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A pior consequência da crise COVID-19 na saúde é o impacto direto na rede ambulatorial particular no Brasil

By 4 de maio de 2020 Colunas, Destaques, Mercado

Serviços de Saúde Particulares Dominam o Cenário Ambulatorial da Saúde no Brasil

Fonte: Geografia Econômica da Saúde no Brasil

Além de requerer para ele todos os leitos de UTI existentes, impactando toda a infraestrutura da ata complexidade na saúde, o COVID-19 impactou também a baixa e média complexidade levando o atendimento ambulatorial eletivo à beira da extinção.

Uma pandemia deste tipo impõe reflexos diferentes na sustentabilidade dos ambulatórios dependendo do tipo de fonte pagadora vinculada à prestação dos serviços.

(*) Todos os gráficos são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil – Edição 2020

Em 2019 foram contabilizados no CNES 547.794 serviços de saúde do tipo ambulatorial:

·         Lembrando que aqui estão tabulados os serviços de saúde. Um estabelecimento de saúde, ou uma unidade de saúde, pode embarcar diversos serviços de saúde. Por exemplo: uma “Clínica” pode oferecer serviços de internação e ambulatorial … para pacientes particulares e para planos de saúde. Portanto a quantidade de serviços de saúde é muito maior do que a quantidade de estabelecimentos, e de unidades de saúde;

·         Um crescimento de 14,9 % em apenas 2 anos mostra a força deste importante segmento de mercado;

·         Considerando que cada serviço destes emprega muitas pessoas, direta e indiretamente, dá para se ter a noção do mercado de trabalho envolvido em meio milhão de serviços de saúde deste tipo.

Como gráfico demonstra, os serviços de saúde que atendem particulares são os protagonistas:

·         Quase metade deles atendem pacientes particulares;

·         Este é um dos indicadores que sinalizam ser a saúde suplementar não regulada maior que a saúde suplementar regulada pela ANS.

Os serviços de saúde que atendem SUS representam apenas 16,9 % do total:

·         Mesmo assim são 92.344;

·         E na média são serviços de saúde muito maiores que os demais. Enquanto temos na saúde suplementar uma grande quantidade de consultórios isolados com apenas 1 médico, 1 dentista, 1 psicólogo … no SUS isso é raridade … temos ambulatórios grandes, e as vezes gigantescos. Por exemplo: na Cidade de São Paulo existe um serviço que só atende SUS próximo ao Centro da Cidade (Várzea do Carmo) dito como sendo o maior ambulatório da América Latina e do Hemisfério Sul … são milhares de consultórios médicos em um mesmo serviço;

·         E o volume de serviços deste tipo continua crescendo no SUS … em 2 anos foi contabilizada uma evolução de 6 % !

Em uma pandemia do tipo COVID-19 a maioria desses serviços fica ociosa, mas mantendo sua sustentabilidade financeira porque na maior parte dos casos o financiamento SUS é contratualizado – não é feito contra apresentação de contas.

Para atender particulares foram em 2019 contabilizados 263.491 serviços:

·         Um impressionante aumento de 16,2 % em apenas 2 anos;

·         Estes serviços são os mais afetados em uma situação de afastamento social;

·         Muitos deles não conseguirão se sustentar com a redução do volume de atendimento, ou pelo menos terão que adotar medidas drásticas de redução de custos, desde a mudança do local por outro de menor custo de aluguel, passando pela junção com outro, até a demissão de funcionários.

Estes gráficos demonstra a quantidade e evolução dos serviços que atendem planos de saúde públicos e privados:

·         Juntos somam 190.852 … em 2017 eram 162.340, ou seja, tiveram uma evolução de 17,5 % … maior que a dos particulares;

·         Parte deles são próprios das operadoras e outra parte são de particulares que atendem planos de saúde – o segundo grupo está sujeito ao mesmo problema de sustentabilidade frente em situação de afastamento social dos que atendem particulares !

E temos 980 serviços de saúde que ofertam gratuidade no cadastro do CNES:

·         Este número tem um grande viés … uma parcela importante dos que realmente existem não está no cadastro, porque não há motivação econômica importante para isso;

·         Mas existe uma “onda” real de expansão destes serviços incentivada por motivos de imagem institucional e enquadramento fiscal de estabelecimentos de saúde, por isso o índice elevado de 175,3 % em apenas 2 anos;

·         Com um cenário econômico geral muito crítico, não é possível estimar como vai se comportar a curva de evolução deste tipo de serviço em 2020.

No geral temos uma grande prevalência no Brasil de serviços de saúde ambulatoriais que sobrevivem atendendo pacientes particulares e de convênios (planos de saúde):

·         Estes serão os tipos de serviços de saúde que mais terão dificuldade de sustentabilidade;

·         E não existem indícios de que os governos se movimentem no sentido de dar algum tipo de apoio financeiro efetivo para eles;

·         Por razões históricas bem conhecidas os governos vão se concentrar no apoio à população de baixa renda e informais;

·         Os pequenos empreendedores da área da saúde, infelizmente, continuarão contando consigo mesmos para equacionar sua sustentabilidade.

Enio Salu

About Enio Salu

Histórico Acadêmico·  Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo·  Pós Graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo·  Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas·  Professor em Turmas de Pós Graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta·  Coordenador Adjunto do Curso de Pós Graduação em Administração Hospitalar da Fundação UnimedHistórico Profissional·  CEO da Escepti Consultoria e Treinamento·  Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas·  Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares·  CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor/Fundação Zerbini, e Superintendente da Furukawa·  Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação·  Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas·  Associado NCMA – National Contract Management Association·  Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde·  Autor de 12 livros pela Editora Manole, Editora Atheneu / FGV e Edições Própria·  Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado