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Logística Reversa de Produtos não Consumíveis

By 23 de março de 2017 Gestão

No final do século XX e o início do século XXI foi marcado pela “Era da Informação”. A internet passa a fazer parte da vida do ser humano e cada vez mais usamos a chamada “net” para transações bancárias, acesso a notícias, comunicação seja email, WhatsApp, Facebook, Linkedin, entre outros e além disso consumimos produtos. Empresas e consumidores fazem os seus pedidos de produtos diretamente pela web, tudo muito rápido e seguro, sempre guardando os devidos cuidados com senhas e acessos.

Neste ponto que entra a Logística e segundo Laugeni e Martins (2003, p. 5): “a logística constitui um conjunto de técnicas de gestão da distribuição e transporte dos produtos finais, do transporte e manuseio interno às instalações e do transporte das matérias-primas necessárias ao processo produtivo. ”

A logística tem cada vez mais relevância dentro das empresas, devido os crescentes volumes realizados e a necessidade de ter o produto certo, no tempo certo e no local certo em diferentes clientes e cada um com a suas próprias características.

Conforme a lei Lei nº 8.078/90, que é mais conhecida como Código de Defesa do Consumidor (CDC) em seu Art. 18 determina a substituição ou troca. Neste ponto que entra a “Logística Reversa de Produtos não Consumíveis” (PnC)
O conceito de logística reversa que no passado chamávamos de apenas “devolução” ou “retorno” (nada contra a estes termos) continua em evolução. Uma das definições de Logística Reversa é do autor LEITE (2005, p.16-17), assim definida: “Entendemos a logística reversa como a área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós-venda e de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, por meio dos canais de distribuições reversos, agregando-lhes valor de diversas naturezas: econômico, ecológico, legal, logístico, de imagem corporativa, entre outros”.

O objetivo principal da logística reversa é a gestão adequada dos bens ou materiais constituintes ao ciclo produtivo agregando valor econômico, ecológico, legal e de negócio. As etapas da logística reversa constituem a solicitação de coleta/retorno, aprovação do retorno, planejamento de transporte, emissão de documentos fiscais, separação, conferencia, transporte, recebimento, visando sempre a recuperação do bem de forma legal e sustentável.

A logística reversa trabalha com duas áreas de atuação: a logística reversa de pós-consumo e a pós-venda (não consumido). A logística reversa de pós-consumo é responsável pelo fluxo físico e de informações referente a bens de pós-consumo que necessitam retornar a cadeia de distribuição. A logística reversa de pós-venda é responsável pelo fluxo físico e de informações referente a bens de pós-venda e não consumidos que necessitam retornar a cadeia de distribuição quando por diferentes motivos, seja por qualidade ou comercial.

Há diferentes razões que fazem as empresas ter processos adequados de logística reversa, ou seja:
• Econômicas: Reaproveitamento de matéria-prima e produtos,
• Legislativa: Lei Federal nº 12305/2010 – Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) e LEI Nº 13.410, DE 28 DE DEZEMBRO DE 2016. – Sistema Nacional de Controle de Medicamentos que visa controlar a produção, a distribuição, a comercialização, a dispensação e a prescrição médica de medicamentos, assim como os demais tipos de movimentação previstos pelos controles sanitários (logística reversa),
• Ecológicas: Impacto dos produtos sobre o meio ambiente durante todo o ciclo de vida de seus produtos,
• Valor da marca: Utilização da logística reversa como oportunidade de adicionar valor a imagem da empresa com relação aos aspectos ambientais e sustentabilidade,
• Redução de custos: Aumentar a vantagem competitiva para a empresa.

Dentre os principais desafios de Logística Reversa no segmento farmacêutico podemos destacar: Produtos não retornam espontaneamente tornando-se poluição ambiental, por contaminação ou excesso; Cenário de crise leva as empresas a buscarem novas fontes de economia de custos, aumento da eficiência e a diferenciação competitiva no mercado; necessidade de atendimento às legislações ambientais e sanitárias cada vez mais exigentes, sob pena de multas e processos indenizatórios; necessidade de práticas e processos de gestão transparentes, éticos e que evitem a corrupção, como o desvio de produtos para o abastecimento do “mercado negro”.

As principais falhas do processo de Logística Reversa de Produtos não Consumíveis podem ser divididas em três etapas:

Processos: Processos ineficientes e falhos em várias etapas da cadeia (terceiros, áreas internas e transportadoras); Alta burocracia nos processos financeiros; Alto volume de processos; Ausência de tratamentos diferenciados: produtos retornados versus reincorporado ao estoque; Processo não colaborativo entre o fabricante e clientes; Tratamento fiscal ineficiente com recuperação de impostos inexistente ou indevida.
Organização: Métricas e KPIs inexistentes no que se refere os custos da Logística Reversa; Governança ineficiente com baixa velocidade dos processos; Política Comercial desfavorável que favorece a existência e o crescimento da Logística Reversa.

Sistemas: Pouco controle ou dificuldade para controlar os processos em sistemas e planilhas e sem Integração com os processos de Rastreabilidade do Sistema Nacional de Controle de Medicamentos; Baixa visibilidade ou inexistência de workflow de aprovação dos processos; Dificuldade de endereçamento adequado devido ao grande número de motivos de devoluções cadastradas.

Diante de todos esses desafios e falhas as empresas devem adotar processos de melhoria continua na Logística Reversa que englobe o transporte; a armazenagem e a destinação final de produtos com valor comercial, visando a mitigação de riscos de desvios e fraudes; o atendimento a legislação e, principalmente, a exposição da marca.
Governança da Logística Reversa de Produtos não Consumidos é um trabalho imprescindível nas empresas visando a identificação e construção de soluções que atendam às necessidades da organização e do negócio, ao mesmo tempo em que auxilia na elaboração de critérios e procedimentos para apoiar as melhorias nos processos de retorno e devoluções.

Referências:
(1) MARTINS, Petrônio Garcia; LAUGENI, Fernando Piero. Administração da Produção. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2003
(2) LEITE, Paulo Roberto. Logistica Reversa: Meio Ambiente e Competitividade. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005.

 

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