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Tecnologias para a digitalização da jornada do paciente

Integração de sistemas e adoção de ferramentas que otimizem a assistência são caminho para mudança do setor de Saúde

 

A transformação digital aplicada ao setor de Saúde tem como principal mote a otimização de processos, o que, consequentemente, traz melhoria à assistência. Ela torna mais simples a  implementação de conceitos como, por exemplo, a medicina 4P, que promove o cuidado baseado em prevenção, predição, participação e personalização. Com esse modelo aliado às novas tecnologias, as instituições de Saúde caminham para uma jornada do paciente cada vez mais digital, deixando de lado o foco na doença e promovendo mais qualidade de vida – além de maior satisfação com os serviços.

Um processo semelhante aconteceu no setor de aviação, com a digitalização da jornada do cliente. A compra de passagens em agências ou diretamente nas companhias aéreas e as longas filas para check in se tornaram coisa do passado. Atualmente, todo o processo de compra e confirmação de uma passagem é feito online, pelo próprio cliente, de forma segura e ágil, transformando o setor por completo.

Na Saúde, a transformação digital também muda a experiência do paciente. Fernando Arruda, coordenador adjunto do curso de medicina da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), lembra que o plano de cuidado é essencial na assistência, mas na medicina tradicional esse processo é engessado e precisa ser otimizado. “Quando falamos de tecnologias da informação na Saúde, a gente começa na idealização de sistemas que integrem dados. O prontuário eletrônico é uma ferramenta importante nesse processo porque reúne décadas de informações na mesma plataforma, o que evita erros ou repetições em processos, como a solicitação de exames repetidos, por exemplo. Ter esses dados organizados e de maneira acessível é o primeiro passo para melhorar a linha de cuidado”, explica.

Um passo importante para que esses sistemas funcionem, de fato, em prol da qualidade de vida é a integração. Arruda comenta sobre a importância da comunicação entre os sistemas. “A partir do momento em que tenho todos os dados no prontuário eletrônico do paciente, posso, por exemplo, cruzá-los com o monitoramento em tempo real e ter uma ideia de problemas que o paciente possa vir a desenvolver. Para isso, as tecnologias precisam conversar”, esclarece.

Nesse cenário surge a telemedicina, que garante o acesso ao paciente de forma remota e oferece orientações e cuidados à distância. Contudo, o Conselho Federal de Medicina (CFM) ainda não autoriza a prática – embora a recente aprovação de tele consultas com psicólogos no Brasil seja um indicativo de mudança de posicionamento. “Com a telemedicina, posso ofertar os melhores profissionais de forma remota, mas ainda se discute muito qual o limite dessas consultas. De uns dez anos para cá surgiu a linha de monitorização em tempo real, com dispositivos vestíveis e smartphones, que recolhe os dados do paciente e envia direto para o hospital. São mudanças significativas.”

Arruda garante ainda que é importante facilitar a jornada do paciente, além de otimizá-la. Algumas operadoras já dispõem de aplicativos para o agendamento online de exames. Mas é fundamental o treinamento dos profissionais, a fim de fazê-los entender que a ferramenta não irá substituí-los, mas sim facilitar a relação com paciente/cliente.

Nos próximos anos essas tecnologias tendem a ficar cada vez mais acessíveis e, com elas, a jornada do paciente terá profundas transformações – exatamente como ocorreu na aviação.

Tecnologia na Saúde: vilã ou mocinha dos surtos de doenças erradicadas?

Doenças como sarampo e poliomielite, consideradas controladas ou mesmo erradicadas, voltaram a preocupar os gestores de Saúde brasileiros em 2018. Mesmo com a campanha de vacinação ativa em todo o território nacional, dados do Ministério da Saúde dão conta que apenas 50,83% das crianças foram vacinadas contra a poliomielite e 51,35% contra o sarampo até agosto. E essa cobertura vacinal vem caindo continuamente nos últimos anos. O alerta é ainda maior porque foram registrados seis óbitos por sarampo no País desde o início de 2018. Especialistas avaliam que a tecnologia na Saúde pode ser tanto a vilã quanto a mocinha desse cenário.

