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Modelo preditivo de cuidado exige esforço em análise de dados e foco em paciente

A análise de dados e o uso das informações com foco no paciente são alguns dos principais caminhos para hospitais, clínicas e outros provedores de saúde se adaptarem aos novos desafios no cuidado médico. O assunto foi debatido na tarde de hoje (20/9) no painel “Mudança de paradigma no cuidado: de reativo a preditivo”, durante o Healthcare Innovation Show 2018.

O painel contou com a participação da irmã Monique Bourget, diretora técnica do Hospital Santa Marcelina e diretora da Atenção Primária à Saúde; José Augusto Ferreira, diretor de Provimento de Saúde, Unimed BH; e René Parente, líder para a área de saúde da Accenture, que foi o moderador.
Na discussão, os participantes abordaram diversas dificuldades enfrentadas no modelo atual de cuidado, como o sistema baseado no faturamento (que privilegia quantidade, e não qualidade) e a dificuldade na obtenção interpretação de dados dos pacientes.

Para os gestores, não adianta apenas ter os dados em mãos (cuidado reativo), mas usá-los para prever como será o cuidado de futuros pacientes (preditivo). “Hoje temos um novo cliente, o paciente da era digital, acostumado com produtos e serviços que proporcionam economia de tempo e dinheiro, e oferecem segurança. É o mesmo cliente que vai para o nosso hospital”, afirmou Ferreira. “Por isso, temos que cuidar da assistência, que é o motivo que faz com que as pessoas procurem o serviço.”

As mudanças passam pela valorização do paciente no sistema e pela análise mais qualitativa de atendimento, diz Bourget. “As cobranças são por número de consultas, atendimentos, internações. Não se é cobrado em cima dos resultados, o que não provoca mudança no dia a dia. É preciso uma mudança de reflexão de como a gente atende. Precisamos repensar as nossas instituições.”

Engajamento médico e o impacto no resultado para o paciente

A medicina 4p – preditiva, preventiva, personalizada e participativa – requer novos modelos de gestão e assistência, que prometem mudar a relação entre operadoras e prestadores e tornar as organizações mais sustentáveis no futuro. Mas, para que essa transformação aconteça, os profissionais de Saúde devem, primeiro, entender como funcionam esses novos modelos, que têm o paciente como principal foco do negócio. O engajamento de médicos e demais especialistas é fundamental para engajar também o paciente ao transmitir segurança em relação ao diagnóstico e tratamento – o que promove índices de adesão maiores e garante o restabelecimento da saúde.

Para Márcia Oliveira, consultora sênior de carreira da Produtive, criar uma cultura de engajamento passa por uma mudança de pensamento. “Engajar é construir um novo modelo mental. O médico é apenas um dos atores da assistência, que deve ser cada vez mais centrada no paciente, não mais no especialista. A questão é modificar a forma como o profissional  se enxerga nesse processo, criando mecanismos de apoio à tomada de decisão que o deixem mais seguro em relação ao diagnóstico e tratamento, por exemplo.”

Mas a consultora destaca que o médico não pode ser o único agente responsável pela  jornada do paciente na organização de Saúde. Pelo contrário, todos devem cumprir seu papel de forma engajada para entregar a melhor assistência. “Vivemos na era da experiência do cliente. Não basta ter um bom produto ou serviço se ele não for sustentável e focado no cliente. Na Saúde, quando a gente pensa em experiência do paciente, o conceito inclui desde o momento em que ele é atendido na recepção até a cura.”

 

Gestão

Márcia alerta que a mudança de modelos mentais não deve ser exclusiva dos funcionários. Para que ela aconteça, os valores internos da organização devem ser alterados. Empoderar a equipe de enfermagem é tão importante quanto o médico, até porque ela tem um contato direto com o paciente e acompanha todo o tratamento. Mas também é importante o engajamento das equipes de backoffice, fundamental para o bom relacionamento entre operadoras e prestadores – o que impacta diretamente na qualidade da assistência.

Márcia reitera que as responsabilidades divididas fazem com o tratamento seja mais eficaz e a experiência do paciente, melhor. Mas é preciso que cada profissional tenha consciência do seu papel para os processos da organização como um todo. “As equipes precisam entender que fazem partes desses processos, desde a chegada no hospital até o acompanhamento pós-internação”, completa.

O engajamento médico, com a consequente mudança nos paradigmas da assistência, tem a capacidade de trazer, aliado a outras estratégias, uma Saúde focada na prevenção, não mais na doença. Esse novo modelo vai fazer com que os serviços melhorem e se tornem mais seguros, além de otimizar os caixas das instituições ao racionalizar os gastos. Possibilitará ainda o pagamento por performance entre operadoras e prestadores, essencial para que o foco dos negócios passe, de fato, para a saúde do paciente.

E, por fim, este último entenderá que o médico não é – nem deve ser – o único responsável por sua saúde, mas sim que o papel fundamental na prevenção de doenças é dele mesmo.

Tecnologia como aliada da Saúde Populacional

Criada pela Sociedade Europeia de Medicina Preventiva há quase uma década, a medicina 4P ganha novos aliados com a tecnologia. Sua principal proposta é criar um sistema de Saúde que tenha como foco pesquisa e prevenção, e não mais tratamento e cura. O modelo é beneficiado por ferramentas como inteligência artificial (IA) – que traz importante apoio na prevenção e diagnóstico precoce – e internet das coisas (Internet of Things – IoT) – que possibilita a criação de wearable devices, os dispositivos vestíveis para monitorar sinais vitais em esquema 24/7. Tudo com potencial para modificar significativamente os paradigmas da Saúde populacional.

Na medicina 4P, o primeiro “P”, de prevenção, visa evitar que o paciente adoeça ou tenha agravos. O segundo, de predição, tem o objetivo de identificar doenças que podem aparecer, com base em mapeamento populacional e investigação genética. O terceiro, de participação, faz com que se crie uma relação mais humana entre o médico, o paciente e a sociedade como um todo. E o quarto, de personalização, trabalha com propostas individualizadas, conforme as necessidades de cada paciente.

