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Como o Brasil trata a doença viral?

By 28 de julho de 2014 Mercado

Neste 28 de julho, dia mundial de combate às hepatites virais, as associações do setor fazem campanhas de conscientização e ações preventivas. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 500 milhões de pessoas no mundo carregam algum dos cinco vírus da doença.

A hepatite é a inflamação do fígado, uma doença que nem sempre apresenta sintomas. Os tipos B e C, são as causas mais comuns de cirrose hepática e câncer de fígado. Já a C é a forma mais grave da doença.

As hepatites virais são responsáveis por 1,4 milhão de mortes todos os anos no mundo. No Brasil, o Ministério da Saúde divulga esta semana informações e dados atualizados sobre a doença.

Atualmente, para todos os tipos, o tratamento é com feito com antivirais, basicamente o interferon e a ribavirina, com duração de 48 semanas. Em alguns casos, esses medicamentos podem ser combinados com inibidores de protease, que tem muitos efeitos colaterais e cura cerca de 50% a 70% das pessoas infectadas.

Hepatite C

A Associação Brasileira dos Portadores de Hepatite (ABPH) estima que cerca de 1,6% da população brasileira seja portadora da hepatite C, mas 90% dessas pessoas não sabem que carregam o vírus.

Segundo o gerente de Projetos da ABPH, Eduardo Tadeu Lima e Silva, até 1995 não era feito nenhum teste de hepatite em transfusões de sangue, “muitas pessoas foram contaminadas com hepatite C, não foram diagnosticadas e silenciosamente a doença foi progredindo e virou uma cirrose ou câncer hepático. Então, existe uma janela de portadores silenciosos que foram transfundidos e que não sabem que são portadores do vírus”.

Dessa forma, o presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), Edison Roberto Parise, explica que todas as pessoas que nasceram entre 1945 e 1970 devem realizar o teste para hepatite C.

“Hoje, há um controle maior nas transfusões. Com a chegada da aids e da hemofilia, os centros de doações passaram a fazer uma testagem mais específica. Então, o portador dificilmente vai transmitir, mas essas pessoas morrem se não identificadas a tempo”, disse Silva, explicando que a hepatite C só é reconhecidamente transmitida pelo sangue, em transfusões e compartilhamento de material perfurocortante.

Esperança

Uma nova droga, ainda em aprovação nos Estados Unidos, pode representar a cura para cerca de 95% dos pacientes com hepatite C, forma mais grave da doença, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), Edison Roberto Parise.

Segundo Edison Parise, uma segunda série de medicamentos já está em aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. “São dois novos medicamentos que têm uma baixa tremenda de efeito colateral, mas que ainda vão ser utilizados com interferon, em alguns casos”, disse ele, ao explicar que o tratamento deve durar 12 semanas, com um índice de cura de 80% a 90%.

Uma terceira geração de medicamentos, com o mínimo de efeito colateral, deve ser aprovada até o fim do ano nos Estados Unidos. “Nesse caso, o tratamento é totalmente sem interferon, mais curto, de oito semanas, e com um índice de cura de 90% a 100%. É uma mudança drástica no tratamento da hepatite neste ano, então precisamos aproveitar isso e captar o máximo de doentes.”

O tratamento contra a hepatite é feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e é bom, segundo o gerente da ABPH. “Tem todas aquelas coisas do setor público e as dificuldades de qualquer tratamento de alta complexidade, como aids, malária e câncer. Mas o paciente tem atendimento e acesso a medicamentos.”

Após a aprovação de novos medicamentos, a segunda fase é a inclusão do remédio no protocolo de tratamento do SUS. “O que nós vemos é que a hepatite C não tem o mesmo apelo da aids, por exemplo, mas é tão devastadora quanto, e o número de portadores é maior”, destacou Silva. “Nosso trabalho é tirar a hepatite do anonimato, divulgar que nós temos uma doença silenciosa, que, quanto mais tarde for descoberta, mais comprometido o fígado vai estar e maior vai ser o custo do tratamento para o Estado.”

De acordo ele, a hepatite C não é uma doença tão estigmatizada quanto a aids. “Fica essa coisa de achar que a pessoa que tem cirrose é alcoólatra, que tem vida sexual promíscua. Pelo contrário, a transmissão sexual é muito rara”. Já a hepatite B é considerada, sim, uma doença sexualmente transmissível.

Campanhas e cuidados rotineiros

As campanhas, para melhor informar à população, estão sendo direcionadas para as pessoas que têm 45 anos ou mais, principal alvo da hepatite C. Parise, da SBH, conta que na década de 70 e 80 era muito comum a automedicação em farmácias com antigripais e estimulantes por via endovenosa com seringas de vidro. Além das drogas injetáveis, a utilização de material não esterilizado por manicures, acupunturistas e até dentistas também ajudou a espalhar o vírus. “Então, mudamos a estratégia e chamamos na campanha todos as pessoas com mais de 45 anos, independente do histórico de exposição ao vírus”.

A ABPH vai oferecer de forma gratuita o teste rápido para a hepatite C nesta segunda-feira (28), em quatro terminais rodoviários de São Paulo – Tietê, Barra Funda, Jabaquara e Guarulhos. A associação, que sobrevive de doações, trabalha há três anos no acompanhamento e apoio a pacientes com hepatite.

Outros tipos

A higiene pode prevenir a transmissão do tipo A, que ocorre por ingestão de água e alimentos contaminados. Sempre lavar as mãos com sabão depois de ir ao banheiro, ferver a água em locais onde não há água clorada, higienizar os alimentos são algumas dicas evitar esse tipo de hepatite, doença que atinge o fígado.

Os tipos B e C, mais virulentos – que têm como principal forma de transmissão o contato com sangue e as relações sexuais – também podem ser evitados com maior cuidado em atividades corriqueiras. A coordenadora estadual de Hepatites Virais da Secretaria de
Estado de Saúde do Rio de Janeiro, Clarice Gdalevici, lembrou que garantir instrumentos esterilizados na manicure é uma forma de evitar o contágio.

Escovas de dente, aparelho de barbear, brincos, entre outros acessórios pessoais, não devem ser compartilhados, pois também podem ser transmissores da doença.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, além dos cuidados com a higiene, a vacinação é fundamental para a prevenção, sobretudo no caso da hepatite B que pode ser tornar crônica e manter a circulação do vírus na comunidade.

Não há vacina para prevenir a hepatite C – a mais severa desses três tipos mais comuns no Brasil, podendo causar câncer no fígado. A vacina contra a Hepatite A começou a ser fornecida, pelo Sistema Único Saúde (SUS), para crianças de 1 a 2 anos no mês passado. Crianças maiores, adolescentes e adultos podem ser vacinados em clínicas privadas.

A hepatite D é menos comum e depende da presença do vírus do tipo B para a infecção.
Já a hepatite E tem ocorrência rara no Brasil e é comum na Ásia e África. A transmissão é fecal-oral (patógenos das fezes tem contato com a boca), mais comum em áreas sem saneamento básico.

A hepatite E pode induzir uma taxa de mortalidade de 20% entre as mulheres grávidas em seu terceiro trimestre, segundo a OMS.

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