O professor Fernando Arruda, coordenador adjunto do curso de Medicina da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), explica que os desafios ocasionados pelo retorno dessas doenças são grandes porque elas são infectocontagiosas. “É por isso que a vacinação é tão efetiva no controle: a partir do momento em que a pessoa está imunizada, ela não contrai nem transmite o vírus”, explica. O professor ainda comenta que as doenças foram erradicadas no Brasil porque, na década de 1980 e 1990, a campanha de vacinação foi amplamente aceita pela população. “Nesses anos a cobertura vacinal foi alta. Por mais que houvessem casos de outros países, não havia contaminação no território brasileiro. Com o tempo, a cultura da vacinação enfraqueceu  e, por conta da facilidade de se viajar entre os países, os casos voltaram a aparecer”, esclarece.

Uma das causas para a baixa cobertura vacinal, segundo Arruda, é a expansão de uma tecnologia simples e eficaz de comunicação: as mídias sociais. “As campanhas são as mesmas, as vacinas estão disponíveis. Por que os pais não estão levando as crianças para tomar a vacina? As causas estão nas redes sociais, onde são disseminadas as chamadas fake news da Saúde. Existem algumas linhas de raciocínio naturalistas que dizem que as vacinas são danosas para o ser humano. E uma parte da população se definiu contra a vacinação.”

Arruda lembra que a medicina é baseada em evidências e não deixa dúvidas quanto à efetividade da imunização. O problema é que essas falsas informações são transmitidas continuamente e agora os danos começaram a aparecer. Nesse sentido, a tecnologia se mostra a vilã da história.

Por outro lado, ela também pode ajudar a reverter esse quadro. Sistemas coletam dados populacionais com eficácia, permitindo o levantamento e mapeamento de surtos, além de otimizar o controle de vacinação.

Para o professor, essas ferramentas são cruciais no combate à situação. “A tecnologia, em especial a inteligência artificial e o big data, tem potencial de desencadear processos. A partir do momento em que há um conjunto de sintomas que caracterizam o sarampo, sabe-se como proceder para tratá-lo. A digitalização de dados também permite criar notificações, além de saber detalhes como para onde a pessoa viajou, em que região mora e, assim, direcionar esforços para o combate às doenças”, explica o especialista.

Mas, segundo ele, o engajamento das pessoas em relação às vacinas é a principal maneira de acabar com esses surtos. “A tecnologia na Saúde também pode ajudar a disponibilizar as informações corretas para que as pessoas entendam a importância da imunização. É um processo educativo que precisa ter as organizações como autoras para gerar confiabilidade”, destaca.

Remuneração baseada em valor na Saúde: o exemplo que vem de fora

Os custos da Saúde, tanto Suplementar quanto pública, vêm aumentando nos últimos anos no Brasil. Além da instabilidade econômica, uma das causas apontadas por especialistas para esse aumento é o envelhecimento populacional, que traz uma mudança no perfil epidemiológico dos brasileiros, aumentando a incidência de doenças crônicas. Esse cenário reforça a necessidade de discussão do atual modelo de remuneração entre operadoras ou o Sistema Único de Saúde (SUS) e os prestadores, que atualmente é dividido em  fee for service, remuneração por serviço prestado e pagamento por pacote, no qual cada tratamento tem uma remuneração pré-estabelecida.

Em todo o mundo, vários países já adotam a remuneração baseada em valor, ou performance, principalmente quando conciliada a programas de medicina preventiva. Os resultados incluem redução dos custos e mais qualidade para a assistência.