Além de promover a qualidade de vida da população, uma das características desse modelo, quando aliado à tecnologia, é a geração e manipulação de dados. A enorme massa gerada por sistemas, aplicativos e outras soluções de Saúde, trabalhada por ferramentas de inteligência artificial, leva o modelo preventivo e preditivo a outros patamares.

Para Ronaldo Cristiano Pratti, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e doutor em ciências da computação e matemática computacional, a IA é uma realidade cada vez mais disseminada no setor. “Existem técnicas de diagnóstico de doenças por ferramentas de inteligência artificial que já são mais precisas que as de médicos experientes. A adoção em maior escala desses métodos pode levar ao diagnóstico precoce, reduzindo custos e aumentando a expectativa de vida dos pacientes.”

O especialista cita como exemplos o uso de mídias sociais, como o Twitter, para prever doenças infecto-contagiosas e problemas cardíacos, além de câmeras de celular capazes de diagnosticar problemas oculares.

Uma preocupação do setor é o alto custo de uma IA ou de dispositivos dotados de IoT, contudo, Pratti esclarece que o investimento depende da complexidade do que se espera com a tecnologia. O especialista garante ser possível adotar ferramentas úteis e de baixo custo. “Uma etapa comum é a coleta de dados, que pode ser feita de maneira simples, por meio de consulta aos bancos de dados das organizações, por exemplo, mas também de forma complexa, como no caso do desenvolvimento de ferramentas específicas, que podem custar na casa dos milhões de dólares”.

A medicina P4, aliada às tecnologias que já existem e que ainda estão por vir, tem potencial para reduzir consideravelmente os custos com tratamentos, medicamentos e internações, além, claro, de trazer mais qualidade de vida à população.

Entenda mais sobre Saúde Baseada em Valor

Tratamentos excessivos gerados por incentivos indevidos, custos e orçamentos descontrolados, dados desorganizados, falta de acompanhamento longitudinal do paciente. Esses são alguns dos tópicos que sempre vêm à tona nos sistemas de saúde quando falamos no modelo baseado em serviço.

No tradicional modelo de pagamento por serviço, os provedores são pagos pela quantidade de procedimentos que realizam. Com isso, prestadores são estimulados a pedir mais exames e procedimentos, além de serem recompensados diretamente com o volume de atendimento, já que a experiência do paciente não é levada em consideração. Os cuidados baseados em valor surgiram como uma alternativa para substituir o modelo baseado em serviços, já que leva em conta a qualidade, e não a quantidade.

O cuidado baseado em valor é impulsionado por dados, pois os provedores precisam reportar aos pagadores métricas específicas e demonstrar melhorias, tanto em termos clínicos, quanto em experiência do usuário. Nesse modelo, os prestadores são pagos de acordo com os resultados que proporcionam para os pacientes, há medicina baseada em evidências, envolvimento no tratamento, e principalmente correspondência de incentivos entre todos da cadeia.

A transição do modelo de serviço para o modelo de valor entra em um dos maiores desafios financeiros nos sistemas de saúde: como ajustar o pagamento. Há, porém, um grande movimento entre os principais players do setor no desenvolvimento de projetos baseados em valor. Até o final deste ano, segundo a United Healthcare, mais de US$ 65 bilhões serão vinculados, no mercado americano, a contratos baseados em valor. Além disso, à medida que o movimento ganha impulso, projeta-se que a adoção de cuidados baseados em valor responda por cerca de 59% dos pagamentos de cuidados de saúde até 2020, de acordo com o Relatório de Tendências de Cuidados de Saúde 2018 da Aetna.

O conceito não é novo: existe desde 2006, quando Michael Porter publicou o livro Repensando a Saúde: Estratégias para Melhorar a Qualidade e Reduzir os Custos. Desde então, há uma movimentação do setor, especialmente por onde começar a mudança e como fazê-la de forma transparente e justa com todos os elos. O valor é definido como o resultado para o paciente, envolvendo a qualidade do serviço e sua experiência, dividido pelo custo envolvido no tratamento. Os cuidados baseados em valor focam na maximização da equação.

Segundo Porter, a saúde baseada em valor é uma iniciativa de reestruturação dos sistemas de saúde em todo o mundo, cujo objetivo global é ampliar o valor para os pacientes, conter a escala de custos e oferecer mais conveniência e serviços aos clientes. Ele descreve a transformação do cuidado com base em seis elementos inter-relacionados: organizar suas unidades em práticas integradas, medir resultados e custos para cada paciente, mover os pagamentos para ciclos de cuidado, integrar os cuidados entre os serviços de saúde, expandir o acesso a serviços de excelência, e por fim, ter acesso a uma plataforma de TI que atue como facilitadora no processo.

Como as atividades de cuidado são interdependentes, o valor para os pacientes geralmente é revelado apenas com o tempo e se manifesta em resultados à longo prazo. A única maneira de medir com precisão o valor, então, é acompanhar os resultados e custos do paciente de forma longitudinal. O valor move a cadeia a realizar decisões responsáveis e realizar de fato um gerenciamento clínico, com iniciativas que promovam a saúde do indivíduo. Quanto mais coordenado, apropriado e eficaz o tratamento, melhores são as recompensas, e maior é a sustentabilidade econômica do setor.

A questão está longe de ser fácil e envolve assuntos políticos e éticos em seu debate. Enquanto emocionalmente se deseja que médicos realizem todos os procedimentos possíveis para seus pacientes, independente dos custos, racionalmente deve-se pensar que um esforço isolado pode prejudicar centenas de outras vidas, gerar desperdícios ou até situações financeiras irreversíveis para a família do indivíduo.

