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Precisamos propor um casamento entre programas?

By 5 de dezembro de 2014 Hospital
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Busquei no MeSH (vocabulário médico da Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA) e no seu derivado trilíngue, o DeCS. Porém não encontrei. Procurava uma definição de Programa de Atenção à Saúde ou Programa de Saúde.

Existe sim o termo “Programa”: Trabalhos que consistem em listas de eventos, peças, artistas, oradores, etc., de um entretenimento, cerimônia ou semelhantes.

Não parece se aplicar, não é mesmo? Seria um descritor usado para classificar um tipo de publicação.

Bem, uma busca leviana no Google também não me respondeu a pergunta.

Se alguém fala sobre um Programa de Imunização, é possível entender do que se trata. Visualiza-se algo como um conjunto de ações destinado a aplicar vacinas direcionadas a uma determinada faixa etária ou uma doença específica.

É possível imaginar também que um programa tenha calendário definido, com uma sequência ordenada de eventos – com objetivos e metas. Porém um termo com tantos sinônimos pode gerar confusão. Pergunte a alguém da área de TI o que é um programa e ele seguramente terá uma compreensão bem distinta.

Um programa de informática destinado a atender a um Programa de Saúde, desta forma, torna-se algo um pouco mais complexo de compreender. Como deveria ser um sistema deste tipo?

A empresa americana Welldoc lançou em agosto deste ano o Bluestar, aplicativo destinado ao manejo do diabetes tipo 2. Argumentou-se que seria a primeira aplicação mobile aprovada pelo FDA passível de reembolso por parte das operadoras, por se tratar de um tratamento prescrito por médicos, assim como um medicamento ou outro tratamento qualquer.

Apesar de estar disponível nas stores, o acesso ao Bluestar é restrito a funcionários das empresas que contratam o plano (como a Ford e outras). Não sabemos, portanto, como funciona exatamente o aplicativo.

No entanto, existem dezenas ou até centenas de aplicativos para diabéticos.

Ajudam no controle da dieta, nas tomadas de medicação ou aplicação de insulina. Podem fazer uma curva com as medidas de glicemia registradas e até dar dicas de cuidados com os pés. Geram alertar sobre a necessidade de realizar exames ou consultar um especialista. Permitem colocar o paciente em contato com outras pessoas com o mesmo problema de saúde ou ajudá-lo a encontrar lojas especializadas perto de sua casa. Talvez possibilitem o contato entre paciente e médico.

Porém, como seria uma solução para cuidado integral com a saúde do diabético? Que recomendações daria? Baseadas em que protocolo? Que tipo de interação com o usuário seria estabelecida para conseguir mudar seu comportamento? Um aplicativo pode realmente ajudar um indivíduo mudar hábitos de vida? Finalmente, a pergunta mais importante (e talvez um pouco frívola), cuja resposta todo gestor gostaria de saber: qual o ROI observado na prática?

Apenas para se ter uma idéia de valores, a Audax (startup americana que atua mais na linha de bem-estar e gamificação para promoção de saúde) já havia levantado nada menos de 55 milhões de dólares de investidores quando foi adquirida majoritariamente pela gigante United Health, no início do ano.

No Brasil, temos o exemplo da Qeepme, que elegeu as gestantes para serem o público-alvo de seu primeiro produto, o Programa Canguru Pré-natal. As grávidas são usuárias com grande potencial de engajamento e abertas a mudanças de comportamento em prol da saúde. A gestação tem início, meio e fim – permitindo uma rápida avaliação dos resultados. A empresa disponibilizou um aplicativo gratuito para as gestantes há poucos meses e já relata métricas positivas, como adesão precoce ao pré-natal e detecção oportuna de gestantes de alto risco.

Se a palavra programa tem diversos significados, podemos escolher dois deles e propor uma fusão. Promover o encontro do estado da arte da tecnologia da informação com o cuidado humanizado para com a saúde (seguramente insubstituível). Porque não?

Não é coincidência que o termo usado para qualificar a correlação de programas de informática aos processos existentes seja “aderência”. Idealmente, no universo da tecnologia da informação aplicada à saúde, programas devem ser aderentes aos cuidados prestados.

Estes dois conceitos de programa merecem um casamento.

Um casamento, pelo bem das pessoas, necessário.

E seguramente com boas chances de ser feliz.

Gustavo Landsberg

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