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Flexibilização da lei da rastreabilidade: que tarde, mas não falhe

By 1 de fevereiro de 2017 Gestão

A ANVISA divulgou recentemente o seu projeto de flexibilização do rastreamento de medicamentos, em que pretende limitar a atividade de controle sobre os medicamentos de alto custo ou com necessidade de prescrição médica. A proposta também estabelece prazos maiores para que cada setor informe o caminho do medicamento e não mais em tempo real, devido às limitações de acesso de conexão de qualidade à internet em algumas regiões do país.

O tema é complexo e implica em 10 anos de atraso da implementação do Sistema Nacional de Controle de Medicamentos, com prazo para efetivação em 2021.

A Agência irá instituir um Grupo de Trabalho para formular um plano de ação para a fase experimental de implantação do Sistema, com prazo para conclusão de 90 dias, incluindo a recomendação de quantos medicamentos irão compor essa fase e os critérios para a seleção da lista de empresas e instituições públicas e privadas que participarão dos testes. O prazo é válido a partir da data de publicação da Portaria que deve ocorrer em breve.

Frente aos desafios e muitos gargalos que temos nessa área, afirmo que qualquer inclusão da rastreabilidade já será um começo positivo. Talvez seja o melhor caminho para o start efetivo da operação, mas é importante que não paremos por aí.

Mesmo que gradativa, a implementação deve avançar para 100% dos suprimentos, visto que segundo a OMS, 19% dos remédios comercializados no Brasil são ilegais e de cada lote de 100 medicamentos, 20 são falsos. Nenhum produto está fora dos riscos de roubo, falsificação e até mesmo erros com necessidade de recall.

Como praticante da rastreabilidade na logística hospitalar há mais 10 anos e tendo a responsabilidade de gestão de centenas de milhares de medicamentos de instituições privadas e públicas, entre as quais cidades inteiras, sabemos que não é fácil o inicio, mas também sabemos o quanto é efetivo o seu resultado.

Ainda que a sua implementação requeira investimentos consistentes, em curto prazo já é possível aferir em relatórios gerenciais os ganhos exponenciais em economicidade e segurança.

Com os inúmeros recursos que temos a nosso favor, o que o mercado precisa, de fato, é dar o primeiro passo e parar de dar desculpas sobre as dificuldades de cumprimento de prazos, empurrando com barriga a operação por tempo indeterminado. E a Agência, de sua parte, seguir de forma efetiva na condução da lei para que ela seja colocada em prática o quanto antes.

Mayuli Fonseca, diretora de novos negócios da UniHealth Logística Hospitalar

Mayuli Fonseca

About Mayuli Fonseca

Atual Diretora de Novos Negócios da UniHealth Logística Hospitalar, uma das principais empresas do setor de logística de produtos médicos e farmacêuticos da América Latina, Mayuli Fonseca é administradora de empresas (PUC/SP) e possui MBA em Dupla concentração em supply chain management e consultoria estratégica pela Ohio State University (OSU), Columbus, Ohio, EUA.