Como o valor é definido como resultados sobre custos, ele engloba a eficiência. No caso, o modelo baseado em valor está blindado do caminho fácil de se reduzir custos ou realizar subtratamentos. A falsa economia a curto prazo é destrutiva, limita a qualidade e fere o princípio básico de atenção primordial ao paciente.

No livro Entendendo a Saúde Baseada em Valor, os autores destacam os perigos da falta de análise crítica dos procedimentos operacionais padrão, e citam o exemplo do uso disseminado da angiotomografia para diagnosticar embolia pulmonar. Cerca de um terço dos 1,5 milhão dos exames realizados a cada ano nos EUA são feitos para descartar embolia pulmonar. No entanto, o diagnóstico de embolias pulmonares por este método revelou um impacto muito pequeno nas taxas de mortalidade. E expõem as pessoas à radiação e ao agente de contraste intravenoso, o que acarreta algum risco de reações alérgicas e insuficiência renal. Há, sem dúvidas, o desafio de se produzir o melhor atendimento a um custo menor, e ainda, como conectar a qualidade e à ética do cuidado consciente dos custos.

transição para um modelo de valor levará anos, e isso será especialmente provocador para provedores a custo prazo. Cumprir metas baseadas em valor requer que os hospitais diminuam a utilização entre suas populações, reduzindo assim o volume e a receita de seus procedimentos. Com a baixa da receita, os hospitais precisam melhorar as margens o máximo possível, otimizando seus processos e exigindo um bom gerenciamento. Em um ambiente baseado em valor, qualquer investimento para simplificar operações e eliminar o desperdício do sistema vai diretamente para o hospital, não para o pagador.

Não existe um modelo único de saúde baseada em valor que se adapte a todas as situações e instituições. A escolha depende do posicionamento da organização e metas estratégicas definidas. Para citar, as Accountable Care Organizations (ACOs) são unidades de trabalho que focam em equipes de rede para oferecer cuidados coordenados com o menor custo possível. Cada membro compartilha os riscos e incentivos decorrentes do resultado da saúde do paciente, promove melhor qualidade e maior acesso no atendimento.

O gerenciamento de uma organização de saúde precisa ser capaz de tomar decisões sobre o que fazer ou não fazer, sobre como realizar a política de reembolso, sobre qual é o conceito de valor que eles entregarão, além da já conhecida análise de custos e riscos. Para isso, como já dito anteriormente, a saúde baseada em valor tem uma abordagem orientada a dados. E organizados de forma estruturada, não um pool de informações desconectadas e fragmentadas advindas de vários departamentos.

Para a tomada das decisões, os dados ainda devem ser fornecidos de forma contínua. Medir, analisar, relatar e comparar os resultados rigorosamente talvez sejam os passos mais importantes para melhorar rapidamente e fazer boas escolhas sobre a redução de gastos. Medir os custos totais durante todo o ciclo de cuidados de um paciente e compará-los permitirá uma redução de custo verdadeiramente estrutural, através de etapas como realocação de gastos entre tipos de serviços, eliminação de serviços que não agregam valor, melhor uso da capacidade, encurtamento de tempo de ciclo, fornecimento de serviços nas configurações apropriadas e assim por diante.

Em qualquer área, melhorar o desempenho de um setor como um todo só é possível através do alinhamento de interesse entre os players e da premissa da responsabilidade compartilhada. É preciso deixar de lado a lucratividade egoísta, contenção de custos que põe em risco a segurança do paciente e a conveniência política, se o objetivo for verdadeiramente gerar valor para o usuário final e ter um sistema de saúde e sustentável. É claro, para isso é necessário muita transparência sobre as metas e abordagens no desenvolvimento desses modelos.

De forma geral, apesar dos provedores focarem mais em medicina básica de prevenção, eles eventualmente gastarão menos tempo com doenças crônicas. A sociedade se torna mais saudável, reduzindo os gastos globais com a saúde. A mudança de modelos baseados em serviço para valor é um passo importante em direção à assistência médica de melhor qualidade e a gastos mais judiciosos com a saúde.

Pele eletrônica que sente e se cura sozinha

Cientistas da Universidade do Colorado desenvolveram uma pele eletrônica maleável, auto-curável e totalmente reciclável. A e-skin, como é chamada, é feita de um material fino e translúcido que pode imitar a função e as propriedades mecânicas da pele humana através de sensores que detectam temperatura, pressão, umidade e fluxo de ar. Este novo material foi desenvolvido visando aplicações desde áreas médicas a eletrônicos do dia a dia.

Os responsáveis foram professores dos departamentos de Engenharia Mecânica, Química, Bioquímica e Materiais da universidade. A tecnologia tem várias propriedades únicas, como a poliimina, um novo polímero que é atado com nanopartículas de prata para aumentar a sua resistência mecânica, estabilidade química e condutividade elétrica.

Segundo os pesquisadores, se a e-skin for rompida, existe um mecanismo de regeneração por meio de ligações químicas dos componentes presentes nos dois lados da fenda. Desta forma, a matriz é restaurada e a película volta a ser como era antes. Em casos mais graves, a pele pode ser mergulhada uma solução de reciclagem e o material se dissolverá em componentes menores, assim estes podem ser reutilizados para criar novas e-skin.

“O que é único aqui é que a ligação química da poliimina que usamos permite que a e-pele seja autocura e totalmente reciclável a temperatura ambiente”, disse Jianliang Xiao, professor adjunto da Universidade do Colorado. ”Dado os milhões de toneladas de resíduos eletrônicos gerados em todo o mundo a cada ano, a reciclabilidade da nossa e-skin tem um bom sentido econômico e ambiental.”

Um dia, essa pele eletrônica poderá ser usada em próteses, robôs ou equipamentos com superfícies inteligentes, já que é facilmente adaptável a superfícies curvas sem apresentar tensões excessivas. Isso poderia tornar qualquer dispositivo mais realista e funcional.

