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Como levar os serviços de saúde para lugares remotos do país?

By 15 de outubro de 2019 Gestão

Garantir atendimento de alta complexidade em regiões afastadas de grandes centros urbanos exige logística, gestão eficiente e uma compreensão das especificidades que envolvem a cultura de cada lugar

O Brasil é um dos maiores países do mundo, com dimensões territoriais semelhantes ao de quase toda a Europa. No norte do País, apenas o Estado do Pará supera o tamanho de países como França, Itália e Reino Unido, chegando bem próximo, inclusive, da Angola.

O território do Pará ainda abrange boa parte da floresta Amazônica, a maior floresta tropical do mundo. Neste contexto, além da grande variedade de culturas, climas e etnias, os desafios enfrentados na região envolvem o atendimento especializado em saúde à locais remotos, acessíveis em algumas ocasiões apenas por meios fluviais.

É exatamente neste campo que a Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, uma entidade filantrópica com mais de meio século de atuação na gestão em saúde, mostra sua expertise. Para superar a barreira da distância, uma estratégia é a descentralização dos atendimentos, levando para mais perto da população os profissionais e a estrutura necessária, evitando fluxos migratórios.

A entidade gerencia dez hospitais no estado do Pará, destes, apenas três estão localizados na região metropolitana de Belém. Nos últimos anos, o Governo do Estado construiu e implantou unidades em Marabá, Altamira, Santarém e Barcarena, todos administrados pela Pró-Saúde, sob contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (SESPA).

A entidade gerencia as seguintes unidades: Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo e Hospital Público Estadual Galileu, ambos em Belém; o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, em Ananindeua; o Hospital de Porto Trombetas, em Oriximiná; O Hospital 5 de Outubro, em Canaã dos Carajás; Yutaka Takeda, em Parauapebas; Hospital Regional Público do Sudeste do Pará, em Marabá; Hospital Regional da Transamazônica, em Altamira; Hospital Regional do Baixo Amazonas, em Santarém, e o Hospital Materno-Infantil Dra. Anna Turan, em Barcarena.

Essas unidades levaram atendimento de alta complexidade para o interior do Estado, evitando o fluxo migratório para a capital, dando mais agilidade aos atendimentos e desafogando a rede da região metropolitana. “O grande desafio foi, dentro da política estadual de saúde, descentralizar os atendimentos, que até então eram realizados, em maioria, na região metropolitana de Belém. O que nós conseguimos foi uma saúde muito mais resolutiva no interior do estado do Pará”, ressalta Rogério Kuntz, diretor Operacional da Pró-Saúde no Pará.

Porém, para garantir o pleno funcionamento dessas unidades, alguns desafios precisam ser superados. “Com a descentralização vieram grandes desafios, principalmente relacionados à questão da logística. Na Amazônia, as principais “rodovias” são os rios. Neste contexto, imagine hospitais de média e alta complexidade com apelo tecnológico alto e uma gama muito grande de materiais e medicamentos diferenciados. Para suprir essas necessidades, nós tivemos que criar uma logística eficiente”, ressalta Kuntz.

Com os desafios, surgem as soluções

Um dos desafios enfrentados pela Pró-Saúde está no estímulo contínuo do interesse dos profissionais em atuar em áreas remotas. Em busca de soluções, e que também pudessem se estratégicas para a entidade, a diretoria corporativa Médica atua no trabalho de captação e desenvolvimento de profissionais para atuação em todo o território, uma vez que a Pró-Saúde está presente em 23 cidades de 11 Estados brasileiros.

“Mais uma estratégia de destaque é trabalhar em parceria com prestadores de serviços médicos de atuação nacional, o que potencializa essa distribuição de profissionais em todo o país”, ressalta Miguel Paulo Duarte Neto, diretor Executivo-Geral da Pró-Saúde.

Outra dificuldade ocasionada pela localização remota na região amazônica é o abastecimento de produtos hospitalares. Porém, a questão vem sendo superada pela entidade com a implantação de uma central de compras localizada na sede da entidade, em São Paulo. O setor é responsável por realizar o abastecimento de toda a rede, proporcionando transparência aos processos, além da segurança de reposição dos insumos em todas as unidades.

O reconhecimento nacional de excelência

A Pró-Saúde possui seis hospitais no estado do Pará com certificação da Organização Nacional de Acreditação (ONA), a mais importante e respeitada entidade avaliadora da qualidade dos serviços de saúde do Brasil. Destes, três já alcançaram o nível máximo, acreditado com Excelência de nível 3 (ONA 3). São eles os hospitais Regional do Baixo Amazonas, em Santarém, e Regional Público da Transamazônica, em Altamira, e o Hospital Público Estadual Galileu, em Belém. Além disso, o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, primeira unidade pública e especializada em câncer infantojuvenil na região amazônica, já recebeu neste mês a indicação para acreditação ONA 3.

Participação na Assembleia Sinodal

No mês de outubro está em andamento a Assembleia Sinodal com o tema “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. O Sínodo é uma instituição permanente da Igreja Católica e consiste em um encontro religioso na qual bispos, reunidos com o Papa, têm a oportunidade de trocarem informações e compartilhar experiências.

De acordo com o Papa Francisco, que convocou o Sínodo em 2017, “o objetivo principal desta convocação é identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta”. A Pró-Saúde, alinhada com essa preocupação e atenta à questão, apoia o tema e participará ativamente desta discussão.

Sobre a Pró-Saúde

A Pró-Saúde é uma entidade filantrópica que realiza a gestão de serviços de saúde e administração hospitalar há mais de 50 anos. Seu trabalho de inteligência visa a promoção da qualidade, humanização e sustentabilidade. Com 16 mil colaboradores e mais de 1 milhão de pacientes atendidos por mês, é uma das maiores do mercado em que atua no Brasil. Atualmente realiza a gestão de unidades de saúde presentes em 21 cidades de 11 Estados brasileiros — a maioria no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde). Atua amparada por seus princípios organizacionais, governança corporativa, política de integridade e valores cristãos.

A criação da Pró-Saúde fez parte de um movimento que estava à frente de seu tempo: a profissionalização da ação beneficente na saúde, um passo necessário para a melhoria da qualidade do atendimento aos pacientes que não podiam pagar pelo serviço. O padre Niversindo Antônio Cherubin, defensor da gestão profissional da saúde e também pioneiro na criação de cursos de Administração Hospitalar no País, foi o primeiro presidente da instituição.

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