Conheça alguns exemplos que vêm de fora do Brasil:

 

Reino Unido:

A mudança do modelo de remuneração e do sistema de Saúde como um todo teve início em 2004, quando os britânicos implementaram a Estrutura de Resultado e Qualidade (Quality and Outcome Framework, QOF), que estabeleceu processos e definiu metas em todos os passos da assistência.

Segundo dados da pesquisa Pay-for-Performance in the United Kingdom: Impact of the Quality and Outcomes Framework—A Systematic Review,  a diminuição do custo efetivo de tratamento foi de 20% nos primeiros 10 anos. Além disso, a implantação da medicina preventiva fez com que o acesso dos tratamentos de Saúde para a população aumentasse de 63% para 90%.

 

Portugal:

Também em 2004, o país lusitano começou uma reforma total na Saúde, tanto na esfera pública quanto privada. A meta era diminuir os custos, que ultrapassavam 10% do Produto Interno Bruto (PIB). A solução foi investir em prevenção e otimização dos processos, com a criação da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI).

Portugal também implementou o sistema de pagamento por performance na Saúde Suplementar. Lá, em média 25% da remuneração dos médicos é baseada em performance, o que, segundo as pesquisas Sistemas de Alocação de Recursos a Prestadores de Serviços a Saúde e O sistema de saúde em Portugal: realizações e desafios, culminaram em mais qualidade na assistência.

 

Estados Unidos:

O sistema de Saúde do país é praticamente todo privado e o modelo de pagamento por performance começou a ser discutido na década passada também. Em 2012, cerca de 20% dos contratos já operavam nesse formato. Atualmente o percentual alcança 67%.

As organizações norte-americanas também começam a desenvolver a ideia de medicina 4P – preventiva, preditiva, participativa e personalizada – como forma de otimizar custos e aumentar a performance dos tratamentos de Saúde. O Instituto de Medicina 4P (P4 Medicine Institute) realiza pesquisas sobre os benefícios de uma remuneração por performance aliada aos pilares do modelo.

Mesmo sistemas de Saúde que apresentam alto custo e baixa qualidade, como o norte-americano, adotam formas de remuneração por performance, ou, em alguns casos, um misto de fee for service e performance, principalmente para controlar os custos e oferecer mais qualidade à assistência.

O Brasil, porém, ainda caminha a passos lentos para a adoção de contratos por performance. É urgente que os gestores percebam que esse modelo é uma das formas mais eficazes de diminuir as glosas, controlar os gastos e promover a sustentabilidade das organizações ao mesmo tempo em que garante a qualidade de vida da população.

Engajamento médico e o impacto no resultado para o paciente

A medicina 4p – preditiva, preventiva, personalizada e participativa – requer novos modelos de gestão e assistência, que prometem mudar a relação entre operadoras e prestadores e tornar as organizações mais sustentáveis no futuro. Mas, para que essa transformação aconteça, os profissionais de Saúde devem, primeiro, entender como funcionam esses novos modelos, que têm o paciente como principal foco do negócio. O engajamento de médicos e demais especialistas é fundamental para engajar também o paciente ao transmitir segurança em relação ao diagnóstico e tratamento – o que promove índices de adesão maiores e garante o restabelecimento da saúde.

Para Márcia Oliveira, consultora sênior de carreira da Produtive, criar uma cultura de engajamento passa por uma mudança de pensamento. “Engajar é construir um novo modelo mental. O médico é apenas um dos atores da assistência, que deve ser cada vez mais centrada no paciente, não mais no especialista. A questão é modificar a forma como o profissional  se enxerga nesse processo, criando mecanismos de apoio à tomada de decisão que o deixem mais seguro em relação ao diagnóstico e tratamento, por exemplo.”

Mas a consultora destaca que o médico não pode ser o único agente responsável pela  jornada do paciente na organização de Saúde. Pelo contrário, todos devem cumprir seu papel de forma engajada para entregar a melhor assistência. “Vivemos na era da experiência do cliente. Não basta ter um bom produto ou serviço se ele não for sustentável e focado no cliente. Na Saúde, quando a gente pensa em experiência do paciente, o conceito inclui desde o momento em que ele é atendido na recepção até a cura.”

 

Gestão

Márcia alerta que a mudança de modelos mentais não deve ser exclusiva dos funcionários. Para que ela aconteça, os valores internos da organização devem ser alterados. Empoderar a equipe de enfermagem é tão importante quanto o médico, até porque ela tem um contato direto com o paciente e acompanha todo o tratamento. Mas também é importante o engajamento das equipes de backoffice, fundamental para o bom relacionamento entre operadoras e prestadores – o que impacta diretamente na qualidade da assistência.

Márcia reitera que as responsabilidades divididas fazem com o tratamento seja mais eficaz e a experiência do paciente, melhor. Mas é preciso que cada profissional tenha consciência do seu papel para os processos da organização como um todo. “As equipes precisam entender que fazem partes desses processos, desde a chegada no hospital até o acompanhamento pós-internação”, completa.

O engajamento médico, com a consequente mudança nos paradigmas da assistência, tem a capacidade de trazer, aliado a outras estratégias, uma Saúde focada na prevenção, não mais na doença. Esse novo modelo vai fazer com que os serviços melhorem e se tornem mais seguros, além de otimizar os caixas das instituições ao racionalizar os gastos. Possibilitará ainda o pagamento por performance entre operadoras e prestadores, essencial para que o foco dos negócios passe, de fato, para a saúde do paciente.

E, por fim, este último entenderá que o médico não é – nem deve ser – o único responsável por sua saúde, mas sim que o papel fundamental na prevenção de doenças é dele mesmo.

Lei de proteção de dados exige mudanças em organizações de Saúde

O processamento de dados se mostra cada vez mais efetivo com a evolução da tecnologia. Ferramentas como inteligência artificial (IA) e internet das coisas (IoT) cruzam informações obtidas do big data e otimizam ou até mesmo desempenham totalmente diversas tarefas que antes dependiam exclusivamente do esforço humano. Esse avanço requer adaptações não somente das organizações de Saúde, mas também da legislação brasileira.

Um exemplo é o Projeto de Lei por Iniciativa da Câmara (PLC) 53/2018, chamado de marco legal de proteção de dados, discutido e aprovado pelo Senado Federal no dia 10 de julho e

sancionado pelo presidente Michel Temer no dia 14 de agosto. Mas essa não é a primeira legislação sobre o tema que ocasiona impacto no setor de Saúde. Há algum tempo já se discutem as regras do mundo digital no Brasil, com destaque para o Marco Civil da Internet, sancionado em 2014.

Luiz Fernando Picorelli, advogado especialista em Direito da Saúde, aponta a necessidade de regulamentações desse tipo. “Ainda não havia uma lei específica sobre dados de usuários, no modelo que já existe em países como México e Colômbia. Antes, os problemas de proteção de dados na Saúde eram resolvidos somente pelas normas do Conselho Federal de Medicina (CFM) e pelo Código Civil”, explica.

Principais mudanças

A preocupação com os dados dos pacientes já é recorrente em muitas instituições de Saúde, contudo, além do dever ético, agora a lei obriga que prestadores e operadoras adotem medidas que promovam ainda mais segurança. Picorelli explica que o CFM já é bastante rigoroso com a questão. “As instituições não podem disponibilizar os dados do paciente nem após a sua morte. Caso haja vazamento, as operadoras e prestadores podem ser responsabilizadas.”

Antes de efetuar mudanças, cada organização deverá refletir sobre a PLC 53/2018 e as mudanças práticas que ela trará à Saúde, principalmente no uso de tecnologias que dependem da manipulação de dados. O advogado entende que alguns processos precisarão ser revistos. “A legislação trata os dados de Saúde como sensíveis, o que significa que a segurança deles é ainda mais importante. Os prestadores precisam ter muita cautela. Os prontuários eletrônicos, por exemplo, precisarão ser revistos”, complementa.

