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Os 4 Ps da Saúde populacional

Criada pela Sociedade Europeia de Medicina Preventiva há quase uma década, a medicina 4P ganha novos aliados com a tecnologia. Sua principal proposta é criar um sistema de Saúde que tenha como foco pesquisa e prevenção, e não mais tratamento e cura. O modelo é beneficiado por ferramentas como inteligência artificial (IA) – que traz importante apoio na prevenção e diagnóstico precoce – e internet das coisas (Internet of Things – IoT) – que possibilita a criação de wearable devices, os dispositivos vestíveis para monitorar sinais vitais em esquema 24/7. Tudo com potencial para modificar significativamente os paradigmas da Saúde populacional.

Na medicina 4P, o primeiro “P”, de prevenção, visa evitar que o paciente adoeça ou tenha agravos. O segundo, de predição, tem o objetivo de identificar doenças que podem aparecer, com base em mapeamento populacional e investigação genética. O terceiro, de participação, faz com que se crie uma relação mais humana entre o médico, o paciente e a sociedade como um todo. E o quarto, de personalização, trabalha com propostas individualizadas, conforme as necessidades de cada paciente.

Além de promover a qualidade de vida da população, uma das características desse modelo, quando aliado à tecnologia, é a geração e manipulação de dados. A enorme massa gerada por sistemas, aplicativos e outras soluções de Saúde, trabalhada por ferramentas de inteligência artificial, leva o modelo preventivo e preditivo a outros patamares.

Para Ronaldo Cristiano Pratti, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e doutor em ciências da computação e matemática computacional, a IA é uma realidade cada vez mais disseminada no setor. “Existem técnicas de diagnóstico de doenças por ferramentas de inteligência artificial que já são mais precisas que as de médicos experientes. A adoção em maior escala desses métodos pode levar ao diagnóstico precoce, reduzindo custos e aumentando a expectativa de vida dos pacientes.”

O especialista cita como exemplos o uso de mídias sociais, como o Twitter, para prever doenças infecto-contagiosas e problemas cardíacos, além de câmeras de celular capazes de diagnosticar problemas oculares.

Uma preocupação do setor é o alto custo de uma IA ou de dispositivos dotados de IoT, contudo, Pratti esclarece que o investimento depende da complexidade do que se espera com a tecnologia. O especialista garante ser possível adotar ferramentas úteis e de baixo custo. “Uma etapa comum é a coleta de dados, que pode ser feita de maneira simples, por meio de consulta aos bancos de dados das organizações, por exemplo, mas também de forma complexa, como no caso do desenvolvimento de ferramentas específicas, que podem custar na casa dos milhões de dólares”.

A medicina P4, aliada às tecnologias que já existem e que ainda estão por vir, tem potencial para reduzir consideravelmente os custos com tratamentos, medicamentos e internações, além, claro, de trazer mais qualidade de vida à população.

Saúde populacional como estratégia para mudança do setor

À medida que provedores e pagadores transitam para uma saúde baseada em valor, incluindo novas formas de se mensurar resultados e interpretar custos, a gestão da saúde populacional se tornou um mecanismo básico para realizar essa transformação de forma sustentável.

Este é um termo ouvido cada vez mais e presente tanto a nível governamental quanto institucional. Não é de hoje que se percebe que dinheiro puramente investido em saúde não é proporcional à qualidade, e nem resultados. É necessário um trabalho forte de gestão e políticas na alocação desse recurso. Para se ter uma ideia, nos EUA, 17,1% do PIB é gasto com saúde, o que se converte em uma expectativa de vida de 78.8 anos, com um acesso público de 34% da população. Enquanto isso, no Reino Unido, 100% da população têm acesso à saúde pública, com expectativa de 81.1 anos, realizados com um orçamento de 8.8% do PIB.

O gerenciamento da saúde é uma abordagem abrangente para descobrir lacunas no atendimento através de dados e programas de gestão que alinhem os cuidados aos indivíduos, que podem ainda não ser pacientes, de forma a otimizar resultados e receita. Desenvolver e implantar esses projetos pode ser uma proposta difícil, especialmente devido a limitações de orçamento e transição de cultura.

São muitas as evidências de que a gestão da saúde populacional pode reduzir o impacto das doenças crônicas, a utilização inadequada de serviços e promover a melhora na qualidade de vida dos pacientes. O gerenciamento efetivo da saúde da população beneficia pacientes, médicos, organizações de saúde, todo o sistema de saúde e o país como um todo.

Os pacientes recebem melhor atenção coordenada – e desfrutam de melhor saúde – porque são acompanhados e recebem atenção primária. Os médicos são mais bem informados e seus pacientes são mais engajados, e consequentemente, vemos melhores resultados nos cuidados. As organizações de saúde são mais lucrativas – qualquer que seja seu modelo de pagamento – porque as lacunas no atendimento são preenchidas, o volume de pacientes aumenta e o custo de prestação de cuidados pode ser quantificado com mais precisão.

sistema de saúde se beneficia do aumento do atendimento preventivo, o que ajuda a evitar procedimentos mais caros e leva a uma atenção de qualidade, mais eficiente e coordenada entre as organizações de saúde. O país se beneficia de custos reduzidos com saúde, melhor gerenciamento de doenças e uma população geralmente mais saudável.

Começar pequeno e com o básico é a chave para qualquer primeiro contato com uma nova iniciativa, neste caso, para o desenvolvimento de um programa bem sucedido de gestão de saúde da população. Os agentes devem se perguntar qual iniciativa economizará mais dinheiro e produzirá as melhorias clínicas mais mensuráveis com o mínimo de esforço. Um case-piloto, como desenvolver estratégias para aumentar as taxas de vacinação contra gripe ou pneumonia, por exemplo, pode servir como prova de conceito para os executivos enquanto ajuda uma organização a desenvolver uma base de melhores práticas para casos de uso futuros. Novamente, não existem respostas prontas que caibam em todos os contextos, mas um consenso é que a abordagem voltada aos dados para o gerenciamento pró-ativo e preventivo da população provavelmente produzirá resultados mais positivos a longo prazo para os pacientes.

Um programa de gerenciamento da saúde da população (PHM) bem sucedido é aquele que fornece insights tanto para o corpo clínico quanto para administradores, permite que os mesmos identifiquem os pontos de melhoria e tomem ações visando a dupla resultado-custo. O PHM procura melhorar os resultados de saúde de um grupo, monitorando e identificando pacientes individuais dentro deste grupo. Isso requer que dados clínicos, financeiros e operacionais estejam disponíveis para elaborar uma infraestrutura de gerenciamento de atendimento, incluindo a estratificação de risco, entrega do cuidado e monitoramento continuado do desfecho, individual e seu impacto no grupo. As métricas de qualidade são fundamentais para avaliar um programa PHM, mas muitas organizações têm dificuldade em entender quais métricas devem ser usadas, quais dados são necessários e como podem traduzir números de desempenho em melhorias acionáveis.

