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Inovação e novas perspectivas: criopreservação e transplante de tecido ovariano

Grupo Santa Joana aborda tema para multiplicar conhecimento e compartilhar informações para gerar troca de experiência com todo corpo clínico

O Grupo Santa Joana, que é referência no país e contempla as maternidades Santa Joana, Pro Matre e Santa Maria, está sempre em busca de inovações e aprimoramento, bem como de promover troca de experiências entre médicos e especialistas das mais diversas áreas. Periodicamente, realiza o programa ‘Doutores no Assunto’, sendo que as reuniões têm como objetivo a multiplicação de conhecimento e tecnologia, além do compartilhamento de informação entre todo seu corpo clínico.

Na última terça, 10 de março de 2020, em São Paulo, para marcar a discussão em torno da Criopreservação e Transplante do Tecido Ovariano (CTTO) aplicada às diversas áreas da Medicina, como preservação da fertilidade na oncologia e doenças benignas, bem como na preservação da fertilidade com objetivos reprodutivos em mulheres saudáveis, a convidada Christiani Amorim, Professora da Universidade Católica de Louvaina e Pesquisadora Qualificada do Fundo Nacional de Pesquisa da Bélgica, apresentou diferentes aspectos e indicações da técnica inovadora.

A criopreservação do tecido ovariano é indicada para meninas antes da puberdade, para pacientes que não podem ser estimuladas com hormônios ou para aquelas que precisam começar o tratamento quimioterápico com urgência, não tendo tempo para aguardar a indução da ovulação (que demora de 12 a 14 dias) e, então, fazer o congelamento de óvulos, por exemplo. Assim, o procedimento pode ser adotado como estratégia para retardar a menopausa em mulheres saudáveis, resultando na melhora da qualidade de vida, ou uma alternativa para mulheres que desejam engravidar espontaneamente no futuro ou após determinado período depois do tratamento oncológico.

Os fragmentos do ovário são congelados por tempo indeterminado e, posteriormente, reimplantados no organismo da paciente para que ela consiga recuperar seu ciclo menstrual e, após ser liberada, possa vir a tentar uma gravidez espontânea. Quando isso acontece, o tecido pode demorar cerca de quatro meses para voltar a funcionar, recuperando suas funções hormonais. A partir daí, é possível que aconteça a ovulação e a tão esperada fecundação. Se a paciente tiver trompas normais, ela pode engravidar naturalmente.

A especialista da Universidade Católica de Louvaina, por meio da técnica de criopreservação e transplante de tecido ovariano em pacientes com doenças oncológicas ou não oncológicas, apresentou resultados de restauração da função ovariana em mais de 90% dos casos e já realizou mais de 150 nascimentos. O procedimento ainda não é realizado no Brasil, mas se aproxima para ser mais um recurso de tratamento no campo da medicina reprodutiva, área que pesquisa constantemente soluções para mulheres e famílias com desejo de gerar filhos. Com isso, estima-se que a chance de uma gestação por meio da técnica seja por volta de 29% a 41% – o que é mais uma esperança para mulheres que encaram um câncer em idade reprodutiva, por exemplo.

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