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O protagonismo da gestão de custos, rentabilidade e precificação nas empresas de Saúde em 2020

By 22 de junho de 2020 Colunas, Gestão

Desabastecimento de Medicamentos, Papel Inadequado do Governo e a Inflação Absurda na Saúde Pós COVID-19

Fonte: Geografia Econômica da Saúde no Brasil

A foto mostra que uma participante “brindou” com um post no Linkedin a Jornada da Gestão em Saúde EAD de junho, do eixo temático custos, rentabilidade e precificação em saúde … um grande orgulho que não é possível retribuir com a mesma grandeza.

O fato dos cursos que estavam programados para serem realizados presencialmente em Joinville, Belo Horizonte, São Paulo, Brasília, Recife, Curitiba, Rio de Janeiro e Porto Alegre, terem tido adesão em formato EAD nesta etapa é porque definitivamente o tema entrou na agenda das empresas de saúde: secretarias de saúde, operadoras de planos de saúde, serviços de saúde, fornecedores de insumos para a área da saúde … todos estão preocupados com a sustentabilidade pós pandemia, e conhecer bem e ajustar seus custos e preços será o “fiel da balança” da competitividade … e sobrevivência !

Dezenas de gestores dos mais variados tipos de empresas que atuam no segmento discutindo que vem aí uma inflação que nenhum órgão poderá medir – além da certeza de que todos os indicadores oficiais que vemos e veremos são irreais … a certeza de que estão longe … mas muito longe da realidade.

É fácil entender observando como se formam, por exemplo, os preços dos medicamentos … o insumo mais comum da área da saúde.

A maioria das pessoas envolvidas em gestão comercial, faturamento e auditoria de contas se refere aos preços dos medicamentos como “Tabela Brasindice”:

·         Nós utilizamos este termo regularmente, mas quem realmente conhece o segmento sabe que não existe uma “Tabela Brasindice”;

·         Brasindice é uma prestação de serviços de uma empresa privada, que tabula de forma amigável os preços de medicamentos da ANVISA;

·         O governo “tabela” os preços de medicamentos e divulga na Internet (é só pesquisar “CMED” que ela aparece).

É muito discutível o governo tabelar preços:

·         Tem quem defenda que o governo não deveria se intrometer em preços … a lei da oferta e da procura é quem rege os preços, com ou sem tabelamento;

·         Tem quem defenda que se ele não fizer isso “o sistema” vai explorar quem necessita de tratamento. Existe aí um fundo de verdade, mas não é uma verdade absoluta;

·         E tem os que defendem que se ele tabela preços de medicamentos, deveria tabelar também preços de materiais, serviços e outros insumos utilizados na saúde, porque o medicamento não trata o paciente sozinho, precisa de alguém que prescreva, alguém que ministre, equipamentos para ministrar, materiais para ministrar. A pergunta que vale 1 milhão de dólares é por que o governo tabela preços de medicamentos e não tabela preços de OPME’s que são muito mais danosos para os sistemas de financiamento do que os de medicamentos ?

Na prática este tabelamento não é aplicado em quase 100 % dos casos:

·         Existe ali um preço máximo para venda ao governo, mas diversas situações de mercado fazem com que ou o governo compre por um preço infinitamente menor que aquele, ou maior que aquele;

·         Também um preço máximo de fábrica – comprar por menos é bem comum (afinal é um preço máximo), mas comprar por preço mais caro que aquele está longe de ser coisa rara;

·         E um preço máximo ao consumidor – este é o que tem menor relação com a realidade. A competição faz com que muitos medicamentos sejam vendidos por preço inferior, e o PMC não é a base para formação do preço: o valor mais baixo é definido peça concorrência de acordo com as características regionais. E é muito comum vender por preço maior que o PMC, porque alguns contratos entre fonte pagadora e serviço de saúde não se viabilizam se o PMC for o limite de preços. O Brasil não é um pequeno país, e suas diferenças econômico-sociais se equivalem às da Europa, Ásia … e não de um único país destes continentes.

Tomando como base aleatoriamente um medicamento qualquer (aqui o Propofol) para discutir o papel inadequado do governo no tabelamento dos preços:

·         O reajuste dos preços entre 2017 e 2018 foi de 2,5 %, e o entre 2018 e 2019 foi 4,3 %;

·         Foram definidos com base em uma “inflação oficial” que só serve para rechear os chatíssimos comentários de economia na mídia e, evidentemente e principalmente, para os interesses do governo;

·         Qualquer pessoa que pague contas, “faça supermercado”, use o dentista … enfim qualquer pessoa que vive no Brasil ri (ou chora) quando alguém diz que a inflação de dois anos foi 7 … 8 % ! Quem dera que a “conta de luz”, o arroz, o pãozinho, a pizza … tivessem tido este aumento pífio calculado pelas “fórmulas tabajaras” dos economistas !

Quem fabrica não consegue manter preços com este índice “me engana que eu gosto” porque o salários dos seus funcionários, a energia elétrica, o transporte, os insumos que adquire para fabricar, embalar, o IPTU … ou seja, tudo que ele gasta … não são reajustados pelos índices oficiais … são reajustados de acordo com o mercado real.

Então, para sobreviver e continuar abastecendo a área da saúde, se não é possível ajustar o preço à necessidade o mercado, se utiliza dos artifícios legais que existem.