Dados importantes para a estratificação de risco podem incluir o número e tipo de doenças crônicas, histórico de utilização hospitalar, dados pessoais, diagnóstico de saúde mental ou outros fatores como ambientais, sociais e econômicos. Pacientes com notas de risco mais altas podem receber atenção extra, incluindo acompanhamento mais frequente, apoio social e comunitário, serviços de coordenação de cuidados aprimorados, orientação para adesão à medicação ou um convite para se inscrever em um programa educacional de apoio ao paciente. Pacientes com notas de menor risco ainda podem se beneficiar de serviços como lembretes de exames preventivos, opções para se comunicar com provedores, e incentivos para manter hábitos de vida saudáveis.

Apesar das doenças crônicas estarem entre as doenças mais caras, prevalentes e evitáveis que afetam a saúde da população, nem sempre os participantes deste grupo retornarão aos melhores resultados. Isso porque, em algumas vezes, não há muito o que se fazer além de acompanhamentos para, de fato, alterar uma situação médica. Já indivíduos em baixo risco podem potencialmente se beneficiar de forma muito mais interessante desses programas, se engajando antecipadamente com a sua saúde e evitando custosos problemas futuros, naquilo que os compete.

Essas estratégias e serviços preventivos destinam-se a ajudar a manter o estado de saúde mais alto possível em cada indivíduo, evitando os eventos de crise, reduzindo as hospitalizações desnecessárias e melhorando a qualidade de vida geral. Como resultado, os provedores podem reduzir serviços caros, evitar duplicação de esforços, aumentar a satisfação do paciente e promover melhor saúde geral para seus pacientes.

prevenção é um dos pilares de um conceito bem mais amplo e que volta a ter a sua importância reconhecida depois de anos de negligência. A atenção primária, em sua essência é o tratamento das pessoas, e não necessariamente de doenças ou condições específicas. Geralmente, é o primeiro ponto de contato entre o indivíduo e o sistema de saúde, isso significa que é nesse contato que podem ser vistos os primeiros sintomas de depressão, sinais precoces de câncer ou doenças crônicas e outros problemas de saúde. O objetivo é proporcionar a promoção da saúde, através da prevenção de doenças, manutenção da saúde, aconselhamento, educação do paciente, diagnóstico e tratamento de doenças. É um atendimento abrangente, acessível e baseado na comunidade, que atende às necessidades de saúde dos indivíduos ao longo da vida.

Neste modelo, os profissionais de atenção primária garantem que os pacientes recebam os cuidados certos, no ambiente certo, pelo provedor mais adequado, considerando a eficiência e o valor para o paciente. Cerca de 80% a 90% das necessidades de saúde de um indivíduo ao longo de sua vida podem ser atendidas na medicina básica. Um estudo americano mostrou que os adultos do país que têm um provedor de cuidados primários têm 19% menos chances de morte prematura do que aqueles que só vêem especialistas para seus cuidados. Além disso, as pessoas que têm acesso à cuidados primários poupam 33% de recursos financeiros em saúde sobre os seus pares que apenas consultam especialistas.

acesso aos cuidados primários ajuda a manter as pessoas fora das salas de emergência, onde os cuidados custam pelo menos quatro vezes mais que os atendimentos ambulatoriais. Fato embasado por uma pesquisa da Carolina do Norte, que descobriu que quase 60% dos problemas dos pacientes poderiam ter sido abordados no modelo de atenção primária, o que teria gerado uma economia de três a sete vezes no custo total.

Quando implementada corretamente, a atenção primária é muito benéfica para a saúde dos pacientes e também reduz os encargos financeiros tanto do sistema de saúde quanto das próprias empresas. Um dado da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que companhias que possuem gestão de saúde, incluindo atenção primária, reduzem em até 30% as despesas de tratamento médico e absenteísmo de seus funcionários.

Apesar das incertezas, é importante reconhecer que a gestão da saúde da população será a base para a maioria das futuras iniciativas de reforma da saúde. Sem um embasamento firme na estratificação de riscos, cuidados preventivos e análises de big data, as instituições provavelmente não conseguirão lidar com seus indivíduos de forma sustentável e baseadas em valor.

Tecnologia como aliada da Saúde Populacional

Criada pela Sociedade Europeia de Medicina Preventiva há quase uma década, a medicina 4P ganha novos aliados com a tecnologia. Sua principal proposta é criar um sistema de Saúde que tenha como foco pesquisa e prevenção, e não mais tratamento e cura. O modelo é beneficiado por ferramentas como inteligência artificial (IA) – que traz importante apoio na prevenção e diagnóstico precoce – e internet das coisas (Internet of Things – IoT) – que possibilita a criação de wearable devices, os dispositivos vestíveis para monitorar sinais vitais em esquema 24/7. Tudo com potencial para modificar significativamente os paradigmas da Saúde populacional.

Na medicina 4P, o primeiro “P”, de prevenção, visa evitar que o paciente adoeça ou tenha agravos. O segundo, de predição, tem o objetivo de identificar doenças que podem aparecer, com base em mapeamento populacional e investigação genética. O terceiro, de participação, faz com que se crie uma relação mais humana entre o médico, o paciente e a sociedade como um todo. E o quarto, de personalização, trabalha com propostas individualizadas, conforme as necessidades de cada paciente.

Além de promover a qualidade de vida da população, uma das características desse modelo, quando aliado à tecnologia, é a geração e manipulação de dados. A enorme massa gerada por sistemas, aplicativos e outras soluções de Saúde, trabalhada por ferramentas de inteligência artificial, leva o modelo preventivo e preditivo a outros patamares.

Para Ronaldo Cristiano Pratti, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e doutor em ciências da computação e matemática computacional, a IA é uma realidade cada vez mais disseminada no setor. “Existem técnicas de diagnóstico de doenças por ferramentas de inteligência artificial que já são mais precisas que as de médicos experientes. A adoção em maior escala desses métodos pode levar ao diagnóstico precoce, reduzindo custos e aumentando a expectativa de vida dos pacientes.”

O especialista cita como exemplos o uso de mídias sociais, como o Twitter, para prever doenças infecto-contagiosas e problemas cardíacos, além de câmeras de celular capazes de diagnosticar problemas oculares.

Uma preocupação do setor é o alto custo de uma IA ou de dispositivos dotados de IoT, contudo, Pratti esclarece que o investimento depende da complexidade do que se espera com a tecnologia. O especialista garante ser possível adotar ferramentas úteis e de baixo custo. “Uma etapa comum é a coleta de dados, que pode ser feita de maneira simples, por meio de consulta aos bancos de dados das organizações, por exemplo, mas também de forma complexa, como no caso do desenvolvimento de ferramentas específicas, que podem custar na casa dos milhões de dólares”.

A medicina P4, aliada às tecnologias que já existem e que ainda estão por vir, tem potencial para reduzir consideravelmente os custos com tratamentos, medicamentos e internações, além, claro, de trazer mais qualidade de vida à população.

Entenda mais sobre Saúde Baseada em Valor

Tratamentos excessivos gerados por incentivos indevidos, custos e orçamentos descontrolados, dados desorganizados, falta de acompanhamento longitudinal do paciente. Esses são alguns dos tópicos que sempre vêm à tona nos sistemas de saúde quando falamos no modelo baseado em serviço.

No tradicional modelo de pagamento por serviço, os provedores são pagos pela quantidade de procedimentos que realizam. Com isso, prestadores são estimulados a pedir mais exames e procedimentos, além de serem recompensados diretamente com o volume de atendimento, já que a experiência do paciente não é levada em consideração. Os cuidados baseados em valor surgiram como uma alternativa para substituir o modelo baseado em serviços, já que leva em conta a qualidade, e não a quantidade.

O cuidado baseado em valor é impulsionado por dados, pois os provedores precisam reportar aos pagadores métricas específicas e demonstrar melhorias, tanto em termos clínicos, quanto em experiência do usuário. Nesse modelo, os prestadores são pagos de acordo com os resultados que proporcionam para os pacientes, há medicina baseada em evidências, envolvimento no tratamento, e principalmente correspondência de incentivos entre todos da cadeia.

A transição do modelo de serviço para o modelo de valor entra em um dos maiores desafios financeiros nos sistemas de saúde: como ajustar o pagamento. Há, porém, um grande movimento entre os principais players do setor no desenvolvimento de projetos baseados em valor. Até o final deste ano, segundo a United Healthcare, mais de US$ 65 bilhões serão vinculados, no mercado americano, a contratos baseados em valor. Além disso, à medida que o movimento ganha impulso, projeta-se que a adoção de cuidados baseados em valor responda por cerca de 59% dos pagamentos de cuidados de saúde até 2020, de acordo com o Relatório de Tendências de Cuidados de Saúde 2018 da Aetna.

O conceito não é novo: existe desde 2006, quando Michael Porter publicou o livro Repensando a Saúde: Estratégias para Melhorar a Qualidade e Reduzir os Custos. Desde então, há uma movimentação do setor, especialmente por onde começar a mudança e como fazê-la de forma transparente e justa com todos os elos. O valor é definido como o resultado para o paciente, envolvendo a qualidade do serviço e sua experiência, dividido pelo custo envolvido no tratamento. Os cuidados baseados em valor focam na maximização da equação.

Segundo Porter, a saúde baseada em valor é uma iniciativa de reestruturação dos sistemas de saúde em todo o mundo, cujo objetivo global é ampliar o valor para os pacientes, conter a escala de custos e oferecer mais conveniência e serviços aos clientes. Ele descreve a transformação do cuidado com base em seis elementos inter-relacionados: organizar suas unidades em práticas integradas, medir resultados e custos para cada paciente, mover os pagamentos para ciclos de cuidado, integrar os cuidados entre os serviços de saúde, expandir o acesso a serviços de excelência, e por fim, ter acesso a uma plataforma de TI que atue como facilitadora no processo.

Como as atividades de cuidado são interdependentes, o valor para os pacientes geralmente é revelado apenas com o tempo e se manifesta em resultados à longo prazo. A única maneira de medir com precisão o valor, então, é acompanhar os resultados e custos do paciente de forma longitudinal. O valor move a cadeia a realizar decisões responsáveis e realizar de fato um gerenciamento clínico, com iniciativas que promovam a saúde do indivíduo. Quanto mais coordenado, apropriado e eficaz o tratamento, melhores são as recompensas, e maior é a sustentabilidade econômica do setor.

A questão está longe de ser fácil e envolve assuntos políticos e éticos em seu debate. Enquanto emocionalmente se deseja que médicos realizem todos os procedimentos possíveis para seus pacientes, independente dos custos, racionalmente deve-se pensar que um esforço isolado pode prejudicar centenas de outras vidas, gerar desperdícios ou até situações financeiras irreversíveis para a família do indivíduo.

Como o valor é definido como resultados sobre custos, ele engloba a eficiência. No caso, o modelo baseado em valor está blindado do caminho fácil de se reduzir custos ou realizar subtratamentos. A falsa economia a curto prazo é destrutiva, limita a qualidade e fere o princípio básico de atenção primordial ao paciente.

No livro Entendendo a Saúde Baseada em Valor, os autores destacam os perigos da falta de análise crítica dos procedimentos operacionais padrão, e citam o exemplo do uso disseminado da angiotomografia para diagnosticar embolia pulmonar. Cerca de um terço dos 1,5 milhão dos exames realizados a cada ano nos EUA são feitos para descartar embolia pulmonar. No entanto, o diagnóstico de embolias pulmonares por este método revelou um impacto muito pequeno nas taxas de mortalidade. E expõem as pessoas à radiação e ao agente de contraste intravenoso, o que acarreta algum risco de reações alérgicas e insuficiência renal. Há, sem dúvidas, o desafio de se produzir o melhor atendimento a um custo menor, e ainda, como conectar a qualidade e à ética do cuidado consciente dos custos.

transição para um modelo de valor levará anos, e isso será especialmente provocador para provedores a custo prazo. Cumprir metas baseadas em valor requer que os hospitais diminuam a utilização entre suas populações, reduzindo assim o volume e a receita de seus procedimentos. Com a baixa da receita, os hospitais precisam melhorar as margens o máximo possível, otimizando seus processos e exigindo um bom gerenciamento. Em um ambiente baseado em valor, qualquer investimento para simplificar operações e eliminar o desperdício do sistema vai diretamente para o hospital, não para o pagador.

Não existe um modelo único de saúde baseada em valor que se adapte a todas as situações e instituições. A escolha depende do posicionamento da organização e metas estratégicas definidas. Para citar, as Accountable Care Organizations (ACOs) são unidades de trabalho que focam em equipes de rede para oferecer cuidados coordenados com o menor custo possível. Cada membro compartilha os riscos e incentivos decorrentes do resultado da saúde do paciente, promove melhor qualidade e maior acesso no atendimento.

O gerenciamento de uma organização de saúde precisa ser capaz de tomar decisões sobre o que fazer ou não fazer, sobre como realizar a política de reembolso, sobre qual é o conceito de valor que eles entregarão, além da já conhecida análise de custos e riscos. Para isso, como já dito anteriormente, a saúde baseada em valor tem uma abordagem orientada a dados. E organizados de forma estruturada, não um pool de informações desconectadas e fragmentadas advindas de vários departamentos.

Para a tomada das decisões, os dados ainda devem ser fornecidos de forma contínua. Medir, analisar, relatar e comparar os resultados rigorosamente talvez sejam os passos mais importantes para melhorar rapidamente e fazer boas escolhas sobre a redução de gastos. Medir os custos totais durante todo o ciclo de cuidados de um paciente e compará-los permitirá uma redução de custo verdadeiramente estrutural, através de etapas como realocação de gastos entre tipos de serviços, eliminação de serviços que não agregam valor, melhor uso da capacidade, encurtamento de tempo de ciclo, fornecimento de serviços nas configurações apropriadas e assim por diante.

Em qualquer área, melhorar o desempenho de um setor como um todo só é possível através do alinhamento de interesse entre os players e da premissa da responsabilidade compartilhada. É preciso deixar de lado a lucratividade egoísta, contenção de custos que põe em risco a segurança do paciente e a conveniência política, se o objetivo for verdadeiramente gerar valor para o usuário final e ter um sistema de saúde e sustentável. É claro, para isso é necessário muita transparência sobre as metas e abordagens no desenvolvimento desses modelos.

De forma geral, apesar dos provedores focarem mais em medicina básica de prevenção, eles eventualmente gastarão menos tempo com doenças crônicas. A sociedade se torna mais saudável, reduzindo os gastos globais com a saúde. A mudança de modelos baseados em serviço para valor é um passo importante em direção à assistência médica de melhor qualidade e a gastos mais judiciosos com a saúde.

18 reflexões sobre o papel do CIO na Saúde

Que a tecnologia substitui cada vez mais processos manuais e tarefas repetitivas já sabemos, inclusive discutimos isso no SBF18. Mas quem são as pessoas envolvidas nesses processos? Com certeza o CIO deve ser uma delas e a percepção de sua importância estratégica é crescente.

A era em que o CIO era visto como um personagem técnico está acabando. Hoje falamos de transformação digital na saúde e o CIO assume um papel cada vez mais relevante, com a missão de encontrar oportunidades de melhorias na assistência e no negócio.

Estar em contato com outros líderes do setor é uma experiência enriquecedora, que proporciona uma reflexão importante: ser um CIO é desafiador. À medida que o tempo passa cada vez mais é esperado que ele realizemos mais com menos recursos.

A participação em eventos proporciona uma oportunidade sem igual de manter-se na vanguarda da inovação, entendendo o que há de mais recente em soluções tecnológicas e tendências, dividindo experiências com outros CIOs e fornecedores.

A troca de ideias, impressões e conhecimentos em eventos como o HIS e a HIMSS me levou a criar a lista abaixo com 18 reflexões sobre esse nosso novo papel:

  1. Sim CIO, o burnout médico também é seu problema, ajude na solução.
  2. Se Inteligência Artificial não está nos seus planos, inclua.
  3. Engajamento dos pacientes: você tem pensado seriamente sobre isso quando define sua arquitetura de sistemas?
  4. Experiência dos pacientes: local onde a TI pode fazer a diferença e mostrar a que veio.
  5. Inovação é uma questão de sobrevivência. Sem pesquisa não há inovação. Sem inovação, não há pesquisa.
  6. Data Analytics: revisitar sua estratégia é mandatório, seu plano pode estar errado.
  7. Cybersegurança tirará seu sono para sempre!
  8. Análises preditivas salvam vidas, seus dados contém tesouros.
  9. Interoperabilidade continua sendo encarada como um problema, já está na hora de você adotar padrões e facilitar para o ecossistema.
  10. Soluções criativas resolvem a maioria dos problemas.
  11. Blockchain: imaturo mas promissor.
  12. “Contrate” robôs e facilite a vida das áreas de negócios.
  13. Sim, EMRAM é um modelo que vai poupar esforços e garantir boas práticas.
  14. Transformação Digital, você está atrasado!
  15. Fornecedores, divida seus problemas e suas estratégias com eles, transforme-os em verdadeiros parceiros.
  16. Trocar experiências te provê conhecimento e insights.
  17. Sim, o paciente deve ser o centro!
  18. Participar de eventos com foco em saúde como o HIS e HIMSS, por exemplo,  é um privilégio.

Confirmei minha presença como palestrante no HIS – Healthcare Innovation Show 2018 e espero poder encontrar você por lá!

Ministro da Saúde afirma que vai economizar R$ 20 bilhões de reais com informatização do sistema nacional de saúde

Em visita ao Healthcare Innovation Show, Ricardo Barros afirmou que o país  economizará R$ 20 bilhões depois de o processo de informatização ser implementado

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, aproveitou o ambiente do HIS 2017 – Healthcare Innovation Show, evento dedicado às novas tecnologias no setor da saúde, para declarar que a informatização do sistema nacional é a prioridade da sua gestão. Com a implementação total das medidas para melhorar a qualidade de dados e integrar as informações entre municípios, estados e União, o Ministério pretende economizar cerca de R$ 20 bilhões, de acordo com o ministro.

As declarações de Barros foram feitas no coquetel de encerramento do HIS 2017, que antecedeu a entrega dos prêmios Top Hospitalar e Referências da Saúde (Mais informações abaixo).

Entre os números informados pelo ministro quanto ao processo de informatização  que está em andamento no país, estão sendo investidos R$ 1,5 bilhão por ano para a formulação do DIGISUS, uma plataforma digital que reúne todos os sistemas do SUS (Sistema Único de Saúde). Barros destacou que desse montante, R$ 67 milhões estão sendo usados para a aquisição de supercomputadores que auxiliarão na integração dos dados e que darão maior capacidade de receber informações de estados e municípios de forma ágil e segura.

“Com a informatização completa, poderemos melhorar muito o sistema de gestão, fazer grandes economias, evitar repetição de exames, diminuir solicitações de procedimentos, por exemplo. Nós precisamos propor um modelo que financia a saúde, não a doença como é hoje”, afirmou.  O ministro pontuou também as resistências que o Ministério tem enfrentado na implementação desse novo modelo, principalmente por alguns profissionais que não aceitam se submeter a processos de controle mais eficientes proporcionados pelas tecnologias digitais.

Outro avanço destacado pelo ministro será o sistema de Biometria, que garante segurança na identificação do paciente e no acesso a informação, feito em parceria com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo Barros, proporcionará maior segurança no registro e acesso de informações dos cidadãos, além contribuir para evitar fraudes.

Top Hospitalar e Referências da Saúde 2017 reconhecem as empresas que mais destacaram no setor

As empresas contempladas no Top Hospitalar foram Johnson & Johnson, Philips, GE Healthcare, Roche Diagnóstica, Maquet, Dräger, White Martins, Dell, MV, AGFA e TOTVS, pelo reconhecimento ao trabalho desenvolvido em produtos e serviços prestados na indústria de saúde do país.

A premiação é o resultado de uma pesquisa em parceria com a consultoria PwC com a participação de 66 instituições de saúde (como hospitais, clínicas e laboratórios) que enviaram 117 cases para avaliação. Essas instituições também indicaram os mais lembrados quanto à qualidade dos produtos e serviços prestados nas 11 categorias.

No Referências da Saúde, foram reconhecidas 41 instituições de saúde que desenvolveram as melhores experiências sobre gestão, qualidade assistencial, governança e segurança do paciente homenageadas no palco do HIS. Ao todo foram cerca de 59 casos de sucesso escolhidos por uma comissão do prêmio e por um estudo anual realizado pelo portal e revista Saúde Business em parceria com a consultoria PwC.

Das instituições finalistas, 15 foram premiadas, entre elas BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Hospital São Rafael, Unimed BH, Unimed Vitória, Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, Grupo São Francisco e Unimed Recife III.

O prêmio Referências da Saúde tem como propósito retratar e destacar o grau de maturidade de gestão dos players do setor da saúde. O foco do estudo são hospitais, operadoras de planos de saúde (cooperativas, seguradoras, autogestões, medicina de grupo), centros de medicina diagnóstica e empresas de home care.

1º Simpósio Internacional de Operações Hospitalares discutiu a importância da nova área de Operações

Com moderação de Vitor Asseituno, CEO da Live Healthcare, a plenária “Liderança: Preparar para Ambientes de Transformação e Performance” abriu o 1º Simpósio Internacional de Operações Hospitalares, que integra a programação de congressos do Healthcare Innovation Show.

Tanira Torelly Pinto, superintendente de operações e governo do Hospital Moinhos de Vento de Porto Alegre, e João Fábio Silva, superintendente-executivo de operações da BP – Beneficência Portuguesa de São Paulo, concordam com a importância que a superintendência tem dentro dos hospitais, que abrange desde as áreas operacionais e o contato com planos de saúde, até o bem-estar dos pacientes.

Tanira conta que o Moinhos de Vento “trabalha muito duro no desenvolvimento de lideranças. É um trabalho contínuo de desenvolvimento. Acreditamos que toda equipe tem de estar engajada, não adianta eu pensar que isso não vai chegar na pessoa que atende o telefone, por exemplo, porque chega. E essa pessoa também tem de estar preparada. Assim as demandas, dos médicos, dos pacientes, chegam até nós”. A profissional lembrou também que “o Hospital é totalmente dependente de pessoas, é um setor que a gente não conseguiu automatizar”.

Já segundo Silva, desenvolver ferramentas de liderança é essencial. “Para ser líder é importante você se conhecer para saber lidar com os demais.” Ele ressaltou a importância da eficiência da comunicação entre os funcionários e a empresa. “Temos que parar de olhar verticalmente e olhar horizontalmente, se comunicar com as pessoas com quem trabalhamos diretamente”, afirmou.

 Resultados do modelo de atenção primária ajudam a mudar cultura do paciente

Os bons resultados alcançados nos modelos de atenção primária em funcionamento no país têm ajudado a modificar a cultura do paciente que tradicionalmente prefere optar por um médico especialista mesmo sem saber direito se é esse o profissional adequado para o seu problema de saúde. Os relatos dos profissionais presentes no 1º Simpósio de Operações Hospitalares, no HIS 2017, no painel: “Agenda Macro; o desafio da atenção primária” foram unânimes no que se refere à importância desse modelo para o sistema de saúde no Brasil.

No início, os pacientes ainda acostumados à livre escolha do tipo de médico que julgam poder tratar melhor seus problemas se sentem como se tivessem “perdendo poder” ao serem encaminhados primeiramente à atenção primária, diz Guilherme Crespo, diretor de Provimento em Saúde da Unimed Vitória (ES). Contudo, continua Crespo, os clientes conseguem identificar muito rapidamente um ganho de qualidade, pois percebem que esse modelo os conduz com mais precisão para o atendimento. Nesse caso, o índice de satisfação dos pacientes na Unimed Vitória é de 95%, informa o diretor.

Eduardo Almas, assessor da presidência da Rio Saúde, destacou que nos modelos de gestão em que há investimento prioritário no profissional da saúde, em treinamento e em utilização mais intensa de tecnologia da informação o atendimento primário melhora e a percepção do paciente é imediata, o que consequentemente acaba mudando a cultura da livre escolha em favor da atenção primária.

No Hospital Mater Dei, em Minas Gerais, foi criado um programa especial com base nesse modelo com ótimos resultados, sendo possível baixar custos, como o de medicamentos, por exemplo. A diretora clínica, Marcia Salvador Géo, afirmou que embora esse modelo tenha sido  apresentando às operadoras de saúde com as quais o hospital têm vínculo, até o momento não houve interesse em adotá-lo, o que mostra ainda uma resistência das empresas. “Depois que o paciente é bem acolhido e vê que o tratamento surtiu o efeito esperado, ele se fideliza e dificilmente volta ao modelo anterior”, ressalta André Paranzini, diretor médico do Minutomed.

Qualidade de dados é determinante para a realização de uma boa gestão

“Sem informação a gente não consegue fazer a gestão”. A assertiva do superintendente de TI do Grupo Santa Celina, Eduardo Ângelo, deu o tom do  painel “Analytics na Construção de Negócios Sólidos”, no HIS 2017, que discutiu as vantagens dos analytics no sistema de gestão de saúde e as dificuldades para a manutenção de um banco de dados eficiente. “Ter só a ferramenta não resolve os problemas da empresa. É importante entender para que serve a informação que você tem”, afirmou Ângelo.

Luiz Guimarães, superintendente de TI do Hospital Unimed Volta Redonda (RJ), disse que a qualidade e disponibilidade do dado é uma parte importante do processo. “Temos que ter a consciência de saber o que fazer com a informação que temos disponível. Temos informações vindas de todos os lados, então a questão é como armazená-las no mesmo lugar e como conseguir extrair aquela que é realmente útil”, afirmou.

Na mesma linha de argumentação, a CIO da BP- Beneficência Portuguesa de São Paulo, Lilian Hoffman, lembrou que os hospitais em geral já possuem a melhor base, que é o prontuário eletrônico, mas seu uso ainda não é feito de maneira ideal. “Nosso desafio é olhar para a massa de dados e extrair informações dela”, relatou.

Já para Klaiton Simão, CIO do Hospital São Camilo, as instituições só privilegiam a qualidade dos dados quando isso pode se transformar em benefício econômico, quando essa qualidade deveria ser pré-requisito. De acordo com ele, há uma certa resistência interna na atualização e inovação de layouts de softwares, por exemplo. “Internamente, há a necessidade da mudança do software. Hoje, a gente tenta reproduzir no mundo digital, o real, de modo que o médico não estranhe demais quando se depara com ele. Não dá pra entender porque não há uma mudança de acesso, pois já há tecnologia para isso”.

Ricardo Orlando, CIO da DASA, maior rede de laboratórios da América Latina, contou que a empresa passou recentemente por uma reestruturação importante em seus sistemas. “É importante ver o que há disponível no mercado para criar arquiteturas sistêmicas apropriadas, além de ouvir o profissional da saúde, que tem de dizer o que falta no dia a dia.”

 

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Mudanças na saúde exigem a formação de um novo gestor profissional

Com o tema “Educação para a Gestão de Saúde” foi aberto hoje, em São Paulo, o HIS – Healthcare Innovation Show 2017, em que executivos e líderes do setor falaram dos desafios do novo profissional de saúde.

As constantes mudanças que acontecem no setor de saúde com as novas práticas de gestão, auxiliados pelo emprego de novas tecnologias, exigem um novo perfil de gestor, tanto na área corporativa quanto na clínica. Na abertura do HIS – Healthcare Innovation Show 2017, as apresentações em torno do tema “Educação para a Gestão de Saúde” trataram da importância na formação desses profissionais que têm a responsabilidade de olhar a saúde como um ambiente integrado a fim de atender melhor as pessoas.

