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Tecnologia na Saúde: vilã ou mocinha dos surtos de doenças erradicadas?

Doenças como sarampo e poliomielite, consideradas controladas ou mesmo erradicadas, voltaram a preocupar os gestores de Saúde brasileiros em 2018. Mesmo com a campanha de vacinação ativa em todo o território nacional, dados do Ministério da Saúde dão conta que apenas 50,83% das crianças foram vacinadas contra a poliomielite e 51,35% contra o sarampo até agosto. E essa cobertura vacinal vem caindo continuamente nos últimos anos. O alerta é ainda maior porque foram registrados seis óbitos por sarampo no País desde o início de 2018. Especialistas avaliam que a tecnologia na Saúde pode ser tanto a vilã quanto a mocinha desse cenário.

O professor Fernando Arruda, coordenador adjunto do curso de Medicina da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), explica que os desafios ocasionados pelo retorno dessas doenças são grandes porque elas são infectocontagiosas. “É por isso que a vacinação é tão efetiva no controle: a partir do momento em que a pessoa está imunizada, ela não contrai nem transmite o vírus”, explica. O professor ainda comenta que as doenças foram erradicadas no Brasil porque, na década de 1980 e 1990, a campanha de vacinação foi amplamente aceita pela população. “Nesses anos a cobertura vacinal foi alta. Por mais que houvessem casos de outros países, não havia contaminação no território brasileiro. Com o tempo, a cultura da vacinação enfraqueceu  e, por conta da facilidade de se viajar entre os países, os casos voltaram a aparecer”, esclarece.

Uma das causas para a baixa cobertura vacinal, segundo Arruda, é a expansão de uma tecnologia simples e eficaz de comunicação: as mídias sociais. “As campanhas são as mesmas, as vacinas estão disponíveis. Por que os pais não estão levando as crianças para tomar a vacina? As causas estão nas redes sociais, onde são disseminadas as chamadas fake news da Saúde. Existem algumas linhas de raciocínio naturalistas que dizem que as vacinas são danosas para o ser humano. E uma parte da população se definiu contra a vacinação.”

Arruda lembra que a medicina é baseada em evidências e não deixa dúvidas quanto à efetividade da imunização. O problema é que essas falsas informações são transmitidas continuamente e agora os danos começaram a aparecer. Nesse sentido, a tecnologia se mostra a vilã da história.

Por outro lado, ela também pode ajudar a reverter esse quadro. Sistemas coletam dados populacionais com eficácia, permitindo o levantamento e mapeamento de surtos, além de otimizar o controle de vacinação.

Para o professor, essas ferramentas são cruciais no combate à situação. “A tecnologia, em especial a inteligência artificial e o big data, tem potencial de desencadear processos. A partir do momento em que há um conjunto de sintomas que caracterizam o sarampo, sabe-se como proceder para tratá-lo. A digitalização de dados também permite criar notificações, além de saber detalhes como para onde a pessoa viajou, em que região mora e, assim, direcionar esforços para o combate às doenças”, explica o especialista.

Mas, segundo ele, o engajamento das pessoas em relação às vacinas é a principal maneira de acabar com esses surtos. “A tecnologia na Saúde também pode ajudar a disponibilizar as informações corretas para que as pessoas entendam a importância da imunização. É um processo educativo que precisa ter as organizações como autoras para gerar confiabilidade”, destaca.