Por exemplo, se o e-skin estiver envolvido em torno de uma mão protética, seria possível sentir pressão ao segurar uma xícara de vidro. Saber a quantidade de pressão que a mão mecânica está aplicando pode impedir que o usuário esmague acidentalmente a xícara, explicou Xiao.

Voltando às inúmeras possibilidades, a e-skin pode, eventualmente, substituir a cobertura de dispositivos e equipamentos eletrônicos, proporcionando superfícies que são mais agradáveis ao toque e que permitam a interação com o usuário. Imagine o seu smartphone dizendo: “Ei, isso faz cócegas”. As possibilidades são fascinantes e, em alguns casos, um pouco assustadoras.

De qualquer forma, as aplicações são promissoras e a possibilidade de reciclagem é um bônus para a animação dos criadores. Como toda nova descoberta, ainda é preciso muito estudo para a comercialização, mas já é um passo em direção a essa tecnologia.

CLÍNICAS APPLE: o que esperar delas?

Todo mundo sabe que a Apple gosta de cultivar seu mundo à parte. Seus gadgets, aplicativos e sistemas operacionais são feitos uns para os outros e quem gosta desse modelo vira fã. É um barato (mas nem sempre é barato).

O fato é que agora eles decidiram acrescentar a esse ecossistema exclusivo uma novidade que deve ter feito o próprio Steve Jobs se surpreender!

Muito pouco se sabe até aqui, nada é oficializado, mas já é certo que a Apple será a primeira empresa de tech a invadir o campo real da assistência através de uma rede própria de clínicas médicas.

Talvez o anúncio oficial venha em breve, em grande estilo, como ela sempre faz para seus produtos. Mas o empreendimento já tem nome, e se chamará AC Welness.

Num primeiro momento serão duas clínicas focadas nos próprios funcionários e dependentes da empresa. E pelo que já é possível descobrir em sites como LinkedIn e Glassdoor, os primeiros profissionais de saúde estão sendo recrutados na Universidade de Standford, na California.

Apesar da proximidade com a declaração da Amazon sobre sua empreitada conjunta com JPMorgan e Berkshire, tudo indica que a coincidência termina por aí.

No caso da Apple não se tratará de uma joint venture – afinal exclusividade é com eles mesmos. Além disso, no caso da Amazon, nada aponta para uma rede de clínicas próprias (já falaram até de rede de drogarias, mas por enquanto tudo online).

Já no caso da Apple isso é tão certo que há poucos meses já se escutavam conversas de bastidores no Vale sobre a possível aquisição pela empresa de uma startup chamada Crossover Health que atualmente presta serviços de on-site clinic para seus funcionários. Novamente ninguém se manifestou oficialmente.

O fato é que esse projeto, que bem poderia ser encarado como uma auto-gestão, levantou as atenções de muita gente nos EUA para um possível piloto que englobaria, além das clínicas presenciais, toda a plataforma de saúde da empresa visando um roll out futuro para atingir em cheio o mercado privado americano.

Afinal de contas, o próprio CEO Tim Cook andou falando recentemente que os planos para o Setor são muitos e bem guardados. Ou seja, a aposta em Saúde irá muito além de iniciativas já anunciadas como o Researck Kit, que visa acelerar o recrutamento de pacientes para ensaios clínicos, e o Health Kit, que visa facilitar o compartilhamento de informações entre desenvolvedores.

Apesar de todo o mistério, o que se pode imaginar é que um objetivo do novo negócio será, de imediato, realizar uma redução nos custos assistenciais de seus próprios funcionários e dependentes, a partir do uso da inteligência de dados, conectividade, engajamento e tudo o mais – sempre aliados à uma rede de atenção primária que faria o papel de Gatekeeper.

Se der certo, parece que será uma questão de tempo para a experiência ser levada para fora dos limites da empresa. Vamos acompanhar e aviso aqui na coluna sobre os novos desdobramentos.

2017: O ano de progresso em TI na área de Saúde

A ciber segurança, análise de dados e saúde populacional tem a atenção e o dinheiro das organizações de saúde; que também estão começando a investir em análise prescritiva e inteligência artificial.

A necessidade por maior proteção da segurança cibernética está afundando. O desejo por entender melhor a montanha de dados inexplorados está em ascensão. E a necessidade de começar a melhorar a saúde, não apenas do paciente mas de populações inteiras, está sendo levada a sério.

Estas são algumas conclusões da pesquisa “2017: The Ahead in Health IT” (em livre tradução, “2017: O ano de progresso em TI na área de Saúde”), feita com organizações de saúde pela Healthcare IT News; no qual foram entrevistados 95 executivos de saúde, em outubro de 2016.

Quando questionados sobre quais tecnologias planejam desenvolver em 2017, 52% responderam segurança, 51% métodos analíticos, 44% engajamento do paciente, 44% saúde populacional, 31% PEPs (Prontuário Eletrônico do Paciente), 24% monitoramento remoto do paciente e 22% disseram que vão investir na gestão do ciclo de receita.

 

 

Joe Fisne, Diretor Associado de Informação do Geisinger Health System, observou que esta programação faz sentido.

“A segurança foi considerada a número 1 certamente porque é das coisas mais críticas na área de saúde hoje”, explicou Fisne. “Vivemos em uma era dominada pela tecnologia e, no campo médico, a segurança é um dos pontos frágeis. Por isso a necessidade de investimento nessa área. O monitoramento analítico também é fundamental. Estamos investindo em algumas plataformas de Big Data para obter mais informações e apresentar tendências, práticas e padrões de cuidados médicos. Bem como padrões de doenças ao longo do caminho. E isto caminha de mãos dadas com a saúde populacional”.