O diretor geral da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein Henrique Neves disse que o atual momento é de ruptura na atividade médica, tendo em vista as transformações pelas quais o setor passa. “A tecnologia da informação, os chamados big data, além da própria telemedicina, tudo isso está influenciando o atendimento médico”, afirmou.

O Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde (CBEXS) é uma entidade formada justamente para preparar esse novo profissional gestor, destacou a diretora executiva, Cláudia Scarpim. “Um dos nossos objetivos é a preparação para o desenvolvimento de competências frente a essas profundas mudanças que vem ocorrendo”. Para Gonzalo Vecina, docente da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, os futuros profissionais precisam ter em mente a importância de conceitos como eficiência, qualidade e segurança como componentes principais em qualquer modelo de gestão.

Já o presidente do Conselho de Administração da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados), Francisco Balestrin, ressaltou a importância de integrar a área clínica com a empresarial dentro de uma instituição médica privada. “Nosso valor maior tem de ser o da saúde, que é justamente o que precisamos fazer para o paciente”.

Sobre o HIS

O HIS – Healthcare Innovation Show é o primeiro trade show de tecnologia e inovação em um espaço de mais de 4.000 m² voltado ao mercado de saúde na América Latina. São 4 arenas simultâneas onde acontecem mais de 10 congressos, cada qual especialmente organizado para oferecer conteúdo de qualidade para os diferentes cargos e funções das organizações de saúde.

O evento deverá contar este ano com números que ultrapassam os 5.000 participantes, os 200 palestrantes e as 75 empresas expositoras, além de premiações de reconhecimento das experiências inovadoras do setor.

Além das discussões executivas e estratégicas, grandes empresas e startups apresentam o que há de mais inovador e tecnológico no mercado. Nomes de peso do setor lideram os conteúdos ao lado das principais associações e institutos.

O HIS 2017 é ainda constituído por três grandes eixos de atividades especiais: o Startup Lounge, com a exposição de serviços tecnológicos; o hackathon hack4health, maratona de desenvolvimento em busca de soluções para problemas da saúde e de gestão; e os prêmios Referência da Saúde/2017, Top Hospitalar/2017 e Great Place to Work.

 Serviço  

HIS – Healthcare Innovation Show 2017

Data: 25 e 26 de outubro de 2017

Horário: das 8h30 às 19h00

Local: São Paulo Expo

Endereço: Rodovia dos Imigrantes, Km 1,5 – São Paulo

http://saudebusiness.com/his/

Credenciamento Imprensa – o credenciamento poderá ser feito diretamente pelo link: goo.gl/vXRoLr


Contato para imprensa (HIS 2017):

2PRÓ Comunicação 

e-mail equipe: his17@2pro.com.br

Teresa Silva – (11) 3030-9463

Luciano Somenzari (11) 3030-9435

Myrian Vallone – (11) 3030-9404

Paula Giffoni – (11) 3030-9402

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Parcerias Público-Privadas são modelos que aliviam o setor público na Saúde

 

O tema das PPPs foi debatido no Congresso “Saúde Business Conference”,  durante o primeiro dia do Healthcare Innovation Show (HIS), no São Paulo Expo

O secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Francisco Figueiredo, abriu o painel “Saúde Business Conference”, que teve como moderador, Rogério Caiuby, diretor de estratégia do Hospital Sírio-Libanês. Segundo Figueiredo, para que o modelo de PPPs dê certo no país o hospital, por exemplo, não pode ser 100% mantido pelo SUS (Sistema Único de Saúde), pois, se for, é melhor que seu financiamento continue sendo totalmente público. Para ele, é essencial que se saiba quem se deve ou não contratar no setor de saúde. “No Brasil, temos o modelo das Organizações Sociais (OS). Quem erra muito é o ente público que não acompanha esse contrato, que contrata errado.” O secretário ainda lembrou que hoje no Brasil os gastos com saúde são diferentes do de 15 anos atrás, e que o tratamento de vítimas da violência urbana e de acidentes de trânsito, principalmente de motos, tem pesado nas contas dos municípios.

Já Joel Formiga, coordenador do programa Corujão da Saúde, da Prefeitura de São Paulo, afirmou que a capital paulista está investindo em inovação. “Nós estamos com uma mentalidade de transformar, mudar. O que se ganha em qualidade e agilidade com tecnologia não tem preço”, afirmou. Segundo ele, as chances de um cidadão ser atendido em um esquema público-privado na cidade é grande: “Quando nós olhamos para o orçamento da prefeitura, dos R$ 50 bilhões para Saúde, R$ 10 bilhões são gastos com OSs. Das quase mil unidades de saúde de São Paulo, dois terços são operadas por OSs. Hoje, não seria viável abrir um hospital sem essas organizações”, afirmou.

Felipe Rizzo, executivo do setor, com ampla experiência internacional, ressaltou que as PPPs foram muito testadas na Europa antes de chegar à América Latina. “Esse modelo tem muito a ver ao iniciar um projeto de grande escala, que gera uma alta complexidade e exige uma modelagem diferenciada, e criar um prazo longo para ceder espaço a quem tem mais competência para colocá-lo em prática”. Segundo ele, essas parcerias podem contribuir com projetos mais complexos que podem ser compartilhados com o setor privado”, afirmou.

 Discussão sobre jornada do paciente tem tecnologia como pano de fundo

O painel “Experiência: Jornada do Paciente em Contexto Ambulatorial e Hospitalar”, apresentado no 2º Simpósio de Liderança Clínica do HIS, tratou da experiência do paciente dentro do processo hospitalar e sobre como a tecnologia pode melhorá-la.

O moderador, Fábio Mattoso, executive leader Watson Health da IBM, ressaltou que “nenhuma tecnologia vai substituir o médico. Embora hoje tenhamos dispositivos que monitoram o paciente o dia todo, como os que medem a glicemia dos diabéticos, e que auxiliam muito os profissionais da saúde.” Luiz de Luca, CEO da Américas Serviços Médicos, lembrou que hoje temos, inclusive, “aplicativos que dão acesso a resultados de exames”.

O presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, Sidney Klajner, afirmou que o uso de tecnologias pode ajudar no tratamento de doenças, como o diabetes. “Temos no hospital um aplicativo que informa o paciente sobre a dose de insulina a ser tomada, por exemplo”, afirmou. Por outro lado, continua Klajner, “hoje, a quantidade de informações que nós temos e recebemos é muito fragmentada, temos muito a evoluir com relação à inserção de dados para que haja um prontuário único, de forma que o paciente e médico se beneficiem”.

