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Mudança de comportamentos funciona como remédio para doenças crônicas

By 23 de abril de 2019 Destaques, Gestão

De acordo com definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), são consideradas Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) todas aquelas auto adquiridas por múltiplos fatores, de progressão lenta e de longa duração. As DCNTs destacam-se como as maiores causas de óbitos no Brasil, representando 74% das mortes, segundo a OMS. Isso ocorre, na grande maioria das vezes, porque as doenças crônicas podem ser assintomáticas, quando não dão sinais de sua existência, mas estão se desenvolvendo no paciente. Apesar do grande número de óbitos e de não haver possibilidade de cura para a maioria dessas doenças, a maior parte delas pode ser prevenida ou mesmo ter sua evolução controlada, garantindo maior qualidade de vida aos pacientes.

Uma forte evidência disso pode ser percebida no protocolo médico Diabetes Prevention Program, estudo apoiado pelo Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e do Rim (NIDDK) dos Estados Unidos. Ao longo de uma série de pesquisas realizadas com pacientes portadores de diabetes pelo mundo todo, ficou cientificamente comprovado que a mudança de comportamentos e hábitos pode ser mais eficiente do que o uso de medicamentos na prevenção de doenças crônicas, em diversos casos. Mudar hábitos inclui atacar diretamente alguns fatores de risco para diabetes e demais doenças crônicas, como tabagismo, consumo alimentar inadequado, sedentarismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

Aí entra um dos maiores desafios da área de saúde no Brasil hoje, que é promover o entendimento disso e, consequentemente, o engajamento dos pacientes na mudança de hábitos que os auxiliem a gerenciar suas doenças crônicas e/ou os aproximem de um estilo de vida mais saudável. A saúde e a medicina em geral não foram treinadas para engajar as pessoas, elas estão embasadas no medo e nas ameaças. “Se você comer muita gordura, vai ficar doente e morrer”. Além disso, a abordagem tradicional da saúde está centrada no papel de que o médico é o especialista e somente ele entende o que as pessoas precisam para serem mais saudáveis. Em saúde, regra geral, somos formados para resolver o problema, recomendar, prescrever e diagnosticar, e não para construir alternativas juntamente com o paciente. Neste contexto, surge um formato inovador de acompanhamento, buscando inverter este foco: o coaching de saúde.

Coaching de saúde: engajar pessoas para mudar comportamentos

Coaches de saúde são profissionais com treinamento específico em coaching e em abordagens de mudança de comportamentos em saúde (Modelo Transteórico de Mudança, Entrevista Motivacional, Comunicação Não-Violenta, entre outras), de acordo com definição do Consórcio Internacional de Coaching em Saúde e Bem-Estar (ICHWC). No atendimento de coaching, o foco passa a ser o indivíduo. O coach não recomenda o que o paciente tem que fazer, mas trabalha como um parceiro do paciente, traçando metas e definindo soluções em conjunto para o autocuidado dele, sempre a partir das crenças e limitações do paciente. O processo de coaching propõe um atendimento mais humanizado e de empoderamento do paciente, focando em sua educação para otimizar sua capacidade de autogestão da saúde.

A consultoria é desenvolvida com base no que cada pessoa precisa, focando inicialmente no contexto atual do paciente e traçando uma visão de futuro desenhada a partir do que ele deseja alcançar. Após detectar este contexto, são traçadas ações e mudanças de hábitos que façam sentido para a pessoa e possam ajudá-la a chegar onde ela definiu que gostaria de estar em sua visão de futuro. A partir daí, o coach aplica técnicas comportamentais para mexer com a motivação do paciente e gerar engajamento. Além disso, o coach ajuda o paciente a perceber o que ele pode fazer para chegar onde quer, quais são as barreiras, quais são os recursos possíveis, quais são as pessoas que podem ajudar nesse processo, quais ambientes pode dar apoio para isso.

O coaching de saúde atua na prevenção e promoção da saúde, o que engloba também o gerenciamento de doenças crônicas. Hoje no Brasil um alto percentual das doenças crônicas são desenvolvidas por maus hábitos da população, e é com foco em modificar esse contexto que o coaching de saúde atua, sempre buscando motivar e engajar os pacientes e fazê-los entender a importância de sua saúde para que queiram cuidar mais de si mesmos.

Sobre o Autor:
Daniele Kallas, Gestora de Saúde na GoGood, empresa de saúde digital corporativa focada em evitar o crescimento dos custos de saúde para organizações provenientes de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. Dentre as soluções, o aplicativo GRIT desenvolvido pela empresa embasa-se no Diabetes Prevention Program e oferece, por meio de um método científico de emagrecimento, um programa de prevenção de diabetes e hipertensão para pacientes pré-crônicos.

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