 

Telemedicina, PEPs e medicina de precisão

2017 também verá a chegada de muitas tecnologias nas organizações de saúde. Aos entrevistados foi perguntado sobre quais ferramentas eles planejam introduzir ou estudar em 2017. Cerca de 45% disseram dados analíticos, 45% melhora do fluxo de trabalho, 44% telemedicina, 41% saúde populacional, 41% serviços médicos inteligentes, 34% monitoramento remoto dos pacientes e 21% medicina de precisão.

“O que se destaca aqui é a crescente importância da telemedicina como uma forma diferente de acesso, bem como uma maneira alternativa de se conectar com os consumidores”, ressaltou Brian Kalis, Diretor Geral de Práticas de saúde da empresa de consultoria Accenture. “Perceber a telemedicina com maior importância pode ajudar a enfrentar os desafios da produtividade do trabalho no campo da saúde”.

De acordo com Kalis, mesmo obtendo apenas 21% dos resultados da pesquisa, o setor correspondente a medicina de precisão também é bastante promissor.

“Isso representa o que podemos ver se destacar em 2017; foco em medicina de precisão e os investimentos iniciais no uso de medicamentos de precisão para melhorar a saúde. Esta é uma tendência inicial” ele destacou. “Os entrevistados também responderam alta prioridade de investimento em dispositivos médicos inteligentes. Ouvimos falar de uma série de sistemas que analisam novas estratégias para utilizar os dados de saúde gerados pelo paciente a fim de melhorar, amplamente, os cuidados com a saúde”.

2017 não será diferente para as organizações de saúde, se comparado aos anos anteriores, no que se refere ao trabalho com Prontuário Eletrônico do Paciente. Quando questionados sobre quais tipos de projetos de PEP estão ou serão desenvolvidos em suas empresas neste ano; 60% dos entrevistados responderam melhoramento da interoperabilidade, 55% destacaram o fluxo de trabalho, 47% melhorar a usabilidade, 37% desejam adicionar ferramentas de saúde populacional ao PEP, 28% pretendem migrar para as nuvens, 24% melhorar a performance e atualizar o sistema de PEP e 21% substituir o PEP em um ou mais sites.

Esse comportamento faz parte de uma evolução natural baseado no campo de saúde de hoje, explica John Halamka, médico e CIO do Beth Israel Deaconess System e Professor de Medicina da Universidade de Harvard.

“Quando você olha para a qualidade e para os programas de pagamento como o MISP e o MACRA, de repente você visualiza um alinhamento de incentivos onde o médico é remunerado pelo bem estar e qualidade do atendimento em oposição a quantidade”, Halamka pondera. “A menos que você esteja coletando dados sobre o paciente em toda a população, é realmente difícil controlar as despesas, elevar a qualidade e melhorar o fluxo de trabalho. OS PEPs foram colocados, basicamente, como um sistema inútil de comunicação de dados sem ênfase na troca e no fluxo de trabalho. Mas por causa da reforma nos programas de remuneração, nós temos incentivos para colaborar com a troca de dados. As novidades estão borbulhando até o topo”,  ele reflete.

Um dos aspectos das PEPs que muitas organizações continuam trabalhando é o engajamento dos prestadores de serviços. Um dos tópicos da pesquisa gira em torno das ações que serão realizadas em 2017 para que mais médicos e enfermeiros adotem completamente a tecnologia de PEP e 60% respondeu que vai integrar os prontuários eletrônicos do paciente com outras tecnologias que, por exemplo, elevem a saúde da população ou conduza a melhores práticas; 47% disse que pretende melhorar a interface do sistema PEP, 40% pretende mostrar claramente como os PEPs podem ajudar as organizações no gerenciamento dos seus negócios de forma rentável e 38% disse que vai mostrar como a tecnologia traz reduções significativas do tempo gasto em tarefas fora da interação direta com o paciente.

 

Saúde populacional

O estudo “2017: The year Ahead in Health IT” descobriu que o tópico saúde populacional é considerado como alta prioridade para a maioria das organizações de saúde. Quando questionados sobre os planos das companhias para implementar um sistema de saúde populacional em 2017, 20% dos executivos responderam que sim, eles estão planejando desenvolver novos sistema; 42% disseram que vão adicionar ferramentas aos sistemas existentes; 9% disseram que não, eles encerraram seus programas de saúde populacional e 29% dos entrevistados informaram que a saúde populacional não está em seus planos para 2017.

As organizações de saúde que trabalham com tecnologias de saúde populacional anteciparam que a inovação ajudariam seus negócios de várias formas. 58% dos entrevistados afirmaram que a tecnologia vai possibilitar uma melhor experiência do paciente, 54% disseram que vai aumentar a eficiência na forma como as organizações poderão oferecer seus serviços, 51% acreditam que os custos serão reduzidos, 44% pensam que poderão melhorar a saúde de indivíduos e, portanto, de toda a população e 41% afirmou que a ferramenta será capaz de permitir uma melhor experiência para o fornecedor.

“Existem muitos precursores que possuem sistemas de saúde populacional e para eles o importante agora é melhorar o sistema e otimizá-los e integrá-los com outras estruturas. Por isso o foco crescente em adicionar os sistemas já existentes na pesquisa”, destacou Kalis da Accenture. “Para as organizações que estão lançando um novo sistema de saúde populacional, essas são consideradas organizações que estão ficando para trás em relação a outras para obter suas primeiras implementações e assim aumentar  a adoção geral do mercado”.

 

Segurança Cibernética

Uma das mais importantes questões de segurança cibernética, os aplicativos de segurança e a segurança de rede, estão no topo da lista de prioridades para 2017, de acordo com a pesquisa. No gráfico abaixo, foram classificadas as questões de segurança enfrentadas pelas organizações em 2017:

Interoperabilidade

Assim como a segurança cibernética, a interoperabilidade é um assunto importante para as organizações de saúde. De acordo com a pesquisa, os projetos de interoperabilidade em que as companhias de saúde se debruçarão em 2017, isso inclui a conexão com bancos de dados externos, como trocas de informações de saúde (65%); conectar aplicativos dentro das organizações (58%); e acrescentar conexões de dispositivos médicos a sistemas existentes (37%).

