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Remuneração baseada em valor na Saúde: o exemplo que vem de fora

Os custos da Saúde, tanto Suplementar quanto pública, vêm aumentando nos últimos anos no Brasil. Além da instabilidade econômica, uma das causas apontadas por especialistas para esse aumento é o envelhecimento populacional, que traz uma mudança no perfil epidemiológico dos brasileiros, aumentando a incidência de doenças crônicas. Esse cenário reforça a necessidade de discussão do atual modelo de remuneração entre operadoras ou o Sistema Único de Saúde (SUS) e os prestadores, que atualmente é dividido em  fee for service, remuneração por serviço prestado e pagamento por pacote, no qual cada tratamento tem uma remuneração pré-estabelecida.

Em todo o mundo, vários países já adotam a remuneração baseada em valor, ou performance, principalmente quando conciliada a programas de medicina preventiva. Os resultados incluem redução dos custos e mais qualidade para a assistência.

Conheça alguns exemplos que vêm de fora do Brasil:

 

Reino Unido:

A mudança do modelo de remuneração e do sistema de Saúde como um todo teve início em 2004, quando os britânicos implementaram a Estrutura de Resultado e Qualidade (Quality and Outcome Framework, QOF), que estabeleceu processos e definiu metas em todos os passos da assistência.

Segundo dados da pesquisa Pay-for-Performance in the United Kingdom: Impact of the Quality and Outcomes Framework—A Systematic Review,  a diminuição do custo efetivo de tratamento foi de 20% nos primeiros 10 anos. Além disso, a implantação da medicina preventiva fez com que o acesso dos tratamentos de Saúde para a população aumentasse de 63% para 90%.

 

Portugal:

Também em 2004, o país lusitano começou uma reforma total na Saúde, tanto na esfera pública quanto privada. A meta era diminuir os custos, que ultrapassavam 10% do Produto Interno Bruto (PIB). A solução foi investir em prevenção e otimização dos processos, com a criação da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI).

Portugal também implementou o sistema de pagamento por performance na Saúde Suplementar. Lá, em média 25% da remuneração dos médicos é baseada em performance, o que, segundo as pesquisas Sistemas de Alocação de Recursos a Prestadores de Serviços a Saúde e O sistema de saúde em Portugal: realizações e desafios, culminaram em mais qualidade na assistência.

 

Estados Unidos:

O sistema de Saúde do país é praticamente todo privado e o modelo de pagamento por performance começou a ser discutido na década passada também. Em 2012, cerca de 20% dos contratos já operavam nesse formato. Atualmente o percentual alcança 67%.

As organizações norte-americanas também começam a desenvolver a ideia de medicina 4P – preventiva, preditiva, participativa e personalizada – como forma de otimizar custos e aumentar a performance dos tratamentos de Saúde. O Instituto de Medicina 4P (P4 Medicine Institute) realiza pesquisas sobre os benefícios de uma remuneração por performance aliada aos pilares do modelo.

Mesmo sistemas de Saúde que apresentam alto custo e baixa qualidade, como o norte-americano, adotam formas de remuneração por performance, ou, em alguns casos, um misto de fee for service e performance, principalmente para controlar os custos e oferecer mais qualidade à assistência.

O Brasil, porém, ainda caminha a passos lentos para a adoção de contratos por performance. É urgente que os gestores percebam que esse modelo é uma das formas mais eficazes de diminuir as glosas, controlar os gastos e promover a sustentabilidade das organizações ao mesmo tempo em que garante a qualidade de vida da população.