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8 razões pelas quais a inovação não dá certo nas empresas

By 31 de dezembro de 2014 Mercado
Inovação nas empresas de saúde

O seguinte material tirei de um artigo um pouco antigo de John P. Kotter, da Harvard Business Review intitulado “Liderando mudanças”. Apesar de antigo, percebi que era completamente aplicável hoje em dia, em que a inovação é a pauta do dia. As regras são dele e os comentários, em sua maioria, são meus.

Erro #1: Não definir um real senso de urgência
Tive uma empatia especial por esse erro. Infelizmente/felizmente, percebi cedo que as pessoas em geral são empurradas para fazer as coisas pois precisam desse “empurrão” para sair da zona de conforto. O senso de urgência é uma ferramenta sutil, inspiracional, que foca e espera o resultado, e move as pessoas a fazerem as coisas pra ontem. Mais do que apresentar a realidade, simular o próprio caos, faz com que as pessoas adotem esse sentimento e apresentem resultados muito acima do esperado. Além disso, para muitos gestores, os motivos para uma mudança estão tão claros que eles não explicam aos seus subordinados os porquês e eles ficam perdidos e desmotivados, não se comprometendo efetivamente com aquelas mudanças. O senso de urgência explica os motivos de se tomar uma decisão além de colocar prioridade na execução em si.

Erro #2: Não criar uma coalizão orientadora suficientemente poderosa
Esse é o ponto mais importante. Sem um time que lute forte lutando pela mudança, ela não vai longe. Geralmente o movimento começa com uma ou duas pessoas (Empreender Saúde-like), mas esses devem buscar parceiros em todos os níveis hierárquicos, dentro e fora de seu ambiente. Em algumas empresas, esses grupos decididos a mudar formam grupos de discussão semanais ou seminários fora da empresa.

Erro #3: Falta de visão
O calouro entra na faculdade de medicina e persevera durante 6 anos porque tem na cabeça a sua própria imagem de jaleco, estetoscópio e carimbo CRM 6 anos depois. E ele se apega a esse imagem durante todo esse tempo. Muitos projetos falham porque apesar das boas idéias, do caráter revolucionário, as pessoas envolvidas não tem uma imagem do projeto no futuro (do que estão buscando), ou tem imagens completamente diferentes entre si, ou seja, dissipando energia da equipe buscando coisas diferentes.

Erro #4: Comunicar a visão de maneira extremamente deficiente
Aqui dois pontos merecem atenção: a frequência e a maneira de comunicar a visão. Muitos fazem uma única reunião para comunicar uma mudança (0,0001% da comunicação anual da empresa) e esperam revoluções. Em relação aos modos de comunicação da nova visão, usar todos os meios de comunicação tradicionais é importante, mas o que de fato comunica a mensagem é o comportamento dos diretores. Se a inovação não estiver sendo praticada pelos diretores, palestras motivacionais e caixinhas de sugestão serão inúteis (elas são de fato úteis at all?).

Erro #5: Não eliminar os obstáculos à nova visão
Quando Bill Bratton assumiu a Policia de Nova York no auge da criminalidade, queria aumentar o número de prisões para que a policia começasse a ser mais respeitada e os criminosos voltassem a temer serem presos. Os policias também queriam isso, mas cada vez que prendiam alguém, demoravam 16 horas para fazer todo o processo de prisão, o que entediava os policiais e os fazia evitar a prisão no caso de pequenos delitos. Colocando mais postos de apreensão (“ônibus de apreensão”) e simplificando a burocracia, reduziu esse tempo para de 16 para 1 hora, o que fez com que o número de crimes em geral caísse 17% e a aprovação da polícia de Nova York subisse de 37% para 73%. Mesmo o mais empreendedor alpinista pode desistir frente à algumas montanhas no seu caminho.

Erro #6: Não planejar sistematicamente e não criar vitórias de curto prazo

Erro #7: Declarar vitória antes do tempo
Quando são colocadas metas muito altas ou muito distantes, pode-se perder o senso de urgência ao longo do tempo, além de desmotivar e gerar descrédito pela meta. Dividi-la em pequenas metas aumenta o senso de urgência, injeta ânimo nos colaboradores e permite controle do processo de transformação. “Cantar vitória” antes do tempo também cria uma visão positiva distorcida da realidade e tira o senso de urgência.

Erro #8: Não ancorar as mudanças na cultura da empresa
O último passo e o último erro do processo de inovação é não incorporá-la ao “conhecimento” da empresa. Se as mudanças não são passadas para a próxima geração, se os critérios de seleção e mérito não atendem as novas exigências, se o novo modo de fazer não se torna “O” modo de fazermos, os processo voltam a ser como eram, matando a inovação.

Vitor Asseituno Morais

About Vitor Asseituno Morais

Médico formado pela UNIFESP, concluindo MBA em Finanças pela FGV. Médico atuante em hospitais públicos e privados, e ex-Médico da Força Aérea no ITA. Já trabalhou com investimento anjo e venture capital para early stage no Brasil e nos EUA. Membro Titular da SBIS, do HL7 International, da ISPOR e da Associação Americana de Marketing. Palestrante convidado para eventos como MEDICA, HIMSS, Hospitalar, JPR, SBPC, Campus Party, entre outros.

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