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As dificuldades do senhor Joaquim Levy

By 21 de agosto de 2015 Colunas, Mercado
Joaquim_Levy

Para quem ainda não sabe, a este cidadão foi dada a tarefa de (tentar) consertar a economia brasileira, que vive uma recessão, possui déficit fiscal de 6,7% do PIB, e ainda está às voltas com um grande “imbróglio” político entre os poderes constituídos.

E quem é Joaquim Levy? Ele é um Engenheiro Naval formado pela UFRJ com Mestrado em Economia pela FGV Rio (1987) e um PhD em Economia pela University of Chicago – USA (1992). Exerceu cargos técnicos no FMI, no BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e mais recentemente no Ministério do Planejamento no Brasil.

E como está o País, ora entregue às mãos de Joaquim Levy? Bem, aqui a coisa complica. O primeiro grande problema chama-se déficit fiscal. E o que vem a ser isto? Também conhecido como déficit público, refere-se a uma situação onde as despesas para custear todas as dívidas do governo são maiores que as receitas para fazer frente a elas.

E porque o déficit público cresce? Porque quando as despesas são maiores que as receitas e a máquina não para de funcionar, esta dívida vai sendo financiada de alguma forma. Dentre as formas mais cruéis de financiamento deste déficit está a inflação. O governo quer inflação?

Não. Mas precisa dela pois ela desvaloriza a moeda (que o governo deve) em relação aos demais bens (que a economia produz).
A outra forma de se financiar o déficit é o que se chama de rolagem da dívida. Emitem-se títulos da dívida pública para vender no mercado (que as pessoas compram no Tesouro Direto e os bancos compram diretamente) e com isto, paga-se a dívida de hoje com recursos de amanhã. Só que quando o déficit corrente também está crescendo, isto vira uma bola de neve.

Ai entra o Levy. Ele precisa reduzir o déficit, mas este déficit existe porque se gasta mais do que se arrecada. Portanto, só existem duas coisas a se fazer: reduzir gastos e / ou aumentar receitas.

E quais as dificuldades de cada uma dessas coisas? Pelo lado do aumento da receita, está meio difícil disto acontecer. Uma receita cresce quando a economia cresce e a brasileira está em recessão. Com isto, cai a principal fonte de arrecadação do governo que provêm da carga tributária. Esta pode crescer de duas formas: ou com crescimento econômico ou com aumento de tributos. Uma não está acontecendo e a outra não é possível de se implementar por várias razões.

E pelo lado da despesa, há que se cortarem gastos. As MPs (Medidas Provisórias) 664 e 665 estão tentando cortar alguns gastos. Mas precisam ser votadas. E não dá para se dizer que o legislativo esteja disposto a vender barato esta ajuda.

O argumento do legislativo é pertinente. Corte de gastos reduz a renda, enfraquece o comércio e faz cair a arrecadação tributária (que precisa crescer). O governo tenta desesperadamente atrair recursos externos através do aumento sistemático da taxa básica de juros (SELIC), já em 14,25% ao ano. Mas para isto, os agentes (internos e externos) precisam acreditar no governo e na economia. A elevação da taxa SELIC aumenta o juros ou serviço da dívida, que hoje está em 6% do PIB. E o câmbio se ajustou a esta nova realidade, para desespero dos que querem ou precisam ir ao exterior. Bom para quem exporta, péssimo para quem importa (inclusive insumos).

Este é o quadro que tenta equacionar o senhor Levy. Um técnico às voltas com negociações com o Congresso, tentando resolver os problemas econômicos de um País cujo governo apresenta índices baixíssimos de popularidade e principalmente de credibilidade. Isto para não falar de escândalos, corrupção, tráfico de influências e um ambiente interno beirando o insano.

Será que ele consegue vencer esta batalha??? O tempo responderá…

José Carlos de Souza Filho

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