Na prática, será necessária uma mudança de comportamento de todos os players envolvidos na Saúde e até mesmo do paciente, que poderá requerer o acesso aos seus dados. As instituições terão mais responsabilidades no processamento das informações, em especial quando relacionadas ao uso de ferramentas como analytics, Business Intelligence (BI) e inteligência artificial. Além disso, a comunicação entre sistemas precisará ser absolutamente

segura, o que é um desafio à curto prazo, já que, na maioria das vezes, o mesmo hospital opera com diferentes softwares.

O prazo para adaptação à legislação é de 18 meses. Portanto, será preciso correr para evitar as punições – que vão de suspensão parcial ou total do funcionamento do banco de dados por até 12 meses a proibição parcial ou total do exercício das atividades das empresas relacionadas ao tratamento de dados.

3 formas de criar uma cultura de inovação na Saúde

Na era da transformação digital, organizações altamente tecnológicas e startups com ideias inovadoras surgem a todo momento. Na Saúde, porém, a busca por esses modelos ainda é tímida. A evolução de ferramentas como big data, internet das coisas, realidade virtual e aumentada, blockchain e wearable devices, entre outras, mostra que o investimento em tecnologia traz retornos tanto do ponto de vista do paciente quanto do negócio. Mas esse resultado só acontece quando a inovação é acompanhada de uma mudança de cultura organizacional.

Arthur Igreja, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e especialista em tecnologia e inovação, dá três dicas para ajudar gestores na criação de uma cultura desse tipo na Saúde:

1 – Tenha um ambiente propício

O clima corporativo faz toda a diferença na criação de uma cultura de inovação. “O colaborador deve sentir que há espaço para errar, e que o erro é visto como uma oportunidade de crescimento. Esse comportamento o estimula a pensar em coisas novas sem ter medo. Trata-se de errar de forma produtiva. As grandes empresas têm dificuldades para introduzir uma cultura inovadora porque ainda atuam com a mentalidade de punir os erros.”

 

2 – Espalhe a ideia

Algumas instituições concentram práticas inovadoras apenas em um departamento, ou mesmo um laboratório, distante da rotina diária da assistência. Segundo Igreja, essa prática limita a inovação na Saúde. “Com um único departamento voltado à questão, há menos cabeças pensando em inovar. Quando essa cultura se estende para toda a organização, ela se torna mais ágil, mais acostumada com a mudança de comportamento do consumidor, no caso, o paciente. A verdadeira mudança não está na tecnologia, e sim em como ela altera a vida das pessoas.”

 

3 – Use o conceito de open innovation para democratizar problemas

por ter como objetivo principal cuidar de vidas, o setor de Saúde deve trabalhar para evitar o erro. Mas isso não torna a inovação algo impossível, sobretudo na gestão. Igreja ressalta que a inovação pode partir de qualquer lugar da organização. “Sem dúvida é um setor especial, onde o erro não é desejado, o que cria um rótulo muito pesado e se torna desculpa para não inovar. Para driblar o problema, as organizações podem adotar o conceito de open innovation, que consiste em se unir para resolver problemas e até mesmo convidar empresas de outros setores para ajudar, como startups. O segredo é democratizar os problemas para resolvê-los juntos”, garante.

Para Igreja, a criação desse ambiente que favorece a inovação em Saúde é um diferencial que vai garantir a sobrevivência das organizações no futuro. Portanto, quem não se adaptar não sobreviverá ao avanço da tecnologia, que promete mudar a forma como encaramos o cuidado em um futuro bem próximo.