Ao ser questionado sobre o acesso das populações mais pobres à saúde e tecnologia, Reynaldo Neiva, diretor administrativo corporativo do Hospital Leforte, afirmou que há um “atraso enorme no entendimento do que é o futuro”. “Vejo também uma grande ruptura, acho que outros sistemas vão servir às nossas necessidades, em outros canais de comunicação, por exemplo. A gente subestima as pessoas mais pobres, mas elas já estão muito conectadas e, com isso, têm acesso a tudo. Por incrível que pareça, tem muita gente no país que nunca passou por uma consulta médica. Eu acredito que a tecnologia por revolucionar a vida dessas pessoas”.

Gustavo Gusso, diretor médico da Amil, disse que há outras formas de mudar a cultura da medicina, ainda apegada a modelos pouco eficientes. Uma dessas formas, segundo ele, é estimular a interação entre profissionais envolvidos no tratamento do paciente. “Os médicos não conversam entre eles, isso é cultural. E estamos tentando resolver isso marcando, por exemplo, consultas entre eles”, contou.

 Prevenção e planejamento são fundamentais para o atendimento ao idoso

Para aprimorar o atendimento de saúde à população idosa no Brasil é preciso em primeiro lugar cuidar da prevenção às doenças, mas antes disso as redes e os diversos elos desse processo, público e privado, têm de encontrar conjuntamente soluções para problemas que são direta ou indiretamente comuns. Esses foram os maiores desafios levantados no painel “Inovação com foco em envelhecimento populacional e gerenciamento crônicos”, apresentados no “Saúde Business Conference”, no HIS 2017.

Para uma população que envelhece de forma acelerada, como a brasileira, o sistema de saúde deve aumentar o atendimento em atenção primária, que segundo especialistas podem resolver até 80% dos casos dos pacientes com algum tipo de doença. “Mas para isso é preciso haver planejamento e integração dos diversos segmentos envolvidos no processo e não vejo ninguém no Brasil pensando nisso”, afirmou Mohamed Parrino, CEO do Hospital Moinhos de Vento.

Ricardo Soares, CEO do Brasil Senior Living, recomendou, por exemplo, o treinamento dos profissionais envolvidos com base em um plano terapêutico desenhado especialmente para os pacientes idosos, que possuem particularidades especiais nos tratamentos a que são submetidos. Uma das possibilidades de melhorar a prevenção para esses pacientes, destacou Miguel Velandia, presidente da Medtronic, é a utilização de produtos e equipamentos tecnológicos que tratam com mais eficiência ou minimizam os efeitos causados pelas doenças, como marca-passos mais modernos, o desenvolvimento de pâncreas artificial para diabéticos e outros itens que vem sendo criados.

A diretora executiva do ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), Joyce Chacon, lembrou que algumas campanhas de prevenção feitas no Brasil foram bem sucedidas diminuindo muito a incidência de doenças, como as originadas do tabagismo, por exemplo. Segundo ela, trata-se de uma maneira bastante eficiente de  lidar com muitos problemas de saúde, contudo, as iniciativas ainda são poucas, sendo necessário maior envolvimento do setor público com o apoio das empresas privadas.

 Inovações que contribuem na área de saúde são discutidas no HIS

A moderadora Marisa Madi, diretora-executiva do Inrad – HCFMUSP, apresentou a mesa “De Obstáculo a Oportunidade: Trazendo Inovação para a Mudança do Setor”,durante o Saúde Business Conference. Ela  afirmou que a discussão se daria no âmbito “de que forma a inovação pode contribuir com o setor de saúde, que é tão tradicional e regulado”.

Denise Santos, CEO da BP – Beneficência Portuguesa de São Paulo, relatou que é difícil inovar, principalmente por conta do investimento financeiro, que nem sempre gera um retorno  – a executiva lembrou ainda que o tradicional hospital comandado por ela passou por uma repaginação total muito recentemente, o que não passou sem gerar alguma controvérsia. “Na minha concepção de engenheira, inovação é toda pequena, média ou grande revolução”, disse.

Para Gabriel Palne, CEO do Grupo Geriatrics, a inovação é dividida em essencialmente “três partes: de modelo, na descoberta da fórmula de criar um novo resultado, por exemplo, tecnológica, onde se imagina que toda inovação se encaixa ali, e de processo, que envolve o processo não só dentro da unidade, mas de todo o sistema, para torná-lo mais eficiente”.

Rodrigo Baer, da Redpoint eVentures Brazil, afirmou que o setor tem que mudar os incentivos para inovar e crescer. “É difícil fazer isso numa carreira profissional que nunca foi remunerada por performance, como é o caso dos médicos, que, invariavelmente, só recebem reconhecimento com a publicação de papers”.

Live Healthcare entrega prêmio Great Place to Work para 76 empresas

Para prestigiar as empresas e entidades ligadas ao setor de saúde que mais investem nos funcionários e no ambiente de trabalho, a Live Healthcare, organizadora do HIS 2017, em solenidade no final da tarde de ontem (25/10), entregou  o prêmio “Great Place to Work”, na sua 4ª edição, a 76 contempladas.  Divididas nas categorias “Farmácias e Distribuidores”, “Planos de Saúde”, “Farmacêuticas”, “Clínicas”, “Medicina Diagnóstica”, “Hospitais” e “Indústria e Serviços”, os representantes das instituições premiadas de todo o Brasil subiram ao palco principal do evento para receber os troféus que representam os melhores locais para se trabalhar.

A escolha das instituições de saúde obedeceu a alguns critérios a partir de pesquisa realizada com os funcionários e de uma avaliação das práticas das políticas de trabalho adotadas. A pesquisa mediu o respeito à diversidade, hospitalidade, orgulho pelo trabalho e ajuda à comunidade, com peso equivalente a 67% dos votos. No caso da avaliação, com peso de 33% na nota final, os critérios foram qualidade de vida, benefícios, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, entre outros.

Agenda: Ministro da Saúde, Ricardo Barros, participa do coquetel de encerramento do HIS, nesta quinta-feira (26), às 18h, no São Paulo Expo.

 

 

Serviço  

HIS – Healthcare Innovation Show 2017

Data: 25 e 26 de outubro de 2017

Horário: das 8h30 às 19h00

Local: São Paulo Expo

Endereço: Rodovia dos Imigrantes, Km 1,5 – São Paulo

http://saudebusiness.com/his/

Credenciamento Imprensa – o credenciamento poderá ser feito diretamente pelo link: goo.gl/vXRoLr


Contato para imprensa (HIS 2017):

2PRÓ Comunicação 

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Teresa Silva – (11) 3030-9463

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Fundador da Memotext dá dicas de como engajar pacientes pode aumentar o ROI

Na constante busca por aperfeiçoar o relacionamento com o cliente, demonstrar o retorno dos investimento, é provavelmente, a questão mais desafiante para os empreendedores digitais de saúde. Primeiro é necessário decidir a maneira como o ROI (Retorno Sobre o Investimento) dos seus produtos será quantificado; em seguida adicione o trabalho de navegar em uma área cinza de critérios que o levarão a alcançar o ROI. Por isso, Amos Adler, Fundador e Presidente da Memotext, atesta: fazê-lo com êxito pode abrir muitas oportunidades entre a indústria farmacêutica, investidores e os sistemas de saúde.