Quando questionados sobre o principal fator que inibe uma maior interoperabilidade, 40% responderam a falta de padrões industriais, 27% dificuldade na busca por fornecedores de PEP, 18% informaram problemas com uma cultura de acúmulo de dados, 12% insegurança financeira e 3% outras questões. Segundo Halamka do Beth Israel Deaconess System, essas outras questões, que podem ser profundas, incluem fazer um sólido argumento comercial de interoperabilidade.

“Eu nunca vi bloqueio de informações quando há uma combinação de um negócio para compartilhar informações e pessoal técnico competente”, ressalta Halamka. E acrescenta: “Eu apenas vejo isso acontecer quando existe uma falta de alinhamento no compartilhamento de dados. Os padrões de dados e os PEPs que temos hoje já são suficientes. O uso significativo nos deu os padrões e a construção da interoperabilidade. Isto é apenas uma motivação para avançar”.

 

Análise de dados

Um dos maiores setores de investimento em TI de saúde parece ser a análise de dados. Os entrevistados foram inquiridos sobre seus planos para a área, em 2017, e 24% das organizações de saúde disseram que eles estão planejando lançar um novo sistema de análises, 59% está adicionando ferramentas aos sistemas analíticos já existentes e apenas 8% completaram sua implementação. Mais de 9% não tem análise de dados nos seus planos para 2017, de acordo com a pesquisa da Healthcare IT News.

Das organizações que já trabalham com análise de dados, 76% espera que a tecnologia ajude a melhorar a qualidade da saúde, 67% acredita que ajudará a melhorar as formas de atendimento, 62% tem a intenção de contribuir com a redução das despesas, 52 % espera que ajude a gerenciar com sucesso a mudança do atendimento em pagamento por serviço (fee-for-service) pelo pagamento apoiado na performance (fee-for-value), 30 % espera que ajude a otimizar o tempo que os prestadores de serviços destinam aos pacientes e 1% dos entrevistados não usam análises de dados, segundo a pesquisa.

“A tendência que surge a partir de muitas dessas tecnologias, incluindo análise de saúde populacional, é o que as organizações maiores têm posto em prática na primeira onda de soluções. isso já vem acontecendo. Agora essas organizações estão otimizando os seus investimentos e se voltando para maximizar o valor da base já implantada”, explicou Kalis da Accenture.

De olho no futuro, as organizações de saúde possuem uma variedade de tecnologias emergente em incubação. No que diz respeito, ao investimento destas ferramentas emergentes, 63% das organizações disseram que planejam se debruçar sobre análise prescritiva, 34% inteligência artificial, 21% ferramenta genômicas, 21% aprendizado automáticos, 19% computação cognitiva e 6% Blockchain (estrutura de dados que garante a segurança das operações realizadas por criptomoedas).

Além disso, ainda foi questionado quais tecnologias emergentes as organizações consideram mais promissoras. 26% acredita ser a análise prescritiva, 22% ferramentas genômicas, 18% inteligência artificial, 13% aprendizado automáticos, 10% computação cognitiva e 4% blockchain.

“A análise prescritiva está relacionada ao dinheiro, que possui laços com a inteligência artificial e aprendizagem mecânica; coisas que fazemos para analisar o volume de informações que coletamos. “Os dados nos dão uma série de padrões e informações e ao observá-los você encontra maneiras de melhorar o atendimento aos paciente”, comentou Fisne do Geisinger Health System.

Kalis, da Accenture, concorda que a análise prescritiva é um grande passo para as organizações de saúde e acrescenta: “Os sistemas de saúde tem investido em alguns dos principais blocos de base da análise. Tecnologias emergentes, como a análise prescritiva, serão o próximo passo para coletar informações e ativos funcionais”, argumentou Kalis. “Outro ponto interessante desta lista é o fato do blockchain estar sempre no radar de alguns CIOs; isto quer dizer que existe um interesse de exploração, para entender onde as plataformas de blockchain podem ser aplicadas e quais as implicações podem surgir a longo prazo”, finaliza.


Fonte: HealthcareITNews // Autor(a): Bill Siwicki // Tradução: Camila Marinho

Ex VP do Twitter assume papel chave em empresa unicórnio

A antiga Vice-Presidente de engenharia do Twitter expôs seu novo papel em unicórnio tecnológico*, que inclui trabalhar diretamente com fornecedores, farmacêuticos, pacientes e compradores para melhorar o atendimento de saúde.

Mês passado, a plataforma Outcome Health anunciou a contratação de Nandini Ramani, ex-Vice-Presidente de engenharia do Twitter, para a posição de Diretora de Engenharia. Nandini tem como responsabilidade fortalecer o atual modelo de tecnologia da empresa e expandir seu alcance.

Fundada, em 2006, por Shradha Agarwal e Rishi Shah, a Outcome Health é uma das poucas startups de TI vista como uma empresa unicórnio*, com uma avaliação em 5.6 bilhões de dólares. A missão da empresa é colocar grandes tablets estilo iPads ou telas sensíveis ao toque em salas de espera e clínicas médicas, a fim de orientar os pacientes em necessidades específicas.

Até agora, a Outcome Health instalou as telas em cerca de 40 mil consultórios – o que corresponde a 20% de todos os escritórios médicos dos EUA. A companhia está em rápida expansão e a contratação de Ramani buscará o caminho do sucesso e a constante evolução, tendo como foco o paciente. “Minha visão está alinhada com a companhia: “Como forneceremos melhores resultados para todo o fluxo de trabalho? Nós precisamos fortalecer e construir uma plataforma especializada que atendam essas necessidades”, pondera.