Os 4 Ps da Saúde populacional

Criada pela Sociedade Europeia de Medicina Preventiva há quase uma década, a medicina 4P ganha novos aliados com a tecnologia. Sua principal proposta é criar um sistema de Saúde que tenha como foco pesquisa e prevenção, e não mais tratamento e cura. O modelo é beneficiado por ferramentas como inteligência artificial (IA) – que traz importante apoio na prevenção e diagnóstico precoce – e internet das coisas (Internet of Things – IoT) – que possibilita a criação de wearable devices, os dispositivos vestíveis para monitorar sinais vitais em esquema 24/7. Tudo com potencial para modificar significativamente os paradigmas da Saúde populacional.

Na medicina 4P, o primeiro “P”, de prevenção, visa evitar que o paciente adoeça ou tenha agravos. O segundo, de predição, tem o objetivo de identificar doenças que podem aparecer, com base em mapeamento populacional e investigação genética. O terceiro, de participação, faz com que se crie uma relação mais humana entre o médico, o paciente e a sociedade como um todo. E o quarto, de personalização, trabalha com propostas individualizadas, conforme as necessidades de cada paciente.

Além de promover a qualidade de vida da população, uma das características desse modelo, quando aliado à tecnologia, é a geração e manipulação de dados. A enorme massa gerada por sistemas, aplicativos e outras soluções de Saúde, trabalhada por ferramentas de inteligência artificial, leva o modelo preventivo e preditivo a outros patamares.

Para Ronaldo Cristiano Pratti, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e doutor em ciências da computação e matemática computacional, a IA é uma realidade cada vez mais disseminada no setor. “Existem técnicas de diagnóstico de doenças por ferramentas de inteligência artificial que já são mais precisas que as de médicos experientes. A adoção em maior escala desses métodos pode levar ao diagnóstico precoce, reduzindo custos e aumentando a expectativa de vida dos pacientes.”

O especialista cita como exemplos o uso de mídias sociais, como o Twitter, para prever doenças infecto-contagiosas e problemas cardíacos, além de câmeras de celular capazes de diagnosticar problemas oculares.

Uma preocupação do setor é o alto custo de uma IA ou de dispositivos dotados de IoT, contudo, Pratti esclarece que o investimento depende da complexidade do que se espera com a tecnologia. O especialista garante ser possível adotar ferramentas úteis e de baixo custo. “Uma etapa comum é a coleta de dados, que pode ser feita de maneira simples, por meio de consulta aos bancos de dados das organizações, por exemplo, mas também de forma complexa, como no caso do desenvolvimento de ferramentas específicas, que podem custar na casa dos milhões de dólares”.

A medicina P4, aliada às tecnologias que já existem e que ainda estão por vir, tem potencial para reduzir consideravelmente os custos com tratamentos, medicamentos e internações, além, claro, de trazer mais qualidade de vida à população.

Tecnologia como aliada da Saúde Populacional

Criada pela Sociedade Europeia de Medicina Preventiva há quase uma década, a medicina 4P ganha novos aliados com a tecnologia. Sua principal proposta é criar um sistema de Saúde que tenha como foco pesquisa e prevenção, e não mais tratamento e cura. O modelo é beneficiado por ferramentas como inteligência artificial (IA) – que traz importante apoio na prevenção e diagnóstico precoce – e internet das coisas (Internet of Things – IoT) – que possibilita a criação de wearable devices, os dispositivos vestíveis para monitorar sinais vitais em esquema 24/7. Tudo com potencial para modificar significativamente os paradigmas da Saúde populacional.

Na medicina 4P, o primeiro “P”, de prevenção, visa evitar que o paciente adoeça ou tenha agravos. O segundo, de predição, tem o objetivo de identificar doenças que podem aparecer, com base em mapeamento populacional e investigação genética. O terceiro, de participação, faz com que se crie uma relação mais humana entre o médico, o paciente e a sociedade como um todo. E o quarto, de personalização, trabalha com propostas individualizadas, conforme as necessidades de cada paciente.

Além de promover a qualidade de vida da população, uma das características desse modelo, quando aliado à tecnologia, é a geração e manipulação de dados. A enorme massa gerada por sistemas, aplicativos e outras soluções de Saúde, trabalhada por ferramentas de inteligência artificial, leva o modelo preventivo e preditivo a outros patamares.

