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Unidades de transição desafogam hospitais e recuperam pacientes

By 15 de outubro de 2014 Gestão
O ano de 2014 se insere em um período de grandes discussões sobre o sistema de saúde não só no Brasil, mas no mundo. A insustentabilidade do setor fica evidente, assim como os aspectos organizacionais geradores deste cenário. Entre eles, a cultura “hospitalocêntrica”, no qual o paciente recorre ao hospital ao sentir qualquer desconforto.Enquanto o sistema ainda centraliza a assistência no hospital, preserva o foco na doença, carece de consciência da população sobre como preservar sua saúde e presencia interesses particulares sobrepondo-se ao coletivo, despontam iniciativas alternativas, que nascem sob um novo conceito. É o caso das unidades de cuidado intermediário, que oferecem assistência quando o paciente já não precisa ficar internado em um hospital e nem é caso de home care.

Em geral, esses pacientes apresentam um quadro estável, necessitando apenas de um cuidado extensivo para sua recuperação ou adaptação a sequelas decorrentes de processos clínico, cirúrgico ou traumatológico. Estima-se que até 25% dos leitos hospitalares privados no Brasil estão ocupados por internações de longa permanência – alvo desses serviços intermediários.

De acordo com Luiz Fernando Froimtchuk, CEO da rede de hospitais Placi, idealizada sob essa perspectiva, o modelo é adequando ao novo perfil epidemiológico em que predominam as doenças crônico-degenerativas, em uma população mais fragilizada pela idade avançada. “O modelo hospitalocêntrico tradicional não está preparado para recuperar o paciente, o que prevalece é a alta complexidade. Os profissionais de saúde dos hospitais foram treinados para tratar doenças e os idosos necessitam de um prazo maior para se recuperar, com técnicas de cuidados especializados”, explicou Froimtchuk, que tem planos de expansão ambiciosos no mercado brasileiro.

“Os pacientes costumam chegar para nós muito maltratados, cheio de escaras. Alguns sem falar, sem andar. Queremos recuperá-los para que eles voltem para casa”, contou ele.

Com um aporte estimado em R$ 150 milhões do BBI Financial, gestora de recursos em Saúde, a Placi pretende inaugurar, ainda este ano, duas  unidades em São Paulo, e outras duas no Rio de Janeiro, chegando ao total de 100 novos leitos. Em três anos, os planos são de chegar a 600 leitos, com unidades também em Brasília. Atualmente estão em operação uma em Niterói (RJ) e outra na capital fluminense.

Sem equipamentos complexos e altamente tecnológicos, sem laboratórios e salas cirúrgicas, e com no máximo 60 leitos, o valor desse tipo de “hospital” está na equipe interdisciplinar e na proximidade com o paciente. Para Gabriel Palne Rodrigues, CEO do Grupo Geriatrics, que possui uma unidade também com este perfil, a Clinic Care,  localizada em Niterói, a humanização e a simplicidade devem fazer parte dos detalhes arquitetônicos para que os pacientes desfrutem de uma atmosfera quase domiciliar.

“Faz-se necessário o acesso dos pacientes ao jardim, já que nele são realizados processos de cuidado, e o bem- estar que ele proporciona faz parte da assistência prevista. Nenhum leito ou quarto, por exemplo, possui numeração, já que a humanização transparece no acolhimento pessoal que é dado a cada paciente. A história de cada um deles é colhida e afixada próximo ao leito, permitindo que cada um seja reconhecido por quem realmente é, não pela sua condição de saúde momentânea”, ponderou Rodrigues.

Atualmente a unidade da Geriatrics representa aproximadamente 20% do faturamento bruto do Grupo, e os planos de expansão estão em execução com a expectativa da abertura de uma nova unidade no Rio de Janeiro.

Economia
Ambos os executivos ressaltaram a economia financeira como uma decorrência para o hospital e operadora que estabelecerem parceria com esse tipo de serviço. “A alta complexidade é cara e, em geral, o hospital mantém esse paciente no CTI. Isso fica caro para o plano e ruim para o hospital, que precisa de rotatividade. Além do cuidado inadequado ao paciente”, criticou Froimtchuk.

Apesar dos benefícios esperados, Froimtchuk ainda enxerga receio por parte dos planos de saúde em relação ao serviço, mas afirma ser “uma questão de tempo, pois para eles está difícil e nós apenas cuidamos”, ressaltou.

A opção de transferir o paciente para o home care, segundo Rodrigues, também não seria o melhor custo-efetivo, já que o processo de reabilitação é muito mais lento. “Para se ter uma ideia, o paciente com potencial de reabilitação custará durante todo o processo de cuidado aproximadamente 40% do que custaria em home care em um ano, que é a segunda alternativa mais barata para ele”, explicou.

O Hospital Albert Einstein também investiu em 2011 em um centro de transição desse tipo, entretanto, para Rodrigues, não são os hospitais que consolidarão essa tendência, uma vez a demanda por unidades hospitalares de alta complexidade ainda é grande e está alinhada ao escopo já existente.

Apesar do conceito ainda não estar sendo largamente considerado entre os agentes do setor de saúde, vem aparecendo como mais um serviço complementar à necessária desospitalização, integrando um trajeto assistencial mais completo.

*Atualizada em 20/10 às 9h43 para correção de informações
Nathalia Nunes

About Nathalia Nunes

Fonoaudióloga formada pela FMUSP, com MBA em Economia e Gestão em Saúde na UNIFESP e apaixonada por comunicação, negócios e tecnologia em saúde. Na Live, trabalho com Marketing, Pesquisa e Conteúdo, tanto na produção de materiais editoriais e de pesquisa, quanto na difusão de temas e ações relacionados a negócios em saúde.

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