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P4P: bônus por desempenho aumenta qualidade e reduz custos

By 4 de setembro de 2015 Gestão, Hospital, Mercado

Embora muito se fale sobre o esgotamento do modelo fee for service e a necessidade de se buscar outros modelos de remuneração, o pagamento por performance ainda esbarra em dficuldades como o estabelecimento de metas e métricas de qualidade, distorções de conceito e coleta de dados clínicos ruins, que impedem a avaliação do atendimento. Em entrevista ao Saúde Business, César César Abicalaffe, Presidente da 2iM Inteligência Médica defende o pagamento de bônus por desempenho para vencer essas resistências e garante que a própria redução de desperdícios garante esse pagamento adicional. O especialista é membro da comissão científica do 3º Simpósio de Pagamento por Performance e lançará seu livro durante o Hospital Innovation Show.

 

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Saúde Business: Por que o pagamento por performance não decola no Brasil?

César Abicalaffe: A implantação tem uma série de desafios e dificuldades. Primeiro, cito os desafios culturais, de se estabelecer uma avaliação de desempenho e trabalhar com os médicos de forma individual. Depois, temos o falso conforto do status quo. Ninguém gosta de mudar, só se muda com uma grande ruptura, como a quebra do sistema, por exemplo. Além disso, há uma resistência ao modelo por quem confunde pagamento por performance com consulta bonificada. O último modelo é muito centrado em custos, quando o certo é focar na qualidade e entregar mais valor ao paciente. Dúvidas conceituais como essas geram obstáculos para a adoção do modelo. Na parte operacional, dados clínicos ruins, gerados por sistemas de informação voltados prioritariamente para a conta médica, nos impedem de avaliar a entrega dos serviços.

 

Saúde Business: O P4P vem para substituir o fee for service?

César Abicalaffe: O P4P não é um modelo para substituir o fee for service, ele é complementar. A ideia é que, além da tabela de honorários, haja um bônus de acordo com o desempenho, um adicional para premiar a qualidade. E isso, não necessariamente, vai onerar o sistema. Se analisarmos com cautela, os desperdícios são grandes. Para se ter uma ideia, nos Estados Unidos, o índice chega a 30%. A prática demonstra que se o hospital buscar eficiência, vai reduzir os custos com sub e superutilização dos recursos, então, o modelo acaba se pagando. E um grande motivador para o aumento da eficiência é o modelo de remuneração por desempenho, que estimule médicos e equipes assistenciais a trabalhar dentro das diretrizes e dar alta no horário certo, por exemplo.

 

Saúde Business: Falando sobre diretrizes, gostaria que você explicasse de que forma os DRGs (Diagnostic Related Groups – Grupos Relacionados de Diagnóstico, da sigla em inglês) podem contribuir para essa mudança em prol da qualidade e redução do desperdício.

César Abicalaffe: O DRG é um primeiro passo importante para a mudança do modelo de pagamento no Brasil, porque padroniza o atendimento. É como o sistema de informações hospitalares do SUS melhorado, com ajustes de risco. Os hospitais de referência estão começando a organizar o faturamento para gerir melhor seus recursos. É interessante observar que, no mundo, as iniciativas de DRG vieram do lado da fonte pagadora e, aqui, estão partindo dos hospitais, que buscam, com protocolos, reduzir os tempos de permanência e aumentar a rotatividade dos leitos, para assim realizar mais procedimentos. Dessa forma, o nível de informação também vai melhorar, o que contribuirá para a melhoria da gestão clínica e assistencial.

 

Saúde Business: Estimulados pela ANS, grupos de trabalho que reúnem prestadores de serviços e operadoras têm estudado alternativas de remuneração, como os procedimentos gerenciados, similares ao pagamento por pacotes, e a diária global, que lembra o fee for service, mas traz um pouco mais de previsibilidade para a operadora. Qual é sua opinião sobre esses modelos?

César Abicalaffe: Há dois modelos de pagamento: o prospectivo, em que se conhece o custo antes que o evento ocorra, como é o caso dos pacotes, e o retrospectivo, que não tem previsibilidade, como o fee for service que temos hoje, que é um cheque em branco na internação. Os dois acabam sendo nocivos para a qualidade. No fee for service, quanto mais complexidade e produção, ou seja, quanto mais o quadro do paciente se agrava, mais o prestador de serviços ganha. No caso do pagamento fixo, como o que acontece com médicos assalariados, no pagamento por pacote ou nos Diagnostic Related Groups (DRG – Grupos Relacionados de Diagnóstico, na sigla em inglês), há risco de subtratamento: uso de materiais com menos qualidade, alta antes do momento apropriado, menos requisição de exames, etc. Por isso, o P4P vai medir a qualidade assistência, para eliminar ou inibir o risco de serviços ruins, independentemente do modelo de pagamento. Essa tendência já está sendo observada nos EUA, que adicionou o P4P aos pagamentos por pacote e ao DRG.

 

Serviço – A Live Health Care Media convida você a participar desse debate no 3º Simpósio de Pagamento por Performance, que acontecerá dentro do Hospital Innovation Show, nos dias 28 e 29 de setembro.

O quê: 3º Simpósio de Pagamento por Performance

Onde: Hospital Innovation Show – Centro de Convenções Rebouças (Av. Rebouças, 600 – Pinheiros, São Paulo – SP – CEP 05402-000)

Quando: 29 de setembro de 2015

Tags: Hospital Innovation Show, modelos de pagamento, P4P, pagamento por performance, DRG, gestão em saúde

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Cylene Souza

About Cylene Souza

Mãe da Eva, Cylene Souza é prática e acelerada por natureza e necessidade. Iniciou sua carreira de jornalista no Jornal da Tarde e atuou por oito anos na IT Mídia, primeiro como editora de saúde e, posteriormente, como editora de eventos, na liderança do conteúdo do IT Forum, Saúde Business Forum e IT Business Forum. Acumula conhecimento na produção de revistas, sites e eventos. Tem pós-graduação em Comunicação com o Mercado pela ESPM e em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. É co-fundadora da Integrare - Marketing de Conteúdo 360º.

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