Em um artigo publicado no começo desse ano, Adler e o Co-Fundador da Memotext, Bill Simpson, explanaram parte desta área cinzenta ao suscitar questões. São dados quantitativos e melhorias dos resultados de saúde que importam? Como você pega algo multifuncional, quantifica em uma métrica e então, de alguma forma, atribui valor fiscal? É uma melhora efetiva na aderência à medicação? Para quem? Para os pacientes menos participativos ou para os com maior “valor”?

A empresa sediada em Toronto desenvolveu com sucesso programas não apenas voltados para os interessados da indústria farmacêutica mas também para os investidores, stakeholders, sistemas de saúde, farmácias e gerentes de benefícios farmacêuticos. No seu cerne, Adler disse que a companhia tem desenvolvido uma série de produtos orientados para a aderência ao plano de saúde e consumo de medicamentos, iniciação de tratamentos e gerenciamento de saúde da população.

Adler descreveu a abordagem da Memotext e identificou maneiras de incrementar a baixa aderência do paciente aos medicamentos para uma adesão moderada. A empresa canadense também tem se concentrado em pacientes complexos, não necessariamente na maior população de pacientes, mas em alguns dos mais dispendiosos.

Se os produtos da Memotext levam os pacientes com mais frequência às farmácias – de três vezes por ano para seis vezes por ano (ainda distante do ideal de 12 visitas anuais) – contribuindo para que farmácias e companhias farmacêuticas obtenham  mais dinheiro, suas ferramentas também ajudam os planos e sistemas de saúde na redução de custos mensais por paciente – ao diminuir a utilização dos serviços pelos membros do plano de saúde. Isto equivale a uma proporção de 15:1, ou seja, para cada 1 dólar gasto com suas ferramentas digitais de saúde, o cliente pode fazer ou economizar uma média de 15 dólares.

Adler ressalta que a razão pela qual o ROI pode demorar para apresentar resultados se deve ao fato de que as companhias normalmente precisam de um ano para configurar um estudo, um ano para realizá-lo e outros seis meses para avaliá-lo. E no entanto, isto representa um conjunto particular de problemas, porque cada farmácia e organização de saúde tem sua própria ideia de retorno sobre investimento.

“Sempre que você entra em uma avaliação longitudinal para chegar ao ROI, a tendência é ficar cada vez mais turva”, disse Adler. “Uma das barreiras à inovação é não ter um caminho objetivo para a avaliação e operacionalização”. O segredo para o ROI em saúde digital é formalizar os critérios, para quantificar e avaliar categorias de resultados múltiplos.

Co-comercialização é uma abordagem que a empresa adotou nos últimos dezoito meses. Com o Hospital Geral de Massachusetts a Memotext está atuando em uma intervenção com pacientes de TDAH (Transtorno do déficit de atenção com Hiperatividade). No Centro de Vícios e Saúde Mental, a maior instalação deste tipo no Canadá, o trabalho está sendo voltado para o desenvolvimento de uma intervenção personalizada para pacientes com esquizofrenia. Já a colaboração com pesquisadores da universidade de British Columbia em Vancouver e com as autoridades locais em saúde, denominada Optimal Brith BC, exploram a eficácia e escalabilidade de um programa de educação prenatal, entregue por mensagem de texto, para mulheres grávidas na área rural da British Columbia.

Esse tipo de parceria envolve descobrir como co-criar, com os stakeholders da área de cuidados médicos, um modelo de receita que resolva o problema. Mas para funcionar bem, as companhias de saúde digital precisam de um longo termo de compromisso com os stakeholders e vice-versa.

Os exemplos mais bem sucedidos de empresários e investidores da área, podem beneficiar e incentivar outros empresários de saúde a adotarem uma abordagem que identifique e assuma as oportunidades de nicho, que tenha como objetivo melhorar o envolvimento do paciente.

 


Fonte: MedCityNews // Autor(a): Stephanie Baum // Tradução: Camila Marinho

Clínica Mayo apresenta ferramenta de tomada de decisão médica integrada ao PEP

Os médicos usam o software a fim de alcançar melhores práticas, enquanto que os hospitais podem acessar análises para entender e gerenciar as tendências de pedidos de testes.

A Mayo Clinic e a organização National Decision Support Company, NDSC, anunciaram uma nova ferramenta que permite aos médicos acessarem às orientações clínicas contida nos testes de laboratório no momento do atendimento.

A nova oferta vem para mostrar como hospitais, desenvolvedores de PEP (Prontuário Eletrônico do Paciente), o governo federal e outros agentes do setor de saúde estão buscando incorporar maior capacidade clínica de decisões a partir de registros de saúde eletrônico.

No início deste mês, por exemplo, a Clinical Decision Support Coalition – ou CDS Coalition, associação que estabelece o uso dos softwares de apoio às decisões clínicas – postou bases voluntárias que projetam as ferramentas de tomada de decisão em resposta às disposições do projeto de lei 21st Century Cures Act, que exclui alguns produtos CDS do escopo regulatório da U.S Food and Drugs Administration.

O novo software CareSelect Lab, por sua vez, é uma ferramenta clínica de suporte de decisões que as organizações dizem agregar os conhecimentos médicos da Mayo sobre as condições de saúde dos pacientes, e que está integrada na plataforma de registro eletrônico de saúde para fornecer, essencialmente, a melhor prática através do programa da CareSelect, desenvolvido pela NDSC.

O CEO da NDSC, Michael Mardini afirmou que a combinação significa que os clientes podem acessar mais de 1500 modelos de saúde mantidos pela Mayo.

Os médicos podem aproveitar o CareSelect Lab para orientação em laboratórios, patologias e testes genéticos; assim como interagir diretamente com as indicações contidas no PEP para acessar informações sobre testes apropriados a serem solicitados.

No nível empresarial, os hospitais que usarem o CareSelec e o CareSelect Lab também podem visualizar os relatórios benchmark do Analytics para comparar os padrões dos pedidos médicos, melhorar o entendimento das tendências gerais dos testes e identificar lacunas na saúde, disseram representantes da Mayo e da NDSC.

O responsável pelo departamento laboratorial de medicina e patologia da Mayo, William Morice, afirmou que os médicos que integram a equipe ou acessam os testes de laboratório da clínica, podem ajudar na redução de erros comuns. “Devemos ampliar para todos eles as mesmas orientações de decisões que beneficiam nossos médicos e cientistas”, explicou Morice. “E precisamos fazê-lo de um maneira que integre com os atuais sistemas e fluxos de trabalho deles”.

Embora a Mayo não tenha estipulado quanto a CareSelect Lab ou a Care Select plataforma custariam, ela revelou um interesse financeiro no produto e informou que destinaria a receita ganha com a ferramenta para a educação sem fins lucrativos, cuidados com os pacientes e para a pesquisa.

 


Fonte: HealthcareITNews // Autor(a): Tom Sullivan // Tradução: Camila Marinho

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