“Acima de tudo precisamos ser extremamente direcionados para o paciente”

“Acima de tudo precisamos ser extremamente direcionados para o paciente”, ela continua. “Para fazer isso, devemos nos colocar no encalço deles. Não se trata de ‘provocar’ os engenheiros, mas dizer para os médicos: Fiquem aí e entendam as necessidades dos seus pacientes, diariamente”.

Dessa forma, Ramani e seu time terão uma visão customizada das questões que a Outcome Health está tentando resolver. Ela trabalhará com compradores, farmacêuticos, pacientes e médicos para entender o que eles enfrentam e a partir dessas informações, trabalhar com sua equipe a fim de pensar criativamente e solucionar os problemas dos clientes.

Tanto o Twitter quanto o Outcome Health possuem missões correspondentes: Conectar pessoas e dar a todos uma voz. Ramani planeja usar a experiência adquirida no Twitter – um site que posta 5 mil tweets por segundo – para melhorar a plataforma da Outcome Health.

A Outcome Health está quebrando paradigmas com a abordagem que possibilita que os pacientes tenham voz. A diretora de engenharia espera traçar a melhor maneira de alcançar sua missão, garantindo que as inovações que a Outcome Health coloque à mesa estejam alinhadas com o que sempre foi feito no setor da saúde, mas que tragam  evolução ao meio.

“Os cuidados com a saúde é algo que te acompanha ao longo da vida e atinge todos os seres humanos. As pessoas são impactadas em vários níveis e é aí que eu vejo convergências. Nós precisamos adaptar e abraçar o que existe, mas usar a tecnologia para evoluir”, ressaltou Nandini.

Uma das maiores razões que a fizeram escolher a Outcome Health foi o perfil da empresa de “arregaçar as mangas e partir para o trabalho”, explicou a Diretora de Engenharia. Enquanto a maioria das empresas fica presa em uma rotina, Nandini e sua equipe são encorajados à criação, e utilizam algumas das melhores tecnologias para isso. “Não posso negar, eu sou uma engenheira. E ser capacitado para fazer e criar algo novo é muito estimulante”, confessou Nandini. Mas a estrada para atuar no meio nem sempre foi claramente pavimentada.

“Realmente existe um teto de vidro. É um desafio para a mulher na engenharia pois há muito pouco de nós na indústria – especialmente na programação e na engenharia”, disse ela. “Nós precisamos consertar isto”.

Para Nandini, o problema pode ser contornado através do incentivo às mulheres ao longo de toda a jornada. A ideia não é apenas contabilizar mais jovens mulheres nos cursos de engenharia e programação, mas que exista amparo e estímulo tanto por parte das mulheres quanto dos homens.

“É claro que mulheres como eu existem. Precisamos encontrá-las e trazê-las. E uma vez que elas façam parte do time, nós devemos criar um ambiente para cultivá-las”, disse Nandini. “Precisamos estar atentos a isso e a discussão deve ser parte da missão das empresas”.

Como resultado, Nandini traz essa questão à mesa em todas as companhias em que trabalha. “Metade da população é constituída por mulheres. E se você projeta com apenas uma coisa em mente, está perdendo a outra metade da conversa. Por que deveria haver apenas um assento para mulheres na mesa? Nós devemos empoderar uns aos outros…É impressionante o efeito em cascata que se forma”, conclui.

 

*Empresas unicórnio são companhias emergentes apoiadas por inovação e tecnologia, que nascem sem um forte capital inicial e crescem rapidamente em seus estágios iniciais através do investimento privado.


Fonte: HealthcareITNews // Autor(a): Jessica Davis // Tradução: Camila Marinho

Fundador da Memotext dá dicas de como engajar pacientes pode aumentar o ROI

Na constante busca por aperfeiçoar o relacionamento com o cliente, demonstrar o retorno dos investimento, é provavelmente, a questão mais desafiante para os empreendedores digitais de saúde. Primeiro é necessário decidir a maneira como o ROI (Retorno Sobre o Investimento) dos seus produtos será quantificado; em seguida adicione o trabalho de navegar em uma área cinza de critérios que o levarão a alcançar o ROI. Por isso, Amos Adler, Fundador e Presidente da Memotext, atesta: fazê-lo com êxito pode abrir muitas oportunidades entre a indústria farmacêutica, investidores e os sistemas de saúde.

Em um artigo publicado no começo desse ano, Adler e o Co-Fundador da Memotext, Bill Simpson, explanaram parte desta área cinzenta ao suscitar questões. São dados quantitativos e melhorias dos resultados de saúde que importam? Como você pega algo multifuncional, quantifica em uma métrica e então, de alguma forma, atribui valor fiscal? É uma melhora efetiva na aderência à medicação? Para quem? Para os pacientes menos participativos ou para os com maior “valor”?

A empresa sediada em Toronto desenvolveu com sucesso programas não apenas voltados para os interessados da indústria farmacêutica mas também para os investidores, stakeholders, sistemas de saúde, farmácias e gerentes de benefícios farmacêuticos. No seu cerne, Adler disse que a companhia tem desenvolvido uma série de produtos orientados para a aderência ao plano de saúde e consumo de medicamentos, iniciação de tratamentos e gerenciamento de saúde da população.

Adler descreveu a abordagem da Memotext e identificou maneiras de incrementar a baixa aderência do paciente aos medicamentos para uma adesão moderada. A empresa canadense também tem se concentrado em pacientes complexos, não necessariamente na maior população de pacientes, mas em alguns dos mais dispendiosos.

Se os produtos da Memotext levam os pacientes com mais frequência às farmácias – de três vezes por ano para seis vezes por ano (ainda distante do ideal de 12 visitas anuais) – contribuindo para que farmácias e companhias farmacêuticas obtenham  mais dinheiro, suas ferramentas também ajudam os planos e sistemas de saúde na redução de custos mensais por paciente – ao diminuir a utilização dos serviços pelos membros do plano de saúde. Isto equivale a uma proporção de 15:1, ou seja, para cada 1 dólar gasto com suas ferramentas digitais de saúde, o cliente pode fazer ou economizar uma média de 15 dólares.