Para Ronaldo Cristiano Pratti, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e doutor em ciências da computação e matemática computacional, a IA é uma realidade cada vez mais disseminada no setor. “Existem técnicas de diagnóstico de doenças por ferramentas de inteligência artificial que já são mais precisas que as de médicos experientes. A adoção em maior escala desses métodos pode levar ao diagnóstico precoce, reduzindo custos e aumentando a expectativa de vida dos pacientes.”

O especialista cita como exemplos o uso de mídias sociais, como o Twitter, para prever doenças infecto-contagiosas e problemas cardíacos, além de câmeras de celular capazes de diagnosticar problemas oculares.

Uma preocupação do setor é o alto custo de uma IA ou de dispositivos dotados de IoT, contudo, Pratti esclarece que o investimento depende da complexidade do que se espera com a tecnologia. O especialista garante ser possível adotar ferramentas úteis e de baixo custo. “Uma etapa comum é a coleta de dados, que pode ser feita de maneira simples, por meio de consulta aos bancos de dados das organizações, por exemplo, mas também de forma complexa, como no caso do desenvolvimento de ferramentas específicas, que podem custar na casa dos milhões de dólares”.

A medicina P4, aliada às tecnologias que já existem e que ainda estão por vir, tem potencial para reduzir consideravelmente os custos com tratamentos, medicamentos e internações, além, claro, de trazer mais qualidade de vida à população.

Inovação na Saúde para já: o primeiro passo rumo ao futuro

Inovação na Saúde. Todo gestor ouve falar dela com frequência, mas em meio à complexa rotina dessas organizações, muitos ainda acreditam que inovar está no plano das ideias, é algo para o futuro. Alguns até se arriscam, mas as iniciativas ficam restritas a departamentos ou laboratórios, tornando-se cases que pouco impactam no cotidiano da assistência.

No entanto, a quebra bruta e abrupta de paradigmas acontece exatamente agora, em meio à transformação digital. O avanço exponencial da tecnologia promete mudar completamente o setor. Mas, para que a transformação aconteça, de fato, o primeiro passo é mudar a mentalidade – dos líderes, profissionais e também do paciente. Construir uma organização disruptiva e sólida depende, primeiramente, da reconstrução daquilo que se acredita que seja Saúde.

O modelo atual é sustentado quase que exclusivamente pela doença; a porta de entrada é o hospital, procurado, em geral, quando a pessoa já está enferma. O primeiro passo é reverter esse quadro e trabalhar a prevenção e a qualidade de vida, no lugar de apenas restabelecê-las. Tecnologias como inteligência artificial, dispositivos vestíveis, Internet das Coisas, big data, analytics, entre outras,  permitem trabalhar preventivamente de forma bastante assertiva. Combinados com mapeamento genético, os milhões de bytes de informação – gerados diariamente por protocolos eletrônicos, aplicativos, sistemas de gestão e outros dispositivos -, já permitem determinar o risco de um paciente desenvolver câncer, por exemplo. Na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, uma parceria com o Google permitiu criar um modelo que prevê com 95% de acerto a probabilidade de uma pessoa vir a óbito no momento em que dá entrada no hospital. A tecnologia ainda é capaz de determinar 85% dos casos em que a pessoa ficará internada por mais de sete dias e 75% daqueles que serão readmitidos no prazo máximo de 30 dias. Essa melhoria de eficiência é possível graças  à transformação dos dados em informação.

As organizações que tirarem a inovação dos laboratórios e, desde agora, a adotarem como parte da estratégia de seus negócios são aquelas que, em um futuro próximo, vão liderar esse novo setor. Ele será baseado nos 4 Ps listados pela Associação Europeia de Medicina Preventiva: prevenção, personalização, predição e participação. E será, de fato, um sistema de – e para – a saúde.