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Como aumentar a adesão ao tratamento em saúde populacional?

By 18 de novembro de 2014 Mercado

No evento realizado pela ASAP, que ocorreu na manhã de hoje, dia 18 de novembro, o tema discutido foi engajamento de pacientes em programas de saúde populacional. Dra. Elisabeth Gutierrez contou um pouco sobre os programas desenvolvidos na SulAmérica, com mais de 7 milhões de clientes e mais de 5 mil funcionários. 

O Saúde Ativa é um programa onde a Sul América faria um programa de promoção da saúde e de prevenção de doenças. Em 2002 ele foi criado e, em 2004, validado. A transição foi da gestão do sinistro para a gestão da saúde por completo e, dentre as ações, podemos considerar perfil de risco, palestras, vacinas e gestão de doenças crônicas, por exemplo. 

A intervenção dentro das empresas deve acontecer seguindo algumas variáveis: Adequada às necessidade encontradas, adequado ao estado de mudança comportamental da empresa, adequada aos recursos da empresa adequada ao estágio de mudança comportamental do indivíduo. 

Dentre os indicadores de adesão, é considerada a adesão da empresa, dos segurados, a desistência, taxa de adesão ao médico, adesão aos medicamentos, adesão a exames, mudança comportamental, taxa de assertividade, operacional/qualidade, clínicos, percepção do cliente, utilização dos serviços de saúde, financeiro, absenteísmo e produtividade. 

Para este tipo de programas, é preciso estar alinhado ao momento da empresa, já que elas têm diferentes tipos de indivíduos, interligado com o setor de comunicação e o de RH das empresas. Além disso, é importante aceitar que a mudança de rota é necessária, já que o programa deve ser adaptado de acordo com o feedback recebido.

A SulAmérica seguiu algumas ações para promover a adesão ao tratamento: a vivência da plataforma dentro de casa, onde aplicaram o programa na própria empresa; seleção de empresas para compor o piloto; comitê de engajamento formado por profissionais de diferentes áreas e; acompanhamento dos indicadores.

Os maiores desafios são configurados pelo envolvimento de todos os atores, participação crescente da área médica e melhora dos indicadores para melhor acompanhamento do programa.

Para realizar estas ações propostas por Márcia, precisamos, também, pensar nos fatores psicológicos relacionados ao engajamento. Ricardo Werner Sebastiani, Diretor da Nêmeton Centro de Estudos e Pesquisas em Psicologia e Saúde, falou sobre estes aspectos relativos à adesão ao tratamento e engajamento do paciente crônico e sua família.

Estamos em três transições na saúde, a demográfica, a epidemiológica e a do próprio cuidado de saúde. Dessas, as transições demográfica e epidemiológica são bastante importantes para o engajamento dos pacientes. Nos últimos 10 anos, o Brasil experimentou um aumento de 25% no número de habitantes com mais de 60 anos de idade. Até 2020, o Brasil será um dos cinco países do mundo com maior número de idades. Nossa população envelheceu em um período muito menor que países como a França, por exemplo, então estamos tentando correr atrás do prejuízo em termos de atenção de cuidado. 

Dentre enf. cerebrovasculares, câncer e infarto, o estilo de vida é o principal fator de risco para a ocorrência destas enfermidades. As patologias crônicas são responsáveis por 40% de todas as enfermidades. Segundo a OMS, até 2020, elas serão cerca de 60% das moléstias nos países em desenvolvimento. 

Segundo ele, a família deve ser considerada o segundo paciente a ser tratado, já que eles são de extrema importância no processo de engajamento, seja pela comida feita em casa, pela subestimação ou superestimação da doença ou, ainda, pelo curso que essa doença pode tomar. 

A doença crônica muda rotina e expectativas, impondo limites e perdas. Isso gera no paciente sentimento de impotência, medo, ansiedade e outros sintomas que afetam a vida do paciente e o profissional de saúde deve contribuir nessa elaboração da nova identidade nos programas de gestão de doenças crônicas. 

Para finalizar, Istvan Camargo, CEO do Cidadão Saúde, nos contou um pouco sobre seu trabalho com o engajamento digital dos pacientes. Segundo uma pesquisa da pew, no ano 2000, a maior população online era de e-patients saudáveis, mas, apesar de ter muita gente utilizando a internet para fins de saúde, a maior parte das buscas de saúde se referia aos casos episódios agudos. Os pacientes vão para a internet antes e após uma consulta, o que desenha este tipo de perfil de doenças agudas. Isso significa que o indivíduo não procura por muita informação de saúde, enquanto está saudável. 

Com a evolução da participação dos pacientes na internet, foram estruturadas redes sociais de saúde, em que os pacientes, os cuidadores e a família e, dentre estes perfis, segundo Istvan, é notado que os cuidadores fazem até mais uso que os próprios pacientes. 

A primeira tendência que surge disso é a hipereficiência da saúde, onde o paciente tem um controle muito maior de sua própria saúde. Quando se fala de hipereficiência, devemos considerar os dados, que te dão poder de predição, de big data e de learning machine. A segunda tendência é o colaboracionismo, onde o conteúdo publicado é formado a partir do data sharing e do uso desses dados para a análise de tendências e condições de saúde populacional.

A moderadora, Dra. Márcia, comentou sobre o comportamento dos pacientes, que não são o que as empresas esperam ao criar abordagens de intervenção em saúde populacional. Ela se mostra como uma crítica à relação direta feita entre saúde e produtividade, sendo que há diversos outros fatores que influenciam na performance e vontade do indivíduo em seu ambiente de trabalho. 

Precisamos pensar no paciente holisticamente. Quando vemos o genoma, por exemplo, ele não consegue explicar nem 15% das 50 milhões de mortes que ocorrem todos os anos; o estilo de vida não consegue, sozinho, explicar tudo o que acontece na saúde do paciente e há um fator pouco considerado, mas que deve ser extremamente valorizado, que é o ambiente em que o paciente está inserido: sua família, seu trabalho, sua cidade e todos os aspectos relacionados a eles.

Dentre todas as considerações, se fortalece a ideia de que a personalização é necessária. O Brasil é um país de dimensões continentais com realidades diversas e os serviços de gestão de doenças e de saúde populacional devem ser baseados nessa personalização, desde suas influências assistenciais até as influências digitais e tecnológicas. 

Nathalia Nunes

About Nathalia Nunes

Fonoaudióloga formada pela FMUSP, com MBA em Economia e Gestão em Saúde na UNIFESP e apaixonada por comunicação, negócios e tecnologia em saúde. Na Live, trabalho com Marketing, Pesquisa e Conteúdo, tanto na produção de materiais editoriais e de pesquisa, quanto na difusão de temas e ações relacionados a negócios em saúde.

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