Adler ressalta que a razão pela qual o ROI pode demorar para apresentar resultados se deve ao fato de que as companhias normalmente precisam de um ano para configurar um estudo, um ano para realizá-lo e outros seis meses para avaliá-lo. E no entanto, isto representa um conjunto particular de problemas, porque cada farmácia e organização de saúde tem sua própria ideia de retorno sobre investimento.

“Sempre que você entra em uma avaliação longitudinal para chegar ao ROI, a tendência é ficar cada vez mais turva”, disse Adler. “Uma das barreiras à inovação é não ter um caminho objetivo para a avaliação e operacionalização”. O segredo para o ROI em saúde digital é formalizar os critérios, para quantificar e avaliar categorias de resultados múltiplos.

Co-comercialização é uma abordagem que a empresa adotou nos últimos dezoito meses. Com o Hospital Geral de Massachusetts a Memotext está atuando em uma intervenção com pacientes de TDAH (Transtorno do déficit de atenção com Hiperatividade). No Centro de Vícios e Saúde Mental, a maior instalação deste tipo no Canadá, o trabalho está sendo voltado para o desenvolvimento de uma intervenção personalizada para pacientes com esquizofrenia. Já a colaboração com pesquisadores da universidade de British Columbia em Vancouver e com as autoridades locais em saúde, denominada Optimal Brith BC, exploram a eficácia e escalabilidade de um programa de educação prenatal, entregue por mensagem de texto, para mulheres grávidas na área rural da British Columbia.

Esse tipo de parceria envolve descobrir como co-criar, com os stakeholders da área de cuidados médicos, um modelo de receita que resolva o problema. Mas para funcionar bem, as companhias de saúde digital precisam de um longo termo de compromisso com os stakeholders e vice-versa.

Os exemplos mais bem sucedidos de empresários e investidores da área, podem beneficiar e incentivar outros empresários de saúde a adotarem uma abordagem que identifique e assuma as oportunidades de nicho, que tenha como objetivo melhorar o envolvimento do paciente.

 


Fonte: MedCityNews // Autor(a): Stephanie Baum // Tradução: Camila Marinho

Atendimento por telemedicina economiza tempo e dinheiro dos pacientes

Um novo estudo aponta indícios crescentes de que a telemedicina pode economizar duas coisas mais caras às pessoas: tempo e dinheiro. Pacientes pouparam uma média de cinquenta dólares nos custos com viagem e ganharam quase uma hora ao utilizar a tecnologia de telessaúde para consultas de medicina esportiva, de acordo com um estudo do hospital Nemours Children’s Health System, e apresentado na conferência nacional American Academy of Pediatrics.

O sistema de saúde também detectou algumas economias moderadas. As consultas por telessaúde custaram aproximadamente quarenta e dois dólares a menos por cada paciente. “Sabemos que a telemedicina é frequentemente procurada por doenças comuns da infância, como gripes e resfriados ou erupções cutâneas. Mas nós queríamos ver como a tecnologia poderia beneficiar pacientes dentro de uma especialidade particular, como a medicina esportiva”, relatou em um comunicado Alfred Atanda Jr., Cirurgião Ortopedista do Nemours. “A medida que o campo da saúde continua a evoluir e a ênfase no valor e na satisfação continue a crescer, a telemedicina pode ser aproveitada pelos prestadores como um mecanismo para reduzir a utilização de recursos e custos, além de atender as condições de pagamento”.

O Nemours está entre os inúmeros prestadores que ofereceram serviço gratuito de consulta online durante os furacões Harvey e Irma. Funcionários disseram ao jornal The Orlando Sentinel que a plataforma de telemedicina CareConnect teve mais acesso em um período de quatro dias do que nos últimos três meses.

Embora o estudo do hospital Nemours tenha envolvido apenas 120 pacientes menores de 18 anos, ele corrobora com uma crescente evidência que aponta os benefícios econômicos aos pacientes que utilizam os serviços de telessaúde. No começo deste ano, a NTCA – The Rural Broadband Association emitiu um relatório estimando que a comunidade rural conseguiria economizar milhares de dólares por ano com custos de viagens e descontos no salário.

Por outro lado, a pesquisa mostrou que embora as consultas remotas geralmente custam metade aos usuários, o alto consumo resultaria em aumento de gastos para as seguradoras. No entanto, a demanda dos pacientes pode impulsionar a adoção. A maioria dos usuários relatou ao Nemours o interesse em futuras visitas remotas e 99% deles disseram que indicariam os serviços para outras famílias.

Enquanto isso, o Wall Street Journal (WSJ) noticiou que os prestadores de serviços estão utilizando a tecnologia para fornecer atendimento às mulheres com gravidez de alto risco. Uma obstetra do estado da Georgia reportou ao jornal que ao invés de enviar suas pacientes para um especialista a uma hora de distância, ela decidiu investir 15 mil dólares em equipamentos de telemedicina, a fim de fornecer acesso aos especialistas de Atlanta, sem que as grávidas precisem sair de casa . Em alguns casos, as intervenções precoces puderam salvar a vida dos bebês atendidos.

Em outras regiões do país, os prestadores de serviço estão investindo em tecnologia para prestar chamadas domiciliares online para mães que aguardam atendimento. Haywood Brown, Presidente do Congresso Americano de Obstetras e Ginecologistas informou ao WSJ que a telemedicina é prioridade para a organização, pois “ela melhora a qualidade da assistência médica e reduz os custos com a saúde”.

 


Fonte: FierceHealthcare // Autor(a): Evan Sweeney // Tradução: Camila Marinho

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