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Tecnologia como aliada da Saúde Populacional

Criada pela Sociedade Europeia de Medicina Preventiva há quase uma década, a medicina 4P ganha novos aliados com a tecnologia. Sua principal proposta é criar um sistema de Saúde que tenha como foco pesquisa e prevenção, e não mais tratamento e cura. O modelo é beneficiado por ferramentas como inteligência artificial (IA) – que traz importante apoio na prevenção e diagnóstico precoce – e internet das coisas (Internet of Things – IoT) – que possibilita a criação de wearable devices, os dispositivos vestíveis para monitorar sinais vitais em esquema 24/7. Tudo com potencial para modificar significativamente os paradigmas da Saúde populacional.

Na medicina 4P, o primeiro “P”, de prevenção, visa evitar que o paciente adoeça ou tenha agravos. O segundo, de predição, tem o objetivo de identificar doenças que podem aparecer, com base em mapeamento populacional e investigação genética. O terceiro, de participação, faz com que se crie uma relação mais humana entre o médico, o paciente e a sociedade como um todo. E o quarto, de personalização, trabalha com propostas individualizadas, conforme as necessidades de cada paciente.

Além de promover a qualidade de vida da população, uma das características desse modelo, quando aliado à tecnologia, é a geração e manipulação de dados. A enorme massa gerada por sistemas, aplicativos e outras soluções de Saúde, trabalhada por ferramentas de inteligência artificial, leva o modelo preventivo e preditivo a outros patamares.

Para Ronaldo Cristiano Pratti, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e doutor em ciências da computação e matemática computacional, a IA é uma realidade cada vez mais disseminada no setor. “Existem técnicas de diagnóstico de doenças por ferramentas de inteligência artificial que já são mais precisas que as de médicos experientes. A adoção em maior escala desses métodos pode levar ao diagnóstico precoce, reduzindo custos e aumentando a expectativa de vida dos pacientes.”

O especialista cita como exemplos o uso de mídias sociais, como o Twitter, para prever doenças infecto-contagiosas e problemas cardíacos, além de câmeras de celular capazes de diagnosticar problemas oculares.

Uma preocupação do setor é o alto custo de uma IA ou de dispositivos dotados de IoT, contudo, Pratti esclarece que o investimento depende da complexidade do que se espera com a tecnologia. O especialista garante ser possível adotar ferramentas úteis e de baixo custo. “Uma etapa comum é a coleta de dados, que pode ser feita de maneira simples, por meio de consulta aos bancos de dados das organizações, por exemplo, mas também de forma complexa, como no caso do desenvolvimento de ferramentas específicas, que podem custar na casa dos milhões de dólares”.

A medicina P4, aliada às tecnologias que já existem e que ainda estão por vir, tem potencial para reduzir consideravelmente os custos com tratamentos, medicamentos e internações, além, claro, de trazer mais qualidade de vida à população.