engenheiros e mostrar que havia problemas no trabalho, que a ferramenta não prestava. Ao invés disso, Page expôs para toda empresa um problema, não uma equipe falha.

Por trás disso Page queria estimular a empresa toda a pensar no problema, desde a equipe de RH até o time de engenheiros dos mais diversos produtos, pois lembre-se que todos queremos entregar um bom trabalho, ser reconhecidos e termos orgulho das entregas.

O resultado foi que um dos times de engenheiros resolveu o problema e o AdWords se tornou uma máquina de gerar faturamento para a empresa, basta se perguntar quantas vezes já não lhe perguntaram “Vocês compram palavras no Google?”.

Ok, mas esse é o Google, como eu aplico isso no dia-a-dia da minha empresa?

Se analisarmos bem, esse é um dos princípios do Design Thinking, de jogar um problema para ser resolvido. Depois disso chovem soluções (em empresas cuja cultura já favorece esse tipo de abordagem para solucionar problemas no trabalho), ideias ou até mesmo novos produtos.

Como você e sua empresa atacam os problemas no trabalho? Vocês realmente atacam os problemas, ou as pessoas e equipes por trás deles?

Se você quer aplicar esse tipo de cultura empresarial, deve ter respondido que os problemas enfrentados na sua empresa não são atribuídos a pessoas ou setores dela. “Ah, mas isso é problema do TI”, será mesmo? Será que alguém do marketing não pode ter uma ideia para solucionar o problema? Se a resposta para essa pergunta fosse “Não”, provavelmente não teríamos a crescente contratação de CDOs (Chief Digital Officer).

Dado olhos o suficiente, qualquer problema é superficial

Esse é um dos mantras da colaboração, palavra que cada vez mais está na moda aqui no Brasil. Design Thinking é baseado em colaboração, por exemplo. Existem outros nomes e modelos, como o próprio Open Source, que é mais uma maneira de se resolver problemas no trabalho de maneira colaborativa.

Quando Page expôs o problema na parede da cozinha, ele não pretendia mostrar que o time era fraco ou incapaz, e sim evocar o espirito de colaboração em toda pessoa que entrasse no local.

Como Satell comenta, o Google é uma empresa com mais de 50.000 funcionários espalhados por mais de 40 países e é claro que tem sua estrutura organizacional. A diferença para o Google ser tão inovador e ser um dos lugares que a maioria das pessoas sonham em trabalhar, é que ele não deixa essa estrutura ditar o ritmo operacional.

Ao pendurar um problema na parede, Page diz “Não me interessa a estrutura. Temos um problema. Temos que resolver. Alguma ideia?”

Pense na maneira que você expõe seus problemas no trabalho, seja você um alto gestor, seja média gerência. Onde é a “parede da sua cozinha”?

As pessoas performam melhor em tarefas que gostam

Sempre escutei da minha mãe “Raphael, não existe nada na vida que você vá gostar 100%! Se você quer muito ter um porsche, vai ter que trabalhar muito. E mesmo se você gostar muito do trabalho, tenha certeza de que vai enfrentar diversos dias difíceis, cheios de tarefas que você não gosta.”

Embora existam coisas que não gostemos de fazer, precisamos encontrar aquelas que fazem as “chatas” valerem a pena. Vou além, se você é um gestor, tem que entender o que cada pessoa mais gosta e estimula-las a fazer aquilo, pois assim serão boas e trarão resultados.

No exemplo trazido do livro por Satell, normalmente quando temos problemas no trabalho logo buscamos quem julgamos “os melhores” ou “mais aptos” a resolver o problema. Mas Page entende que “o melhor” é aquele que tem interesse em resolver o problema, mesmo que ele seja extremamente técnico para o time de RH, por exemplo.

Mas o que aconteceu é que o time de “Motor de Busca” achou o problema relativamente simples e o resolveu para a outra unidade, ou seja, Page não escolheu o melhor, as pessoas se escolheram.

 

Grandes líderes passam a sensação de missão e propósito

“Nós cultivamos talentos e eles são nossa prioridade número 1”. Já escutei diversas vezes a mesma frase, seja de amigos gestores, palestrantes ou da época em que passava por processos seletivos em grandes empresas.

No Empreender Saúde nós pensamos da mesma maneira, queremos talentos e mais talentos. Mas algo que percebemos é que não adianta ter uma empresa cheia de talentos, se não temos uma cultura organizacional adequada.

Quando Page colocou o problema na parede da cozinha, ele acreditou que a cultura da empresa em resolver os problemas no trabalho em conjunto, iria aparecer. De fato apareceu, e a empresa ainda é reconhecida por manter uma cultura colaborativa, o que atrai os maiores talentos do mundo. Outras empresas também são assim, Heiniken, Apple, Red Bull, Coca-Cola e outras.

Entendo que tudo parece muito fácil, e que na prática o “buraco é muito mais embaixo”, mas precisamos começar a mudar o mindset do gestor para pensar mais na cultura da empresa. Trocar os pneus do carro em movimento não é tão fácil, mas necessário.

Raphael Gordilho

About Raphael Gordilho

Médico com MBA em Marketing, Raphael co-fundou a Live Healthcare, empresa responsável pelo Saúde Business Fórum, Healthcare Innovation Show e Portal SaudeBusiness.com. Em 2018 a empresa se juntou a Feira Hospitalar, no portfólio de saúde da UBM Brazil e posteriormente Informa Exhibitions. Hoje Raphael é Head of CX, onde é responsável pela experiência dos clientes em todos os canais digitais e offline.

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