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“Pandemia deixou marcas emocionais que não devem ser negligenciadas pelas empresas”

By 1 de outubro de 2020 Gestão

Após meses em home office, muitas empresas estão solicitando o retorno de seus funcionários aos escritórios. Além da adoção de medidas de distanciamento, obrigatoriedade do uso de máscaras e oferta de álcool em gel, empregadores têm um desafio grande pela frente: lidar com a saúde emocional da equipe. A meditação e demais práticas de cultivo do equilíbrio podem ser fortes aliadas nesse contexto.

De acordo com Fernando Gabas, especialista em meditação e expansão da consciência e criador do protocolo Life Matters, duas emoções podem vir à tona neste momento para quem está voltando às atividades presenciais de trabalho: o medo e a ansiedade. A primeira tem relação direta com a saúde física. Já a ansiedade pode estar atrelada à autocobrança com o desempenho profissional. Isso porque muitas posições podem ter sido extintas e, mais do que nunca, a performance será crucial para manter o trabalho. Além disso, é possível que diversas atividades e metas tenham ficado para trás durante o isolamento e, provavelmente, haverá uma certa pressão de “acelerar” para alcançar esses números.

Para ele, programas de saúde mental e meditação oferecidos pela empresa certamente podem apoiar os profissionais nesses dois contextos. Gabas frisa que a meditação, por exemplo, traz efeitos positivos como calma e maior capacidade de gestão das emoções. Ele explica que a meditação é uma atividade individual e com poucos requisitos (não demanda um ambiente específico ou aparelhos especiais), mas que seus impactos se tornam visíveis e transformam o ambiente.

“A transformação, ainda que seja pessoal, contagia outros indivíduos. Se alguém começa a praticar, mesmo que sozinho, observa que seu entorno começa a mudar também. Isso ajuda a transformar a empresa em um lugar onde as pessoas gostam de estar”, frisa.

Em termos de produtividade, o ganho é significativo. Empresas como Apple, Google e Microsoft, já possuem programas focados em práticas de meditação. A norte-americana Aetna calculou ganhos de produtividade na ordem de 1 para 11 por funcionário com seu programa de meditação, o que significa que, para cada um dólar investido no cuidado desse funcionário, retornam onze dólares para a empresa.

Uma ação importante que deve ser adotada pelos gestores, segundo Gabas, é não ‘voltar ao normal’ como se nada estivesse acontecendo. “Não dá para esperar que as pessoas voltem ao trabalho e que tudo seja como sempre foi. O indicado é que as empresas selecionem alguém capacitado para abrir espaços de conversas, oferecendo escuta a todos. Um ponto de atenção é não dramatizar ainda mais a situação. As emoções perturbadoras que vivemos, que provocam pensamentos negativos e nos desestabilizam, estão associadas ao passado ou ao futuro. O luto, por exemplo, está associado ao passado, porque diz de uma perda que já aconteceu. Já o medo, a um cenário futuro, o qual não queremos que aconteça. Acolher as emoções de todos será muito importante nesse momento, mas com a responsabilidade de não tornar o clima, o ambiente da empresa em um local pesado, cheio de tristeza e ansiedade. Para isso, além de acolher essas emoções, é fundamental oferecer técnicas e ferramentas que ajudem as pessoas que precisam retomar o controle de suas vidas, a reconquistar o equilíbrio emocional, e isso certamente pode ser feito pela meditação ou um programa que propuser a prática como uma das ferramentas”, explica.

O especialista completa que tal processo vai depender de como o programa será apresentado aos colaboradores, quem o conduzirá e até como os C-levels da organização irão apoiar ou não esse tipo de iniciativa. “Qualquer programa a ser desenvolvido nas empresas precisa ser endossado pela cultura. De nada adianta abrir sessões diárias de meditação e continuar pressionando os colaboradores para que trabalhem sempre em um nível de estresse insalubre. Quando a iniciativa é entendida dentro desse escopo, a probabilidade de que tenha aderência, seja bem-sucedida e apresente excelentes resultados (tanto para os colaboradores quanto para a organização) é enorme”, enfatiza.

Como as empresas podem acolher seus colaboradores

O especialista alerta que não há um modelo único de programa. “Não acredito que exista algo que sirva igualmente para todas as pessoas ou para todas as empresas. Por isso, é relevante enfatizar a variedade de estímulos e ferramentas. Quando você apresenta uma série de referências diferentes, as chances de que as pessoas se identifiquem com ao menos algumas delas é maior. Programas que oferecem essa diversidade são mais interessantes”, afirma Gabas.

Ele completa que o ideal é seja sugerida pela empresa uma rotina que seja fixa. “Para um programa de meditação destinado aos colaboradores, é interessante que as práticas sejam feitas sempre no mesmo horário e, se possível, todos os dias. Com isso fica fácil estabelecer um ritual, algo que todos façam no mesmo momento e que se torne prioritário em relação às outras atividades”, orienta.

Sobre o local, esclarece que as práticas podem ser realizadas presencialmente, em um local da empresa dedicado à finalidade, ou remotamente, usando a tecnologia. “Um espaço físico não é fator preponderante. Pela nossa experiência com empresas, é possível conduzir programas de meditação de forma online obtendo os mesmos impactos positivos. Temos seguido dessa forma, com resultados transformadores”, completa.

Mais informações no portal da Life Matters.

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