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2016: a importância da gestão do faturamento e dos custos

By 30 de novembro de 2015 Colunas, Mercado

Já há alguns anos “eu e meus amigos ranzinzas”, nesta época do ano, demonstramos nosso desânimo com o que aconteceu no ano passado, e projetamos um ano seguinte pior, pela absoluta falta de planejamento global do sistema de financiamento da saúde no Brasil.

Sempre dizemos, este ano que termina só será melhor que o seguinte … e aconteceu novamente.

Alguns números retirados dos cadernos da ANS e do IBGE são assustadores – escolhi os gráficos abaixo para demonstrar minha angústia:

fig1

O % de crescimento de beneficiários na saúde suplementar nos 4 anos formaliza queda. Note-se que ainda não temos o número de 2015 que sabemos será ainda menor. Como os custos com a assistência médica crescem conforme a idade do cidadão se eleva, o sistema foi definido de modo que os mais jovens, que usam pouco o sistema, financiem os mais velhos, que usa muito. Enquanto o volume de adesão era crescente o sistema se auto financiava – com a queda o sistema vai agoniando em colapso (a Unimed Paulistana que o diga).

A queda de beneficiários na Saúde Suplementar aumenta a quantidade de usuários do SUS, que depende de aumento de receita de impostos. Todos sabemos que 2015 foi péssimo para a economia, com retração de captação nos tributos, ou seja, a “mesada” ficou a mesma, e o que vimos: redução de oferta de leitos eletivos em hospitais públicos, redução no fornecimento de leite especial e filas cada vez maiores.

Infelizmente quem se dedica a cuidar da saúde da população está “engessado” pelo cenário político, e pela “enxurrada” de escândalos que “levam da economia para a UTI”. E não aparece um único “cristão” para dizer: briguem à vontade, mas não se esqueçam que saúde, alimentação, educação, segurança e transporte não podem “ficar à mercê” disso tudo.

Quem está pensando em garantir mínimas condições de trabalho para quem “milita” nestas disciplinas ?

Este ano acabou e não temos uma única ação que demonstre que 2016 não seja pior.

fig2

O percentual de crescimento da receita e da contraprestação (despesa básica) das operadoras em 2014 já é ruim, e a tendência ao fechar o número de 2015 e projetar 2016 é de caos.

fig3

A comparação da evolução dos dependentes do SUS em relação a inflação e ao crescimento do PIB demonstra que 2014 foi ruim, e quando fechar 2015 e projetarmos 2016 indica que vai faltar tudo – a única coisa que vai aumentar é a fila !

Se você trabalha em hospital ou operadora de planos de saúde, e está envolvido no planejamento estratégico do ano que vem, segue o conselho de que para tudo que estiver sendo proposto, seja rigoroso ao questionar:

  • Isso aumenta a receita ?
  • Isso preserva a receita (evita que caia) ?
  • Isso reduz custo ?
  • Isso controla o custo (evita que suba) ?

 

Se você não conseguir uma resposta SIM justificável para pelo menos 1 das 4 perguntas, só mantenha isso no plano se for algo imprescindível para o tratamento e segurança do paciente … senão … esqueça – não é hora de pensar nisso !

Todo ano peço que as pessoas que comandam a saúde no Brasil sejam iluminadas – necessitamos muito deles – e neste ano não será diferente: rogo para que surja alguém que consiga tirar a saúde do “engodo” político que se insere, e que consigamos ver pelo menos “a luz no fim do túnel” em 2016 !

Enio Salu

About Enio Salu

Histórico Acadêmico·  Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo·  Pós Graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo·  Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas·  Professor em Turmas de Pós Graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta·  Coordenador Adjunto do Curso de Pós Graduação em Administração Hospitalar da Fundação UnimedHistórico Profissional·  CEO da Escepti Consultoria e Treinamento·  Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas·  Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares·  CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor/Fundação Zerbini, e Superintendente da Furukawa·  Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação·  Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas·  Associado NCMA – National Contract Management Association·  Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde·  Autor de 12 livros pela Editora Manole, Editora Atheneu / FGV e Edições Própria·  Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado

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